IR AO ENCONTRO DA OVELHA PERDIDA

Ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel. (Mt 10,6). Esta passagem é que move o agir da Pastoral Carcerária que vai ao encontro dos que estão perdidos e esquecidos pela sociedade que ainda não compreendeu que “não se é ruim por que se quer”, como diz Frei Ignácio Larrañaga. Pastoral Carcerária é acreditar num Deus misericordioso que não nos julga.  “Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.” (Mt 7,2)

A Pastoral Carcerária leva o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas privadas de liberdade e zela para que os direitos humanos e dignidade humana sejam garantidos no sistema prisional. “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes.” (Mt 9,12)

Em Sobral-Ce a Pastoral Carcerária trabalha juntamente com o Projeto São Dimas da Comunidade Católica Rainha da Paz. Além do engajamento destes membros, o espírito de solidariedade social também parte de alguns estudantes de Direito que contribuem para a alegria dos desprovidos de liberdade levando notícias de seus processos que são distribuídas nas varas do fórum e ao mesmo tempo os acadêmicos exercitam o aprendizado recebido. Não se esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo. A professora aposentada Socorro Tomás que ensina dança às presidiárias e o cirurgião vascular Dayan Siebra que dá palestra de coach na cadeia, também são provas que ao servir o maior beneficiado é quem serve com inteligência. E servir com inteligência é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro.

Nossa sociedade ainda não entendeu que: “O amor-próprio é cego e suicida: prefere a satisfação da vingança ao alívio do perdão. Mas loucura é odiar: é como armazenar veneno nas próprias entranhas. O rancoroso vive uma eterna agonia” (Frei Ignácio Larrañaga)

A maior parte dos casos de crimes é consequência da falta de Deus e esta falta leva a procurar uma alegria imediata, passageira, viciosa e destruidora: as drogas. “Ah se compreendêssemos! Não seria necessário perdoar. A compreensão é muito fácil de praticar do que o perdão, que exige exercícios contínuos e constantes, assim como tratar de uma ferida profunda que necessita de muitos curativos, para sarar.” Frei Ignácio Larrañaga.

Talvez, agora que você chegou até aqui nesta leitura, esteja refletindo a coragem destes voluntários, os beneficios do servir, a cura do perdão, a compreensão do outro, sobre a droga que está acabando com a vida de seu conhecido ou da pessoa que você ama, e acabe surgindo dentro de você, o MEDO. Medo é sofrimento. A bíblia também tem resposta pra este sentimento: No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no
amor.
(I São João 4,18)

É depois de tudo isso que quero levar você a refletir no sistema carcerário do Brasil, cadeias superlotadas; morosidade da justiça; tratamento desumano; ociosidade dos presos; a reincidência no crime; tratamento diferenciado com os colarinhos brancos e com isso a sociedade ficando presa dentro de suas próprias casas com altos muros, cerca elétrica, vigilantes, cães de guarda e mesmo assim perpetua o medo. Como sai caro o não compreender o outro! Como sai caro não ter politicas públicas! A eleição de nossos representantes está bem próxima. Depende de nós se queremos continuar assim, sofrendo.

Lembrai-vos dos encarcerados, como se vós mesmos estivésseis presos com eles. E dos maltratados, como se habitásseis no mesmo corpo com eles. (Hebreus 13,3)

Silvana Carneiro

(Coordenadora da Pastoral Carcerária de Sobral-CE)

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