Sábado Santo ou Sábado de Aleluia?

Se tornou hábito chamar o Sábado Santo de Sábado de Aleluia, mas não é tão correto o chamá-lo assim, o certo é chamá-lo mesmo de Sábado Santo ou Sábado do Silêncio, pois durante o dia, Cristo ainda está morto no túmulo, então por isso não se deve cantar aleluia.

Durante o dia, as igrejas permanecem fechadas e não há celebração de sacramento algum. E alguns lugares a igreja permanece aberta, com a imagem de Nosso Senhor Morto exposta para a veneração dos fiéis e em alguns outros lugares por tradição histórica, durante o dia é rezado o “Ofício de Trevas”, e este ofício não é a Santa Missa. E também durante o sábado, os altares continuam desnudos como na sexta feira santa e as sacras imagens continuam envoltas em um paramento roxo (onde é tradição fazer isto). Também não pode adorar o Santíssimo Sacramento durante este dia.

Ao pôr do sol do sábado santo, é celebrada a Vigília Pascal da Ressurreição Senhor. Esta Vigília pode começar a ser celebrada a partir das 18:00 horas, mas o horário pode variar de local para local e esta pode-se iniciar até as 23:00 horas, mas ela nunca pode começar antes do sol se pôr. Ela é dividida em 04 partes principais. A benção do Fogo novo: Onde o círio pascal é abençoado e aceso e em seguida é cantado o “Exulte”, proclamando a ressurreição de Cristo. A rica Liturgia da Palavra: Composta de 09 leituras do AT e 01 leitura do NT e o Santo Evangelho (entre uma leitura e outra, é cantado um Salmo Responsorial). A Liturgia Batismal: Nesta liturgia é água do batismo é abençoada e as promessas do batismo são renovadas; se tiver alguma pessoa a ser batizada, ela é batizada naquele momento e se por acaso não houver, somente há a aspersão da água sobre a assembleia presente. A última parte é a Liturgia Eucarística, ou seja, a Santa Missa em si.

Onde é tradição, se realiza ainda na madrugada logo após a Vigília, a Procissão da Ressurreição com o Santíssimo Sacramento. Em alguns lugares, por tradição histórica também, a Procissão da Ressurreição é realizada no Domingo de Páscoa pela manhã e em algumas cidades, esta procissão segue o mesmo estilo da Procissão de Corpus Christi, com a ornamentação das ruas. A cor litúrgica da Vigília Pascal, é o branco ou dourado, lembrando a gloriosa ressurreição de Cristo. Santo Agostinho lembra, que a Vigília Pascal é a mãe de todas as outras vigílias. Lembrando que, a Vigília Pascal tem que se iniciar sempre após o pôr do sol do sábado, nunca antes e tem que terminar antes do amanhecer do Domingo de Páscoa.

Jeová Junior

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

Quinta-feira Santa: O Dia da Intimidade

Extraído de CNBB.org.br

A quinta-feira santa é o dia do Cenáculo, o dia da intimidade, tal como a quis e viveu Jesus. A Igreja, na quinta-feira santa, retorna à mesa da última ceia e revive com emoção o gesto do lava-pés. Um gesto extraordinário e com uma mensagem cujo significado jamais se conseguirá esgotar. Vejam que coisa incrível: Jesus, o Verbo Encarnado, Deus presente no meio de nós, o Infinito, o Onipotente, simplesmente se ajoelha diante dos apóstolos e lava os pés deles. Somos chamados a fazer como ele, ou seja, em nossas vidas ter gestos de serviço mútuo tornando presente o amor de Jesus.

Ainda na quinta-feira santa a Igreja revive a emoção do dom do sacerdócio. Jesus escolhe homens, como seus apóstolos, e lhes convida a continuar a missão emprestando os olhos, a boca, os ouvidos, o coração, as mãos e os pés exercendo o pastoreio fazendo as vezes de Cristo o Pastor do meu rebanho. Um dom extraordinário o sacerdócio! E no sacerdócio o dom da Eucaristia: a última ceia que se atualiza. A ceia que se torna o alimento cotidiano da comunidade dos discípulos que esperam o retorno de Jesus. E enquanto espera o retorno de Jesus, celebra a presença de Cristo na Eucaristia: o pão dos peregrinos, o pão daqueles que caminham, o pão daqueles que têm muito que percorrer para alcançar a meta. E igualmente a quinta-feira santa é o dia do dom do grande mandamento: o mandamento do amor, o mandamento que nos diferencia, o mandamento que nos faz o povo da Nova Aliança. “Amai-vos como eu vos amei”, até o fim, até o gesto extremo de dar a vida. Portanto, a quinta-feira santa é o dia em que a Igreja deve continuamente reviver, continuamente revisitar para que possa ser Igreja.

A Eucaristia é o grande dom que Jesus nos deixou neste tempo de espera. é a presença de Jesus em nosso meio, a presença no gesto de amor. É preciso redescobrir e aprofundar e bem celebrar a eucaristia que deve ser preparada e, depois de celebrada, ser continuamente retomada para que, seja o centro de nossa vida. Conta-se que uma vez Edith Stein, ainda na penumbra da busca da fé, entrou por curiosidade artística em uma igreja de Colônia e ficou impressionada ao ver que algumas pessoas rezavam diante do sacrário. Diante do fato percebeu que algo a tocou, pois teve uma clara impressão de que aquelas pessoas estavam falando com Alguém. Vemos como seria muito importante recuperar certos gestos, aprofundar a nossa vida e celebração e, neste dia, em que celebramos a Páscoa da Ceia, preparando-nos para a Páscoa da Morte na Cruz e a Páscoa da Ressurreição renovemos a nossa ação de graças por todos os bens que recebemos do Senhor. Que a Eucaristia, fonte e o ápice de nossa vida cristã, encontre eco em nossa vida cotidiana e hoje se renove com generosidade.

Dom Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro