Amar plenamente a Deus (Estados de Vida)

Quando falamos de amar a Deus encontramos o resumo que o próprio Jesus faz quando questionado por um mestre da Lei: “Mestre, o que devo fazer para possuir a vida eterna?” (Lc 10,25).“Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças.” (Dt 6,4-5)Este mandamento seguido do amor ao próximo resume o que precisamos fazer para irmos em santidade ao encontro do Senhor no nosso último dia, irmos para o céu. E quem é que não quer ir para o céu? Quem não quer viver eternamente? Quem não quer viver para sempre junto ao Sumo Bem? Até mesmo ateus, pagãos, apóstatas e todos nós seres humanos pecadores, se soubéssemos verdadeiramente que Deus, como diz a Palavra, é o único Senhor, que criou todas as coisas, que nos ama com amor eterno e só Ele, em seu Filho Jesus Cristo, tem palavras de vida eterna; todo ser humano buscaria incessantemente amar a Deus, de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças. Em outras palavras, todos nós buscaríamos a santidade.

Então por que nós, cristãos, católicos, batizados, cheios da graça santificante advinda dos sacramentos, muitas vezes não amamos a Deus? Por que muitas vezes agimos como se não o conhecêssemos? É exatamente porque não o conhecemos. Só se ama quem se conhece. Como podemos conhecer a Deus se não o buscamos?

São João vai dizer na sua primeira carta: “Aquele que diz conhecer a Deus e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele” (1Jo 2,4). Acontece que guardar os mandamentos não se resume aquilo que diz cada Mandamento ao pé da letra. Quem nos ensina a interpretação da Lei e da Palavra de Jesus revelada no Evangelho é a Tradição e o Magistério da Igreja. Quantos de nós católicos já lemos a Bíblia toda? Quantos de nós temos uma vida de oração diária com a leitura da Palavra de Deus? Quantos de nós conhecemos sequer uma parte do Catecismo da Igreja Católica? Precisamos buscar a Deus na oração e nos estudos da Palavra, dos documentos da Igreja e da vida dos Santos.

É num desses documentos da Igreja que o Papa Paulo VI, no Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, nos ensina algo muito valioso para os nossos tempos sobre a santidade.

“Esta santidade da Igreja incessantemente se manifesta, e deve manifestar-se, nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis; exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com edificação do próximo; aparece dum modo especial na prática dos conselhos chamados evangélicos. A prática destes conselhos, abraçada sob a moção do Espírito Santo por muitos cristãos, quer privadamente quer nas condições ou estados aprovados pela Igreja, leva e deve levar ao mundo um admirável testemunho e exemplo desta santidade.”

Estas palavras nos falam da vocação universal à santidade. Todos nós seres humanos somos chamados a alcançar essa perfeição da caridade. Amar plenamente a Deus. Mas poderíamos agora perguntar: “Como se fará isso?” (Lc1, 34b). O Espírito Santo é criativo e suscita na Igreja diversas formas de viver a santidade, contudo cada uma delas tem o seu modo de manifestar essa santidade segundo o seu ESTADO DE VIDA.

Os Estados de Vida são formas de viver nesta terra que determinam como será a resposta de cada indivíduo ao chamado comum à santidade. São eles o Matrimônio, o Celibato e o Sacerdócio. Estas formas de vida estão presentes na vida da Igreja, no clero comum, nas congregações, institutos religiosos e em cada família, Igreja Doméstica, ao redor do mundo. Mas é interessante notar que, pela primeira vez na história da Igreja surge um movimento que traz em sua composição a presença, em vida fraterna e comunitária, dos três estados de vida convivendo e partilhando de uma mesma vocação específica; são as Novas Comunidades. Nós Comunidade Católica Rainha da Paz partilhamos desse novo de Deus para o mundo e por isso traremos aqui não só o que é cada estado de vida, mas também aquilo que nosso carisma vivencia na comunhão de três realidades tão belas e santas de nossa Igreja.Cada estado de vida é santo e tem sua importância essencial na vida cristã. Cada um deve escolher o seu estado de vida segundo seu próprio desejo, sua oração e sua história de vida.

Primeiramente tratemos do Estado de Vida Matrimonial. “O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole.” (Catecismo da Igreja Católica, 1601). Hoje em dia este estado de vida é o mais escolhido em meio aos cristãos, contudo há uma crise no matrimônio, pois muitos não buscam o verdadeiro sentido deste sacramento, não buscamna graça de Deus a capacidade para vivê-lo e, como que engolidos pelo mundo, muitos acabam negligenciando a santidade a que são chamados a viver neste estado e até desistindo dele. É muito comum até mesmo entre católicos pensamentos e conversas que rebaixam a condição matrimonial a um mal, a uma usurpação da liberdade e da felicidade do homem moderno que foge de tudo o que é compromisso duradouro.

“A experiência de Deus no matrimônio na Comunidade Rainha da Paz acontece quando o esposo ou a esposa vive uma profunda experiência com Jesus Cristo e transborda essa experiência na doação ao seu cônjuge, na abertura à vida, na doação aos filhos e no acolhimento aos pobres e aos necessitados” (Documento da 3ª Assembleia Geral da Comunidade Rainha da Paz).

O que temos visto e testemunhamos com grande alegria são dezenas de famílias transformadas pela graça da vida no matrimônio; sejam nos membros internos e externos da vocação Rainha da Paz; sejam nos casais participantes dos nossos grupos de oração. Casais que têm uma vida de oração de intimidade com Deus, uma vida sacramental cotidiana, uma vida de castidade na negação ao adultério, aos métodos anticoncepcionais artificiais e abortivos e na educação de seus filhos e no serviço a Deus na radicalidade e liberdade do Evangelho.

Em seguida temos o estado celibatário, ou da virgindade consagrada. Aqueles homens e mulheres que, como disse o próprio Jesus, se tornaram “eunucos por causa do Reino de Deus” (Mt 19,12).“Forma eminente de se entregarem mais facilmente a Deus com um coração indiviso”(CIC 2349).

Hoje em dia parece-me que o estado de vida celibatário é pouquíssimo escolhido e isso é uma pena, pois o celibato é um grande sinal de santidade. Aquele que o escolhe abraça uma forma de viver totalmente generosa, livre e frutífera. O homem e a mulher que se decidem pela vida celibatária tem a oportunidade de gerar muitas vidas para Deus numa disponibilidade integral para a vivência da evangelização, especialmente por parte daqueles que se dispõe a serem missionários voluntariamente na Igreja, que é o caso da Comunidade de Vida na Comunidade Rainha da Paz.“O celibato é uma oferta agradável a Deus que gera fecundidade para a Comunidade” (Documento da 3ª Assembleia Geral da Comunidade Rainha da Paz). Isso sem contar o fato de que antecipam em suas vidas uma realidade futura e celeste, pois “os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido” (Lc 20, 35). “O celibatário é, no interior da Comunidade (Rainha da Paz), uma seta que aponta aquilo que todos irão viver no céu (…)um sinal de adesão incondicional aos conselhos evangélicos” (Documento da 3ª Assembleia Geral da Comunidade Rainha da Paz).

Por fim temos para os homens que livremente decidiram viver essa tão bela graça e missão do celibato a vocação ao estado de vida do serviço sacramental, o Sacerdócio. “A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico” (CIC 1536). Assim como o Matrimônio esse Estado de Vida se concretiza por meio de um sacramento.

É por meio do Sacerdote que os cristãos recebem a graça de Deus nos sacramentos, de modo especial na Eucaristia. Sem Sacerdotes não há Eucaristia. Em Medjugorje, nas aparições da Rainha da Paz, ela sempre pede que rezemos pelos sacerdotes, pois nas mãos destes santos homens está o futuro da humanidade.

“A experiência de Deus no sacerdócio na Comunidade Rainha da Paz é serviço à Igreja e ao carisma. O sacerdote faz Cristo presente no meio de nós. É movido por sua intimidade com o Senhor que o capacita a viver as renúncias do seu estado de vida. Vive uma entrega total a Deus pelo sacerdócio e abraça a Vicência dos conselhos evangélicos segundo o carisma Rainha da Paz. O sacerdote na comunidade Rainha da Paz é um irmão entre os irmãos, que não usa seu ministério em busca de privilégios. Seu ministério gera vida reconciliada no interior da comunidade” (Documento da 3ª Assembleia Geral da Comunidade Rainha da Paz).

O mundo inteiro necessita grave e urgentemente de Matrimônios, Celibatários e Sacerdotes santos. Os ataques, tentações, perseguições e pecados têm feito com que muitos sofram e se percam neste mundo em que vivemos. “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus” (Rom 8, 18-19). Por isso irmãos e irmãs em Cristo Jesus, busquemos na oração discernir e viver o nosso estado de vida, para que, nos dons do Espírito Santo sejamos testemunhas da Ressureição de Cristo e possamos gerar vidas para Deus e formar discípulos e missionários para o Reino de Deus.

Deus o abençoe com a Benção Especial e Materna de Nossa Senhora Rainha da Paz

Guilherme Oliveira Bertoldo

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz