Ressurreição, força que transforma tudo!

Ressurreição, vida nova, novos hábitos, nova mentalidade, nova criatura em Cristo. Dizer que se vive uma vida nova e manter hábitos ou costumes do homem velho é não entender os efeitos bem práticos da ressurreição em nossas vidas.

Vida nova é dar o perdão àquela pessoa que te feriu ou magoou. Ressurreição é arrepender-se do que disse ou do que fez e ter a liberdade e a coragem de pedir perdão. Ser nova criatura é dar um abraço no seu pai e, dizendo que o ama, quebrar a indiferença ou a distância que antes existia. É ter a santa teimosia de viver, nos tempos de hoje, a castidade. É viver na alegria de acolher os filhos e não fechar-se à vida. É não deixar-se contaminar com o hedonismo deste mundo, mas acreditar que não nascemos para o prazer e sim, para ser felizes e nossa felicidade está em Deus. É cultivar em nossas casas o hábito de rezarmos juntos e não nos deixarmos engolir pelo corre-corre da vida. É, na verdade, ter os cristãos fazendo um grande coro de vida num grito em uníssono que o Evangelho não é papel apenas, mas é vida em nosso dia-a-dia.

Deixemos que a força de Cristo entre em “nossos túmulos”, remova nossas pedras e que refulja a luz de Jesus que vence nossas trevas, que faz o grande milagre de transformar pecadores em santos, homens e mulheres acanhados em arautos do Evangelho. Ressurreição que expulsa a tristeza, os medos e nos faz adentrar na grande “aventura” cheia de alegria e desafios de ser cristãos, de amar a Deus e deixar-se transformar por Ele e de ser suas testemunhas aonde quer que estejamos.

Desejo que a força transformadora do Evangelho o envolva e o faça, de fato, uma nova criatura, com novos hábitos cotidianos que modifiquem, ainda que paulatinamente, não só você mesmo, mas as pessoas que se encontrarem com você e ambientes que você frequenta.

Vida nova para você!

 

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Corramos para anunciar: Cristo Ressuscitou

A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes do nosso calendário. Atualmente, tornou-se uma data tão comercial, que poucos lembram ou conhecem seu verdadeiro significado. Para além dos chocolates e presentes, qual o verdadeiro sentido da Páscoa?

A Páscoa Cristã é a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo. Para entender a celebração da Páscoa é necessário ter presente que a Páscoa Cristã tem íntima ligação com a páscoa hebraica, que é a celebração da libertação dos hebreus, quando eram escravos no Egito. O palavra hebraica para Páscoa é Pesach e significa “passar além”, “ultrapassar” e deriva da narração da décima praga contada pelo livro do Êxodo 12, quando o Senhor viu o sangue do cordeiro nas portas dos hebreus e “passou além”, poupando-os da morte dos primogênitos. Depois disso, Moisés diz ao povo: “Lembrai-vos deste dia, em que saístes do Egito, da casa da escravidão”(cf.: Ex 13). A partir desse momento a festa da Páscoa é celebrada.

Com o Cristianismo, qual o significado da Páscoa para nós?

Assim como o Todo poderoso libertou os hebreus da escravidão no Egito, Deus quis nos libertar da escravidão do pecado e da morte, e pra isso, enviou seu Filho, o Cristo, nossa Páscoa, que foi sacrificado por nós ,para que não pereçamos, mas tenhamos a vida eterna. Celebrar a Páscoa é celebrar a liberdade conquistada por Cristo, na Cruz, para todos nós.

E na Cruz, a morte é vencida. A vida ganha força, e com Cristo posso tomar posse da certeza que nenhum resquício sequer de morte tem poder sobre mim, posso anunciar para o mundo, especialmente em tempos de “cultura de morte” que a vida já é vencedora, que a vida de Cristo é tão forte que nem a morte pode Lhe deter. É Páscoa todos os dias, posso festejar a Ressurreição que me foi concedida gratuitamente, e como diz São João Paulo II “o mistério da Ressurreição permanece no próprio coração de cada morte humana” .

E na Cruz, o pecado é enfraquecido. Páscoa também é celebrar o grande mistério da Reconciliação, Cristo reconcilia o homem de uma vez por toda com Deus, é também São João Paulo II que nos diz “E o Mistério Pascoal da Reconciliação permanece na profundidade do mundo humano, e de lá ninguém o arrancará.” Ninguém, nada! Nem o seu maior e pior pecado, nem os piores pecados de todos os pecadores do mundo todo poderiam apagar essa graça que é a reconciliação do homem com Deus por meio do sacrifício salvífico de Cristo.  Esse ato extremo de amor do Cristo por nós foi tão grandioso que alcançou os homens de todos os tempos.

O que nos foi concedido por Deus, por meio de Cristo, é tão maravilhoso que tolos seríamos se nos prendêssemos ainda aos apelos comerciais dos chocolates e coelhinhos.

Corramos para anunciar: Cristo Ressuscitou, verdadeiramente! Cristo venceu a morte e o pecado!

Isso sim é uma Feliz Páscoa!

Celebremos então a liberdade conquistada por Jesus Cristo na cruz para todos nós!

Hoje festejamos a Ressurreição! Hoje festejamos a Reconciliação.

O mistério da Ressurreição permanece no próprio coração de cada morte humana. O mistério da Ressurreição permanece no coração das multidões, no coração de multidões inumeráveis: das Nações, das diversas línguas, raças, culturas e religiões. O Mistério Pascal da Reconciliação permanece na profundidade do mundo humano. E de lá ninguém o arrancará! 

 

Zeneide de Aguiar – Consagrada da Comunidade Católica Rainha da Paz

 

 

 

 

“Eu darei a minha vida por Ti!”

Foi essa frase que Pedro disse tão cheio de segurança para Jesus. Achava que nunca iria deixá-Lo e iria segui-Lo em qualquer circunstância. Não tinha se deparado ainda tão claramente com suas inconsistências e fraquezas. Neste momento, nunca passaria pelo coração de Pedro uma frase como: “Eu não O conheço!”. Por três vezes ele negou Jesus. Então eu pergunto: “E nós? Será que também não negamos o Senhor ainda hoje?”.

Negar Jesus hoje não significa dizer tão explicitamente como Pedro um “eu não O conheço”. Na verdade, são os inúmeros ‘nãos’ ditos implicitamente, ou mesmo discretamente. E o pior, constantemente. Para Pedro, dizer um ‘sim’ a Jesus naquela situação era comprometer-se inevitavelmente. Era, talvez, ter a mesma sorte que Jesus. E aquela situação era bem diferente da ocasião da entrada em Jerusalém, onde se podiam ouvir os ‘hosanas’, os gritos de ‘bendito o que vem em nome do Senhor’, a aclamação do povo… Nessas circunstâncias é bem mais fácil dizer que conhece Jesus.

Não negar Jesus hoje é ter a coragem de comprometer-se com Ele. Num tempo em que o Evangelho, as coisas sagradas e mesmo a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é posta de lado, nós precisamos dizer com nossas palavras e nossa vida: “Eu O conheço e estou com Ele, sim!”. Essa coragem e força não são meros bons propósitos ou simples boa vontade – embora sejam necessários -, mas são fruto de quem sabe que já negou o Senhor e que recebeu misericórdia para um recomeçar. Essa decisão é fruto de um derramamento do Espírito que faz como no dia de Pentecostes: transforma homens medrosos em verdadeiros arautos do Evangelho, com coragem de não só proclamar o Evangelho, mas de gastar-se numa verdadeira doação de vida por amor e comprometimento com Jesus.

Quantas vezes já negamos o Senhor? Na verdade, isso não importa muito! O que importa realmente é que Ele nos dá uma nova chance hoje de não negá-Lo. Ele nos dá a força necessária para enfrentarmos todos os obstáculos e, profundamente conhecedor de nossas fraquezas, continuarmos firmes numa decisão decidida de ir até o fim com Jesus.

Tupy Ponte – Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

Semana Santa: Percurso vitorioso da vida sobre a morte

Extraído de ‘ZENIT.org’

A luz do Cristo ressuscitado resplandece e ilumina todos os recantos da existência humana, portadora de esperança e vida. É Páscoa da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo! A Igreja de Cristo celebra sua festa maior, oferecendo a todos os homens e mulheres o grande anúncio: “Eis agora a festa da Páscoa, em que o real Cordeiro se imolou: marcando nossas portas, nossas alma, com seu divino sangue nos salvou. Esta noite de Páscoa lava todo crime, liberta o pecador dos seus grilhões; dissipa o ódio e dobra os poderosos, enche de luz e paz os corações” (Proclamação da Páscoa na grande Vigília).

Celebramos a festa da Páscoa. Na quinta-feira santa, ao cair da tarde, entramos no Cenáculo, “num andar de cima” (Mc 14,15). Interrompe-se o ritmo do quotidiano, para pensar nas coisas do alto (Cl 3,2). Começou a Páscoa com a Páscoa da Ceia! Ali tudo ganha um novo sentido. A Páscoa é preparada! Quem sabe os discípulos que foram à casa para que tudo estivesse pronto sejam figura do povo de Deus que conclui sua quaresma. Prepara-se esta mesa com a sobriedade do jejum e da abstinência, para chegar à abundância do banquete da vida eterna. Para entrar no Cenáculo, o bilhete é a caridade vivida, um amor misterioso que inquieta, pois é mais do que uma simples amizade. É a noite de seu novo mandamento, tornado visível no gesto daquele que veio para servir e não ser servido, para que a Igreja continue a lavar os pés de todos, começando dos mais pobres! O Cenáculo é novo templo! A comunhão com Deus acontece em torno de uma mesa fraterna, a oração é feita de intimidade. No Cenáculo Jesus antecipa o dom de sua vida. Antes de sua Cruz, antecipa a nova Páscoa, para que os cristãos façam tudo o que Ele disse e fez, para assegurar sua presença perene. Dali para frente, Pão da Vida e Cálice da Salvação, do nascer ao pôr do sol, enquanto esperamos sua vinda!

Começamos a Páscoa com Jesus e não podemos voltar atrás. O medo dos discípulos de antanho, superado com a unção do Espírito Santo, faz com que os de hoje caminhem valorosos para chegar ao Calvário. Sexta-feira santa é a Páscoa da Cruz. Olhar para a Cruz, árvore da vida! Quais pássaros migratórios que percorrem os ares do mundo, pousemos sobre seus braços. Mais ainda, com suprema ousadia, entremos lá dentro do Coração de Cristo, para olhar o mundo pela fenda da chaga aberta pela lança! Tudo ficará diferente! Conversão radical, renúncia ao olhar egoísta dos fatos e sofrimentos. Na Cruz de Cristo, indo com Ele até a experiência do abandono! Ele foi até o fundo do poço, para resgatar o escravo. Não há mais qualquer escuridão e tristeza, desespero e até ateísmo que não sejam preenchidos pelo amor eterno de Deus. Prostremo-nos por terra em adoração! Beijemos devotos a Cruz de Cristo! Que ela seja içada, qual estandarte, sobre todos os montes do orgulho humano, marcada nas frontes para que todos os homens e mulheres olhem para o alto, onde Cristo está sentado à direita do Pai, e olhem uns para os outros, estabelecendo os laços da fraternidade. No coração de Cristo, onde se encontram os dois caminhos da Cruz, está a vitória definitiva, celebrada e comunicada a todos os passantes!

No sábado santo, inquietos pelo silêncio misterioso, Ele “desceu aos infernos. Significa que Cristo ultrapassou a porta da solidão, desceu ao mais profundo e inalcançável de nossa condição de solidão. Mas mesmo na noite mais escura e extrema, onde não penetra qualquer palavra, em que nos sentimos como crianças abandonadas que choram, aparece uma voz que chama, uma mão que nos toma e nos conduz, e a noite humana mais escura é superada porque Ele entrou na noite! O inferno foi vencido quando Ele entrou na região da morte e a “terra de ninguém” da solidão foi habitada por Ele” (Cardeal Joseph Ratzinger, “O sábado da história”, 1998).

Com as mulheres da esperança, vamos à porta do sepulcro. Parece que a terra pulsa ofegante! Certamente o coração da Mãe desolada que teve o corpo exangue de Jesus nos braços continua batendo ao ritmo da fé. Os discípulos escondidos experimentam um misto de santa vergonha e inquietação. Dá para imaginá-los algum tempo depois, comentando o que sentiram! De repente, o primeiro dia da semana ultrapassou o sábado judaico! Ele está vivo! A morte foi vencida! O testemunho é maior dos que as notícias falsas espalhadas pelos que tramaram sua morte. Quando tudo parecia terminado, agora começou! “Eu vi o Senhor”, diz a apóstola dos apóstolos, Maria Madalena!

E a Igreja chega à Páscoa da Ressurreição! A noite é vencida pela luz que resplandece: “Eis a luz de Cristo!”. À luz desse lume que se espalha, a Igreja se recolhe, ouve as maravilhas da História da Salvação. Ressoa de novo o Aleluia – Louvai a Deus! Os sinos repicam e os corações exultam. De pé – posição de ressuscitado! – ouvimos o Evangelho da Ressurreição, o querigma que converte gerações! O Batismo celebrado na noite de Páscoa recebe os que renascem em Cristo e todo o povo num comum “aniversário de Batismo”, renova a fé e assume de novo seus compromissos cristãos. Enfim, recolhidos em torno do Altar, celebramos o verdadeiro Cordeiro Pascal. Alimentados na Eucaristia Pascal, são enviados os cristãos, portadores de vida, quais procissões que cantam aleluia, revestidos da novidade que brota da Ressurreição. Homens novos para um mundo novo. Santa e feliz Páscoa!

Por Dom Alberto Taveira

Quinta-feira Santa: O Dia da Intimidade

Extraído de CNBB.org.br

A quinta-feira santa é o dia do Cenáculo, o dia da intimidade, tal como a quis e viveu Jesus. A Igreja, na quinta-feira santa, retorna à mesa da última ceia e revive com emoção o gesto do lava-pés. Um gesto extraordinário e com uma mensagem cujo significado jamais se conseguirá esgotar. Vejam que coisa incrível: Jesus, o Verbo Encarnado, Deus presente no meio de nós, o Infinito, o Onipotente, simplesmente se ajoelha diante dos apóstolos e lava os pés deles. Somos chamados a fazer como ele, ou seja, em nossas vidas ter gestos de serviço mútuo tornando presente o amor de Jesus.

Ainda na quinta-feira santa a Igreja revive a emoção do dom do sacerdócio. Jesus escolhe homens, como seus apóstolos, e lhes convida a continuar a missão emprestando os olhos, a boca, os ouvidos, o coração, as mãos e os pés exercendo o pastoreio fazendo as vezes de Cristo o Pastor do meu rebanho. Um dom extraordinário o sacerdócio! E no sacerdócio o dom da Eucaristia: a última ceia que se atualiza. A ceia que se torna o alimento cotidiano da comunidade dos discípulos que esperam o retorno de Jesus. E enquanto espera o retorno de Jesus, celebra a presença de Cristo na Eucaristia: o pão dos peregrinos, o pão daqueles que caminham, o pão daqueles que têm muito que percorrer para alcançar a meta. E igualmente a quinta-feira santa é o dia do dom do grande mandamento: o mandamento do amor, o mandamento que nos diferencia, o mandamento que nos faz o povo da Nova Aliança. “Amai-vos como eu vos amei”, até o fim, até o gesto extremo de dar a vida. Portanto, a quinta-feira santa é o dia em que a Igreja deve continuamente reviver, continuamente revisitar para que possa ser Igreja.

A Eucaristia é o grande dom que Jesus nos deixou neste tempo de espera. é a presença de Jesus em nosso meio, a presença no gesto de amor. É preciso redescobrir e aprofundar e bem celebrar a eucaristia que deve ser preparada e, depois de celebrada, ser continuamente retomada para que, seja o centro de nossa vida. Conta-se que uma vez Edith Stein, ainda na penumbra da busca da fé, entrou por curiosidade artística em uma igreja de Colônia e ficou impressionada ao ver que algumas pessoas rezavam diante do sacrário. Diante do fato percebeu que algo a tocou, pois teve uma clara impressão de que aquelas pessoas estavam falando com Alguém. Vemos como seria muito importante recuperar certos gestos, aprofundar a nossa vida e celebração e, neste dia, em que celebramos a Páscoa da Ceia, preparando-nos para a Páscoa da Morte na Cruz e a Páscoa da Ressurreição renovemos a nossa ação de graças por todos os bens que recebemos do Senhor. Que a Eucaristia, fonte e o ápice de nossa vida cristã, encontre eco em nossa vida cotidiana e hoje se renove com generosidade.

Dom Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro