Quinta-feira Santa: O Dia da Intimidade

Extraído de CNBB.org.br

A quinta-feira santa é o dia do Cenáculo, o dia da intimidade, tal como a quis e viveu Jesus. A Igreja, na quinta-feira santa, retorna à mesa da última ceia e revive com emoção o gesto do lava-pés. Um gesto extraordinário e com uma mensagem cujo significado jamais se conseguirá esgotar. Vejam que coisa incrível: Jesus, o Verbo Encarnado, Deus presente no meio de nós, o Infinito, o Onipotente, simplesmente se ajoelha diante dos apóstolos e lava os pés deles. Somos chamados a fazer como ele, ou seja, em nossas vidas ter gestos de serviço mútuo tornando presente o amor de Jesus.

Ainda na quinta-feira santa a Igreja revive a emoção do dom do sacerdócio. Jesus escolhe homens, como seus apóstolos, e lhes convida a continuar a missão emprestando os olhos, a boca, os ouvidos, o coração, as mãos e os pés exercendo o pastoreio fazendo as vezes de Cristo o Pastor do meu rebanho. Um dom extraordinário o sacerdócio! E no sacerdócio o dom da Eucaristia: a última ceia que se atualiza. A ceia que se torna o alimento cotidiano da comunidade dos discípulos que esperam o retorno de Jesus. E enquanto espera o retorno de Jesus, celebra a presença de Cristo na Eucaristia: o pão dos peregrinos, o pão daqueles que caminham, o pão daqueles que têm muito que percorrer para alcançar a meta. E igualmente a quinta-feira santa é o dia do dom do grande mandamento: o mandamento do amor, o mandamento que nos diferencia, o mandamento que nos faz o povo da Nova Aliança. “Amai-vos como eu vos amei”, até o fim, até o gesto extremo de dar a vida. Portanto, a quinta-feira santa é o dia em que a Igreja deve continuamente reviver, continuamente revisitar para que possa ser Igreja.

A Eucaristia é o grande dom que Jesus nos deixou neste tempo de espera. é a presença de Jesus em nosso meio, a presença no gesto de amor. É preciso redescobrir e aprofundar e bem celebrar a eucaristia que deve ser preparada e, depois de celebrada, ser continuamente retomada para que, seja o centro de nossa vida. Conta-se que uma vez Edith Stein, ainda na penumbra da busca da fé, entrou por curiosidade artística em uma igreja de Colônia e ficou impressionada ao ver que algumas pessoas rezavam diante do sacrário. Diante do fato percebeu que algo a tocou, pois teve uma clara impressão de que aquelas pessoas estavam falando com Alguém. Vemos como seria muito importante recuperar certos gestos, aprofundar a nossa vida e celebração e, neste dia, em que celebramos a Páscoa da Ceia, preparando-nos para a Páscoa da Morte na Cruz e a Páscoa da Ressurreição renovemos a nossa ação de graças por todos os bens que recebemos do Senhor. Que a Eucaristia, fonte e o ápice de nossa vida cristã, encontre eco em nossa vida cotidiana e hoje se renove com generosidade.

Dom Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro

Aprendendo a caminho de Emaús

Quantas vezes caminhamos ao lado do Senhor e não o reconhecemos.  Foi isso que aconteceu com os discípulos de Emaús. Estavam tão centrados em si mesmos, nas suas coisas e fatos que aconteceram que não perceberam que estavam com Jesus.

Isso, infelizmente, ainda acontece conosco.  Jesus está ao nosso lado, caminha conosco e não nos damos conta disso. Mas onde podemos reconhecer a presença de Jesus?  Quero ressaltar aqui três possibilidades.

A primeira é a Palavra. Por vezes, o contato que temos com a Palavra é tão frio, que ela não produz efeito em nossas vidas. Nós a escutamos na missa ou quando lemos algum trecho dela, mas somos como ouvintes distraídos. Enquadramo-nos naquela categoria que S. Tiago chama de ‘meros ouvintes’.  Porém, os discípulos de Emaús confessaram depois que sentiam arder seus corações enquanto Ele lhes falava. Peçamos ao Senhor essa graça. Sentir arder o coração é deixar que ela, a Palavra, entre pelos nossos ouvidos, chegue ao coração e se transforme em vida.

A segunda é a Eucaristia. Eles O reconheceram no partir do pão. O pão eucarístico é o Corpo de Cristo. É Ele mesmo! Ele está conosco conforme prometera! Para ser nosso alimento e sustento. Se estivermos sem forças, caídos, levantemo-nos e comamos deste pão sagrado que nos restaurará as forças para continuarmos o caminho; que nos curará as feridas e nos sustentará nas lutas.

A terceira é no irmão. Somos convidados a amar a Deus no irmão. Esse é o “termômetro” que medirá a veracidade do nosso amor para com Deus. Se dizemos que amamos a Deus e não amamos nosso irmão, somos mentirosos, diz a Palavra. Portanto, amemo-nos uns aos outros sem medo. Reconhecendo em cada irmão a presença  de Jesus.

 

Tupy Ponte
Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz