ENCONTRAR MEU LUGAR NO AMOR

“Penso, logo existo”, já diria a famosa frase de certo filósofo. Mas a verdade é que “Deus pensa, logo existo”. Não há nada mais triste para alguém do que viver na mediocridade do contentar-se com o nascer-crescer-reproduzir-morrer, encerrando sua existência no profundo desconhecimento de si mesmo. Não! O homem foi pensado, feito em alta dignidade, e portador de um sonho de Deus, de uma vocação.
Esta palavra pode parecer um tanto ameaçadora: Como assim? Alguém já definiu o que eu deveria ser? E o espaço da minha liberdade? O que vou ter que perder para realizar esta tal de “vocação”? Enganados estamos se assim são os nossos pensamentos. Vocação, na verdade, é a porção de amor capaz de realizar plenamente o homem, que o faz descobrir o seu próprio lugar no Amor; e viver uma vida não como parte de um rebanho que é conduzido com ensinamentos gerais (o que não tem nenhum mal, e leva para o único fim que buscamos, que é a comunhão com Deus), mas em uma relação única, cheia de sabor, e com uma profunda e pessoal experiência de Deus. Descobrir a própria vocação, o próprio chamado, o seu lugar único no Amor, é como descobrir que se havia até aquele momento sonhado em preto-e-branco porque ainda não se sabia que poderia sonhar colorido. Deus potencializa a nossa existência; e, como nos ensina o Papa emérito Bento XVI, “Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande.”
E que precisamos para ouvir o chamado de Deus? Tão somente escutar o próprio coração, que por Ele já anseia! E deixar-se conduzir para os encontros que Deus mesmo promove para nos fazer descobrir a nossa vocação.

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SOMOS TODOS CHAMADOS A SANTIDADE

Aos treze anos fiz meu primeiro Seminário de Vida no Espírito Santo e como sempre gostei da leitura, logo me interessei pela vida dos santos. Aos dezessete anos iniciei um trabalho na Biblioteca Paroquial. Cuidava dos livros organizando e registrando os livros que saiam e retornavam. Para mim era um grande banquete estar entre tantos livros católicos. E os meus preferidos eram os que narravam à vida dos santos. Eles passaram a ser meus grandes amigos no Céu.

Passando os anos, veio à fase mais madura de minha vida, aquela onde Deus nos tira o doce de tudo e precisamos buscá-lo não por seus consolos, mas porque o amamos. Neste período sem fim pude entender mais profundamente como os santos eram humanos como nós. Suas dores, lutas, quedas e soerguimentos. Logo me dei conta, de que o que nos difere dos santos é o fato deles sentirem-se amados por Deus a tal ponto de desejar com todo o coração retribuir este amor não importa se em gestos grandes ou pequenos, pois cada ação para Deus tem o tamanho do amor que nela colocamos. Porém, saber e sentir o quanto Deus nos ama, vai sempre depender do grau da nossa intimidade com Ele, do nosso encontro pessoal com Deus. Essa certeza do Seu amor por nós funciona como uma âncora no porto seguro, que não deixa nossa barquinha navegar por mares duvidosos. Essa certeza do Seu amor provada em nosso íntimo nos leva a como a amada dos Cânticos dos Cânticos, a enfrentar a noite tenebrosa, passar por feras e enfrentá-las sem temor, pois a força que nos conduz é como a paixão, nada detém. O objetivo do santo é amar Aquele que mais o ama. E este é o seu objetivo: Fazer o amor de suas vidas amado e feliz!

Ser santo para o cristão não deveria parecer algo impossível embora exija lutas. Isso porque no nosso Batismo nos tornamos filhos de Deus. E Deus é Santo: “Sede santos porque eu, o Senhor vosso Deus sou Santo.” – Lev 19,2. Logo, se em Cristo nos tornamos seus filhos, somos também coerdeiros da Graça. Com o pecado, o homem perdeu a graça que Deus lhe concedera, mas Cristo com seu amor incondicional ao Pai e a nós e em sua obediência rasgou o véu que nos separava. Recuperou a conexão que perdemos com o Pai. Isso nos dá a possibilidade de nos aproximarmos Dele sem medo, como um filho amado se aproxima do pai, pula em seu colo e lhe enche de cheiros. Entretanto o Inimigo de Deus e nosso, tudo fará para nos afastar dessa graça, fazendo com que a santidade pareça um ato impossível para nós! Satanás nos mergulha em nossas misérias como num mar de lama e deixa secar toda a sujeira em nós. Depois nos mergulha de novo até que pareçamos desfigurados e nada parecidos com o Pai do Céu. Ao olhar para nós e nos vermos tão feios e fétidos, pensamos que Deus não poderá nos querer jamais. Que estamos tão sujos que será impossível limpar tudo aquilo. Que não parecemos mais com Deus.

Como voltar a andar de mãos dadas com Deus se Ele se quer deve querer nos olhar por causa de nossa sujeira? Sim, a sujeira está lá, mas por baixo dela está, embora desfigurada, a imagem do Pai. E quando ele nos olha, como uma mãe que vê seu filho cair na lama, sua primeira atitude é banhar, limpar, lavar e depois vestir a veste limpa e perfumada. É isso que Deus deseja de nós.

Pensamos que para sermos santos, precisamos fazer coisas extraordinárias. Isso não é verdade. Sim. Alguns santos fizeram coisas extraordinárias, mas como fruto das coisas simples realizadas com um amor e um fervor não comum para quem está distante de Deus. Os santos são exemplos de vida para nós, mas cada um foi santo na sua característica própria e na sua individualidade porque é assim que Deus nos olha, como únicos para Ele, com nossas características próprias que nos definem como indivíduos. Não importa que características sejam essas. Elas são matéria-prima sob a ação do Espírito Santo.

Se observarmos a dinâmica da vida dos santos, nenhum era igual ao outro em tudo. Tinham temperamentos diferentes, idades diferentes, classes sociais diferentes… Mas com certeza, enfrentavam dificuldades ordinárias comuns a todos os seres humanos. Existiram santos que precisaram dominar seu temperamento zangado e lutaram anos a fio por isso. São Jerônimo foi assim. Não media as palavras e era profundamente intolerante. São Francisco Sales lutou para controlar o seu temperamento por dezenove anos. Ele mesmo aconselhava “Se sois como o salmista, prontos a gritar ‘ Os meus olhos são consumidos pela raiva’, ide em frente e dizei: ‘Tem piedade de mim, Senhor para que Deus possa estender a Sua mão direita e controlar a vossa ira”. Outros ainda foram pessimistas ou mesmo sanguíneos por demais. Isso nos mostra o quanto foram humanos, mas com um amor a Deus que lhes saltava nos poros.

         Ser santo não é um privilégio de poucos, mas um chamado, uma ordem de Deus. Um chamado independente da sua realidade pessoal. Seja criança como Domingos Sávio que preferia morrer a ferir o coração de Deus. De seus lábios brotava a simplicidade do que é ser santo: “Não posso fazer grandes coisas, mas quero que tudo o que faço mesmo a menor das coisas, seja pra a maior glória de Deus.” – Ou ainda José Luiz Sánchez Del Rio que aos 14 anos foi torturado para negar a sua fé, mas com a sola dos pés cortada e sendo obrigado a andar assim, gritava no meio das ruas: “Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!”. Os pais de Sanchez aceitaram pagar o resgate de sua vida, mas ele não aceitou. Disse já ter oferecido a sua vida a Deus e que a sua fé não estava à venda.

         Temos santos que sofreram com o câncer como Chiara Luce, diagnosticada aos 17 anos com câncer, santos que se negaram a abortar escolhendo a vida do seu bebê como Gianna Beretta Molla. Santos casados e solteiros, idosos e adolescentes… Santos em todas as épocas e estilos de vida, porque o Espírito Santo sopra onde quer e como quer. Alfaiate: São Geraldo Majela; Advogado: Santo Afonso Maria de Ligório; Professor Universitário, filósofo, psicólogo, biólogo e naturalista: São Alberto Magno; Médico: São Brás; Comerciante: Santa Lídia; Pescador: São Pedro; Lavrador: Santo Isidoro; Surfista, médico e seminarista: Bem Aventurado Guido Vidal (Brasileiro); Saúde frágil: Santa Bernadete Soubirous, Jacinta Marto e Francisco Marto; Santos Analfabetos ou com dificuldades no aprendizado: Santa Rita de Cássia, Santa Catarina de Sena, São João Maria Vianney… A grande diferença entre nós e estes santos, é que eles escolheram fazer o bem e buscaram viver na graça de Deus, fugiram das ocasiões de pecado, travaram uma luta diária e contaram com a força de Deus. Ele conhece as nossas dificuldades. Qual o pai ou a mãe que vê seus filhinhos impotentes diante de alguma dificuldade e não os socorre? Se está difícil para nós sermos santos, Deus vem em nosso auxílio através do seu Espírito Santo. Clamemos a sua ajuda a cada dia. Deus vem em nosso auxílio não importando a nossa fragilidade, basta que busquemos a sua presença. Para isso temos os sacramentos, de modo especial o Sacramento da Reconciliação e a Santa Eucaristia, o Alimento para as almas frágeis. Temos a Virgem Maria como intercessora e sabemos por meio dos nossos irmãos mais velhos, os santos, que não pode se perder aquele que se recomenda a Maria. E não importa se você leva uma vida simples, Deus se esconde entre panelas e vassouras também.

 Eu poderia dizer muitas coisas agora, citar trechos bíblicos e grandes teólogos, mas penso que uma coisa apenas é importante para sermos santos (claro, além de conhecer a Palavra de Deus e nos fortalecermos nos Sacramentos e na vida comunitária): O Amor é a resposta para tudo! Amemos e façamos tudo pela via do amor. Não com o nosso amor humano e cheio de limites, mas com o amor que brota da Fonte verdadeira, Cristo crucificado e apaixonado por nós! Nele encontraremos a força e o impulso necessário para sermos o que na essência já somos.

Em Cristo crucificado saberemos renunciar nossos desejos baixos, nossa ganância pelo ter e pelo poder. Olhando para Aquele que nos olha, com nosso olhar mergulhado no seu, nos encontraremos com a verdade sobre Ele e sobre nós, e como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, “Ele nos dará suas asas de águia para alçarmos o livre voo dos filhos de Deus.”

 “Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus.” (Heb 12,14)

Maria Adelaide dos Santos

Consagrada da Comunidade Católica Rainha da Paz

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POUCOS OS QUE PEGAM CORDA…

Alguns dias antes de partir para a missão na Ilha do Mosqueiro, na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Pará, estávamos falando sobre vocação, chamado e outras coisas sobre o assunto, principalmente, sobre o chamado à comunidade de vida, coração da Obra Rainha da Paz e seguimento mais exigente no Carisma. De repente surgiu a citação das palavras de Jesus quando diz “Muitos são os chamados…” e imediatamente uma jovem respondeu: “e poucos os que pegam corda!” Essa afirmação causou um certo impacto em meu coração. Porque Jesus completou essa afirmação dizendo: “…e poucos são os escolhidos!”

Será que ser escolhido é pegar corda? Fiquei a meditar algum tempo sobre isso, e me deparei com uma nuvem de testemunhas que sob o ponto de vista daquela jovem, “pegaram corda”, pelo simples fato de terem sido escolhidas e por terem se deixado escolher pelo Senhor. Dentre essas testemunhas encontrei São Pedro, Francisco e Clara de Assis, Teresa de Ávila, Teresinha do Menino Jesus, João Paulo II, João Maria Vianey, Pio de Pietrelcina, Agostinho, Catarina de Sena, Giana Mola, Teresa de Calcutá, Chiara Lubich, Bento XVI e uma multidão de homens e mulheres que escutaram um apelo dentro do seu coração para consagrarem suas vidas em favor da Igreja e em favor da salvação dos homens.

Benditas almas que escutando o chamado de Deus, não pegaram corda, mas amorosamente e decididamente disseram sim à sua vocação e eleição, mergulhando num mistério tal que foge ao entendimento e compreensão dos “sábios e inteligentes e é revelado somente aos pequeninos”. Louvo a Deus por todos os meus irmãos e filhos da Comunidade Católica Rainha da Paz, que diante do chamamento de Jesus souberam dizer sim a Ele, responsavelmente e decididamente, não pegando corda, mas na escuta da oração e adoração, puderam perceber que são capazes de corresponder ao chamado daquele que os atrai para si: Jesus Cristo!

Tony Castro

Cofundador da Comunidade Católica Rainha da Paz

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Testemunho de Francisco Edson do Carmo Filho

CONHECI AO MEU JESUS E SEU AMOR ME CONQUISTOU!
Eu venho de uma família cristã, então as realidades da fé, da Igreja, nunca foram algo estranho para mim, mas eu era muito indiferente a elas. Eu via a fé mais como um entretenimento do que algo necessário e importante.
Porém no Carnaval de 2004, eu estava me preparando para receber o sacramento da crisma, e todos os crismandos tiveram que participar do Vem Louvar, que é um retiro de carnaval promovido pela Comunidade rainha da Paz. E foi naqueles dias, em uma peça teatral que teve no Vem Louvar, que Cristo roubou meu coração. Aquela encenação falou mais ao meu coração do que todos os catequistas que tinham passado na minha vida. A peça retratava a história do homem que foi criado por Deus, por amor, e esse homem afasta-se de Deus. E Deus, para não perder o homem, veio ao seu encontro e morreu no seu lugar, para pagar pela sua liberdade e salvá-lo.
Naquele dia, entendi que não podia mais viver sem aquele Deus. Vi que a minha vida não faria sentido se não fosse do lado Dele. Vi que qualquer outro caminho que eu escolhesse, que não fosse do lado Dele, seria um caminho que me levaria para lugar nenhum.
Sou muito grato ao carisma Rainha da Paz, porque só pude ter a vida transformada e só pude ser encontrado por esse amor porque a Comunidade se dispôs a ir em missão para o Jordão.
A D. Tásia nos diz que “Há pessoas que só irão querer ser de Deus quando o Carisma Rainha da Paz chegar até elas”. Eu fui uma dessas pessoas.
Aquele encontro com pessoal com Jesus Cristo despertou em mim uma grande gratidão, um grande desejo de ser todo Dele. Eu queria conhecê-lo mais profundamente, queria intimidade com Deus, queria doar minha vida a Cristo. Queria dar mais, queria consumir o meu tempo por Cristo. Eu queria falar para todas as pessoas do amor que eu tinha encontrado. Lembro-me que colocava o nome de Jesus nos meus cadernos, nas minhas roupas. Houve uma vez em que eu estava fazendo um trabalho de equipe no colégio e na capa do trabalho eu escrevi várias frases como: “Deus é fiel”, “Cristo nosso melhor amigo”. Então, um dos colegas olhou para mim e disse: “Isso é um trabalho de geografia ou é de religião? ”. Mas isso era o desejo que eu tinha que Cristo tomasse conta de tudo na minha vida.
Então chega o segundo ponto, a proposta que Deus fez para mim que foi viver a santidade dentro do Carisma Rainha da Paz. Um seguimento mais profundo a Cristo no carisma Rainha da Paz. Adorar Jesus Eucarístico como almas esposas e evangelizar exercendo maternidade espiritual, são a resposta de Deus a esses anseios mais profundos do meu coração.
O que o Carisma Rainha da Paz realizou na minha vida? O carisma Rainha da Paz transformou a minha vida e me deu um sentido. Ele me devolveu a minha verdadeira identidade: Filho amado de Deus, feito para amar. O Carisma Rainha da Paz é o caminho de Santidade que vai me levar ao céu!

Francisco Edson do Carmo Filho
Consagrado da Comunidade Rainha da Paz

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NOSSO CHAMADO É UM MISTÉRIO DE DEUS

Muitas vezes nos deparamos com nosso chamado e nossa vocação e nos perguntamos? Por que eu? Será que Deus me chamou de fato? Essas perguntas provém de um grande erro, pois elas vem da visão limitada que temos de Deus e de nós mesmos. Nosso chamado se torna mistério porque não pode ser compreendido com a lógica humana, já que, só pode ser compreendido de forma sobrenatural.

Nestes dias tenho me deparado com um belo texto que ilumina bastante o mistério de nosso chamado “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). É preciso saber que Deus nos chamou não por causa de nossos méritos, mas unicamente por causa de sua misericórdia que é eterna. A segurança de nosso chamado reside na certeza que devemos trazer em nós do seu infinito amor: “Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31, 3). “Desde o seio materno Deus me chamou” (Is 49, 1). Esta é a nossa vantagem: saber que fomos chamados e escolhidos por amor.

Estamos prestes a celebrar 30 anos de fundação da Comunidade Católica Rainha da Paz e acredito que é este um tempo propício para cantarmos a nossa infinita gratidão a Deus, porque eterna é a sua misericórdia (Sl 100,5). Devemos fazer isso com nosso coração cheio de grande humildade e reconhecimento, pois “Ele ergue o fraco da poeira e tira o indigente do lixo, fazendo-o sentar-se com os nobres, ao lado dos nobres do seu povo” (Sl 113, 7-8).

Portanto, nos resta, correspondermos o chamado que provém do infinito amor de Deus por nós, para que cada vez mais, possamos celebrar esse mistério que nos atingiu e alcançou.

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