Meu passado me condena, meu presente me liberta

Quem nunca ouviu ser lançado sobre você essa expressão: “Teu passado te condena”? E o pior de tudo é que muitas vezes acreditamos nesse tipo de argumento. Dar crédito a isto é viver condenado pelo passado. É como se não tivesse mais jeito e precisássemos carregar a culpa pelos erros do passado para o resto da vida.

Precisamos mudar a nossa forma de olhar para a vida, dando suma importância para o “hoje”. Não podemos ficar na prisão do passado (nem vislumbrar um futuro que nunca chega). Se houveram erros no passado, não importa. O que mais conta é a minha atitude hoje. Claro que não posso continuar vivendo as mesmas roubadas de “trocentos” anos atrás e não mudar em nada. Nem pensar que porque errei ontem, hoje não tem mais jeito de mudar. E muito menos pensar que o meu passado determina o meu presente. Cada novo dia exige uma nova decisão. Basta que eu acolha a novidade e a liberdade do “hoje” que Deus me dá. É preciso deixar as algemas do passado ruim para vivermos a liberdade do tempo presente. Se o teu passado te condena, tenha a coragem de dizer: O meu presente me liberta!

Thiago de Oliveira Lopes

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

 

 

Nosso Chamado é um mistério de Deus

Muitas vezes nos deparamos com nosso chamado e nossa vocação e nos perguntamos? Por que eu? Será que Deus me chamou de fato? Essas perguntas provém de um grande erro, pois elas vem da visão limitada que temos de Deus e de nós mesmos. Nosso chamado se torna mistério porque não pode ser compreendido com a lógica humana, já que, só pode ser compreendido de forma sobrenatural.

Nestes dias tenho me deparado com um belo texto que ilumina bastante o mistério de nosso chamado “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). É preciso saber que Deus nos chamou não por causa de nossos méritos, mas unicamente por causa de sua misericórdia que é eterna. A segurança de nosso chamado reside na certeza que devemos trazer em nós do seu infinito amor: “Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31, 3). “Desde o seio materno Deus me chamou” (Is 49, 1). Esta é a nossa vantagem: saber que fomos chamados e escolhidos por amor.

Estamos celebrando 23 anos de fundação da Comunidade Católica Rainha da Paz e acredito que é este um tempo propício para cantarmos a nossa infinita gratidão a Deus, porque eterna é a sua misericórdia (Sl 100,5). Devemos fazer isso com nosso coração cheio de grande humildade e reconhecimento, pois “Ele ergue o fraco da poeira e tira o indigente do lixo, fazendo-o sentar-se com os nobres, ao lado dos nobres do seu povo” (Sl 113, 7-8).

Portanto, nos resta, correspondermos o chamado que provém do infinito amor de Deus por nós, para que cada vez mais, possamos celebrar esse mistério que nos atingiu e alcançou.

 

 Antônio Barbosa de Castro (Tony)

Co-fundador da Comunidade Católica Rainha da Paz

O Vaso nas mãos do Oleiro

Palavra do Senhor a Jeremias: “Vem, desce até a casa do oleiro, que ali te farei ouvir minha Palavra”. Desci até a casa do oleiro e lá ele estava executando um trabalho na roda. O vaso que o oleiro fabricava de barro se estragou em sua mão. Ele fez um outro objeto conforme lhe pareceu mais conveniente. (Jer 18, 1-4).

É bonito ver o trabalho do oleiro. A paciência com que ele trabalha cada detalhe do vaso, a dedicação e a atenção. Todo oleiro sempre consegue visualizar o vaso que criará, ele não precisa já estar pronto. Cada vaso é sonhado, planejado para então ser executado.

Deus em sua imensa sabedoria nos compara com o vaso nas mãos do Grande Oleiro apaixonado pela obra de suas mãos. Ele mesmo é esse Oleiro que não quer perder nenhuma de suas obras, mesmo que esta esteja trincada, quebrada, feito cacos e até mesmo pó. Não importa se o barro já se tornou impuro, Deus retoma sua obra em suas mãos e a recria.

Para compreendermos melhor é necessário que conheçamos passo a passo a gestação de um vaso. Desde a escolha do seu barro até o êxtase do seu criador diante de sua obra:

1º. O oleiro escolhe o barro que será o seu vaso. Esse barro é extraído do seu local de origem e é estendido num pátio. Tira-se as impurezas, como raízes, galhos, pedras, pedaços de pau ou capins. Com uma enxada, formam-se regos para que seque bem. Depois são hidratados e separados em paralelepípedos que não endurecem. Então são levados para a roda para serem trabalhados.

2° O barro é colocado sobre a roda para modelar. Enquanto modela o vaso, rega-o várias vezes, para que o barro se torne maleável e facilite o trabalho. O oleiro procura fazer o vaso mais bonito, nem que para isso tenha que quebrá-lo várias vezes. Quantas vezes você deixou-se vencer, domar, amansar pelo Senhor? Foi o que aconteceu com o vaso do trecho bíblico citado. Quando o barro se estraga nas mãos do oleiro, ele não o joga fora. Deus nunca joga fora a obra de suas mãos!

Mas com os vasos que se quebraram, o que faz o oleiro?

Um vaso é feito para um propósito. Vaso quebrado não cumpre o seu papel. Um vaso quebrado não pode tornar-se novo por si só. O mais importante: É melhor quebrar-se nas mãos do oleiro, do que nas mãos do inimigo. O oleiro cria e recria. O inimigo usa, destrói e joga fora!

O processo usado com os vasos que se deformam ou quebram, são quase semelhantes ao de um vaso que está nas mãos do oleiro pela primeira vez, porém mais cheio de detalhes. Deus não faz reparos em vasos velhos. Ele faz um novo! Para isso, não dispensará etapas!

 

1º O vaso é totalmente quebrado, regado e colocado em repouso para criar liga (é o tempo do silêncio de Deus).

2º É prensado para retirar as impurezas. É nessa etapa que Deus faz nascer na alma a humildade.

3º O barro é colocado sobre a roda para ser modelado. O vaso não tem vontade própria e o oleiro é autônomo, dará ao vaso a forma que lhe parecer melhor.

4º Enquanto modela o vaso rega-o vez em quando com água. Para o homem, a Água do Espírito Santo!

5º – Com precisão rasga o barro abrindo espaço no seu interior para trabalhar o vaso conforme o sonho do seu coração. É preciso rasgar o coração diante de Deus, deixar que Ele nos abra ao meio e nos dê a sua medida. A profundidade que precisamos ter.

6º- Depois de modelado o vaso fica em repouso por alguns dias, preparando-se para enfrentar o calor do fogo que o tornará forte e consistente. O fogo tempera o vaso, leva-o ao seu limite de resistência, permeia cada fibra. Somente o vaso que suporta o calor do fogo está preparado para cumprir sua tarefa. Quanto mais vezes o vaso se quebra nas mãos do oleiro, mais puro será, porque passará mais vezes ainda pela água e pelo fogo. Será um vaso puríssimo, nobre! Os vasos que mais passaram pelas mãos do oleiro são os mais caros!

7º- Após ser retirado do fogo, o vaso é provado. Passa por um teste de resistência: O oleiro dá-lhe um peteleco. O som emitido é a prova. Se o som é chocho, voltará ao forno, porque ainda não está pronto, mas se ele “cantar”, é porque está pronto para seguir o seu destino. O Divino Oleiro enche-o com o óleo do seu Santo Espírito.

É um trabalho maravilhoso! É assim que Deus age conosco quando nos deixamos moldar por suas mãos. Desçamos até a Casa do Oleiro! O que isso significa para você?

O profeta desce até a casa do oleiro para aprender com ele. O vaso desce até a casa do

oleiro porque se reconhece quebrado, trincado, precisando ser renovado.

Descer: Trazer para baixo, diminuir-se, abaixar-se, humilhar-se!

Roguemos ao Senhor que neste tempo de reflexão (Quaresma), possamos rasgar o nosso coração diante de Deus, reconhecendo que só em suas mãos seremos vasos novos, nem que para isso Ele tenha que nos quebrar, molhar, rasgar, pôr no fogo e testar o nosso som dando-nos “petelecos” (pancadas com a ponta do dedo médio, firmada para dar golpes)!

Adelaide Santos

Viajantes que esquecem sua meta   

Li uma história em que um escritor famoso viajava num trem quando o fiscal lhe pede a passagem. O escritor a procura nos bolsos, mas não o encontra. O fiscal vendo a aflição do homem diz-lhe que está tudo bem, reconhecendo o célebre escritor. “Está bem para você, jovem, – replica o escritor – mas, para mim, como faço agora para saber para onde estou sendo levado?”. A situação do escritor é a mesma que muitos de nós experimentamos. Passamos pelos dias, desinteressados de nos preocupar com o fim último e o porquê da nossa existência. Em nossos dias, perguntamos como: “Que sentido nos faz continuar a correr?”, “O que realmente merece ser tratado como prioridade?”, “Para mim que valor tem a morte?”, estão cada vez mais distantes dos nossos pensamentos. 


Poderíamos dizer que cada vez mais as pessoas são, hoje, “como viajantes que esquecem sua meta”. Se nasce porque  se nasce, se sorri porque se sorri, se chora porque se chora, se morre porque se morre. E tudo acaba ali, em um viver inconcebível e superficial. “Ninguém está mais perdido do que aquele que não sabe onde se encontra: não sabe de onde vem nem para onde vai” (Sta. Faustina) 

 

Você sabe onde se encontra? Sabe de onde vem? Para onde vai? Que representa a morte para você? A morte não é o fim. É só passagem, a porta para uma experiência muito mais intensa com o Amor de Deus. Gosto da seguinte comparação: o bebê quando está na barriga da mãe considera este o melhor lugar para estar. Passar pela estreita porta do nascimento lhe causa dor. Ele chora, mas depois que está nos braços da mãe amamentado por ela e contemplando o seu rosto, seu último pensamento seria o de retornar à barriga da mãe. Assim também nós consideramos esta vida o melhor lugar para estar. Como essa vida é maravilhosa! Que maravilha esse mundo que Deus criou! Passar pela porta estreita da morte nos causa dor. Choramos. Choram os que nos amam. Mas depois que estivermos nos braços de Deus, vivendo com plenitude a amizade iniciada nesta vida, contemplando o Seu rosto, nosso último pensamento será o de retornar para a vida terrena. A experiência com o Amor de Deus nesta vida é o segredo para perdermos o medo da morte. Peça agora a graça de viver essa amizade com Deus. Ele te ama. Deseja que você O encontre. 

 

A amizade iniciada nesta vida cheia de limitações será plena na vida eterna. A voz de Deus será ouvida claramente. O seu rosto será visto plenamente. Poderemos dizer: “Sua voz é cheia de doçura, tudo nele é encanto. Assim é o meu Amado, assim é o meu Amigo.” (Ct 5,16) 

 

Tásia Maria Montenegro Santiago 

Fundadora da Comunidade Católica Rainha da Paz 

TEMPO, UM DOM PRA FAZER RENDER.

Sem dúvida todos já ouvimos a famosa expressão: “o tempo passa voando!”. Temos a sensação de que, por mais que se corra para dar conta de fazer tudo o que se tem para fazer, ainda assim, não dá tempo.  Alguns até lamentam-se do dia não ter mais de 24 horas… O ponteiro continua no seu compassado e “impiedoso” ritmo, onde o tempo por ninguém espera.

Surge então uma pergunta óbvia: “Como temos gasto nosso tempo? Como tenho vivido este breve espaço de tempo chamado vida?” Geralmente temos dificuldade de perceber o que é, de fato, essencial para nós. Imaginemos que alguém ouça do seu médico que sua vida durará, no máximo, dois meses. Com o que você acha que ele vai gastar o tempo dele? Provavelmente irá ficar mais tempo com aqueles que ele ama, não irá carregar mágoas dos outros, pois sabe que lhe resta pouco tempo; fará uma sincera retrospectiva de sua vida e de seus atos para se desculpar com aqueles que magoou e perdoar aqueles que lhe magoaram. Guardará, no seu dia, um tempo muito especial dedicado ao Senhor, pois deseja que Ele lhe encontre o mais preparado possível. Isso pra dizer que essa pessoa buscará ficar com o que é essencial para sua vida, não ficará no que é efêmero.

Longe de uma visão pessimista o que desejo mostrar é que corremos atrás e gastamos muitas forças com coisas que logo passarão. No fim de nossas vidas olharemos para trás e a única coisa que poderemos é constatar o como gastamos nosso tempo. E isso é vital para definir nossa eternidade. Quem deseja ir para o céu tem que começar a caminhar já aqui nesta vida sendo um cidadão do céu com os pés no chão de nossa realidade. Buscando amar a Deus e aos outros com um amor efetivo e usando bem o preciso dom que é o tempo.

Como amar com o amor de Deus

Eu sempre me perguntei como era possível amar com o Amor de Deus, pois

no meu entendimento qualquer atitude de

amor que tenhamos, por mais que nos custe, é esforço nosso. Então semp

re perguntava a Deus o que Ele queria dizer

quando através de pregadores ou da oração me pedia pra amar com o Seu amor. E

sempre lhe pedia o entendimento

desta questã

o.

Com o passar do tempo fui entendendo o quanto nosso amor é limitado e o

quanto somos incapazes de amar o nosso

irmã

o.

E ao descobrir essa miséria, comum a todo ser humano, tive a graça de

compreender o que é

͞

Amar com o Amor

de Deus

͟

: é fazer aquilo que por nós mesmos não faríamos, mas que o Senhor estand

o em nosso lugar faria.

É muito difícil para nós, nos darmos ou nos sacrificarmos por Deus e p

elo próximo, mas é

pr

óprio de Jesus se dar e se

sacrificar por mim e por você, logo, amar com o Amor de Deus é amar com

o Jesus amou, é nas várias situações de nossa

vida que exigem de nós o Amor, fazermos não o que queremos, mas o que

o Senhor faria.

Tenhamos a coragem de amarmos verdadeiramente, amar da forma mais plena, amar com o Amor

de Deus!

͞

Amar como Jesus amou

Sonhar como Jesus sonhou

Pensar como Jesus pensou

Viver como Jesus viveu

Sentir o que Jesus sentia

Sorrir como Jesus sorria

E ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz

͟

Francisco Edson do Carmo Filho

Discípulo da Comunidade Católica Rainha da Paz

A humildade é o fruto que só pode ser colhido na árvore da humilhação

Em sua Palavra o Senhor Deus nos diz que ͞Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores manjares da terra…͟ (Is 15, 19) Docilidade e obediência. Essas são as duas atitudes de Jesus diante da vontade do Pai. Essas duas atitudes também foram encontradas em Maria, Mãe de Jesus. Docilidade e obediência são atitudes que o Senhor espera encontrar em nós e que de nossa parte devem ser cultivadas sempre. Devemos ser dóceis e obedientes, não por causa dos manjares nem por medo do castigo, mas por amor a Deus que é sempre amor. Essas duas atitudes servem para nós como cura e remédio, principalmente, contra o grande mal que assola a humanidade: o orgulho. Jesus no Evangelho nos diz que: ͞Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado͟ (Mt 23, 12). Portanto, para se cultivar a docilidade e obediência necessitamos da virtude da humildade. Ela é a capacidade que Jesus nos oferece para sermos agradáveis a Deus. Certa vez dizia-me o Senhor em oração: ͞A humildade é o fruto que só pode ser colhido na árvore da humilhação͟. Queremos ser humildes, mas não admitimos ser humilhados, portanto, se estivermos dispostos a fazer a vontade de Deus que nos pede docilidade e obediência, precisamos estar abertos à humildade. Mas lembremo-nos, sejamos dóceis, obedientes e humildes, não por medo, mas por amor àqueles que sempre foram dóceis, obedientes e humildes: Jesus e Maria.

MERECER OU NÃO MERECER? ESSA NÃO É A QUESTÃO!

Vejamos que interessante perceber o que aconteceu com aquele irmão mais velho da parábola do filho pródigo no Evangelho. As atitudes dele e como ele reagiu à volta do seu irmão para casa do pai. A primeira atitude é que parece que ele desconhece completamente o coração misericordioso de seu pai. Ele não teve a capacidade de alegrar-se com seu irmão que voltara. Zangado, ele dizia ao pai que sempre estivera com ele e que não era como seu irmão que saíra de casa esbanjando seus bens. No entanto, esse ͞estar com ele͟ não significava comunhão, partilha de vida e intimidade com seu pai. As atitudes dele não se assemelhavam às do seu pai. Será que nós não nos assemelhamos com esse irmão mais velho da parábola quando vemos como Deus agiu com outra pessoa, como ele demonstrou misericórdia com ela e nós, com nossa mentalidade legalista e ͞meritocrática͟, achamos que não devia ser assim? Que a pessoa merecia mesmo era uma punição, um castigo. O irmão mais velho achava que se o outro havia pecado, merecia castigo e não festa. Enquanto ele, que nunca saíra de casa, é que mereceriareconhecimento e festa. Porém, desconhecia a gratuidade do amor misericordioso. É justamente assim que Deus nos ama. Todos queremos que Deus use de misericórdia conosco mesmo diante de nossos piores pecados, mas temos dificuldade de aceitar que Deus faça o mesmo com outros que também erram. A ideia de que se sou ͞bonzinho͟ mereço misericórdia e se não sou ͞bonzinho͟ e erro mereço castigo, não se coaduna com o nosso Deus que é pleno em misericórdia. Era essa atitude de Jesus que os fariseus não conseguiam entender. Deus não nos ama porque merecemos! O fascinante desafio do cristianismo não é amar o que é amável, é amar o não amável. Se o filho mais velho tivesse os mesmos sentimentos de seu pai, ele, assim que soubesse que seu irmão havia chegado, correria para dentro de casa e cheio de alegria, abraçaria seu irmão. Festejaria o seu retorno. O desafio de hoje é alegrar-se em acolher os que não merecem. Recebê-los com um abraço fraterno, ir ao encontro deles e, pondo neles anel, sandálias e roupas novas, agir como o Pai agiu conosco quando fizemos o papel do filho pródigo que voltava arrependido e foi recebido com festa.

Sábado Santo ou Sábado de Aleluia?

Se tornou hábito chamar o Sábado Santo de Sábado de Aleluia, mas não é tão correto o chamá-lo assim, o certo é chamá-lo mesmo de Sábado Santo ou Sábado do Silêncio, pois durante o dia, Cristo ainda está morto no túmulo, então por isso não se deve cantar aleluia.

Durante o dia, as igrejas permanecem fechadas e não há celebração de sacramento algum. E alguns lugares a igreja permanece aberta, com a imagem de Nosso Senhor Morto exposta para a veneração dos fiéis e em alguns outros lugares por tradição histórica, durante o dia é rezado o “Ofício de Trevas”, e este ofício não é a Santa Missa. E também durante o sábado, os altares continuam desnudos como na sexta feira santa e as sacras imagens continuam envoltas em um paramento roxo (onde é tradição fazer isto). Também não pode adorar o Santíssimo Sacramento durante este dia.

Ao pôr do sol do sábado santo, é celebrada a Vigília Pascal da Ressurreição Senhor. Esta Vigília pode começar a ser celebrada a partir das 18:00 horas, mas o horário pode variar de local para local e esta pode-se iniciar até as 23:00 horas, mas ela nunca pode começar antes do sol se pôr. Ela é dividida em 04 partes principais. A benção do Fogo novo: Onde o círio pascal é abençoado e aceso e em seguida é cantado o “Exulte”, proclamando a ressurreição de Cristo. A rica Liturgia da Palavra: Composta de 09 leituras do AT e 01 leitura do NT e o Santo Evangelho (entre uma leitura e outra, é cantado um Salmo Responsorial). A Liturgia Batismal: Nesta liturgia é água do batismo é abençoada e as promessas do batismo são renovadas; se tiver alguma pessoa a ser batizada, ela é batizada naquele momento e se por acaso não houver, somente há a aspersão da água sobre a assembleia presente. A última parte é a Liturgia Eucarística, ou seja, a Santa Missa em si.

Onde é tradição, se realiza ainda na madrugada logo após a Vigília, a Procissão da Ressurreição com o Santíssimo Sacramento. Em alguns lugares, por tradição histórica também, a Procissão da Ressurreição é realizada no Domingo de Páscoa pela manhã e em algumas cidades, esta procissão segue o mesmo estilo da Procissão de Corpus Christi, com a ornamentação das ruas. A cor litúrgica da Vigília Pascal, é o branco ou dourado, lembrando a gloriosa ressurreição de Cristo. Santo Agostinho lembra, que a Vigília Pascal é a mãe de todas as outras vigílias. Lembrando que, a Vigília Pascal tem que se iniciar sempre após o pôr do sol do sábado, nunca antes e tem que terminar antes do amanhecer do Domingo de Páscoa.

Jeová Junior

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

Quinta-feira Santa: O Dia da Intimidade

Extraído de CNBB.org.br

A quinta-feira santa é o dia do Cenáculo, o dia da intimidade, tal como a quis e viveu Jesus. A Igreja, na quinta-feira santa, retorna à mesa da última ceia e revive com emoção o gesto do lava-pés. Um gesto extraordinário e com uma mensagem cujo significado jamais se conseguirá esgotar. Vejam que coisa incrível: Jesus, o Verbo Encarnado, Deus presente no meio de nós, o Infinito, o Onipotente, simplesmente se ajoelha diante dos apóstolos e lava os pés deles. Somos chamados a fazer como ele, ou seja, em nossas vidas ter gestos de serviço mútuo tornando presente o amor de Jesus.

Ainda na quinta-feira santa a Igreja revive a emoção do dom do sacerdócio. Jesus escolhe homens, como seus apóstolos, e lhes convida a continuar a missão emprestando os olhos, a boca, os ouvidos, o coração, as mãos e os pés exercendo o pastoreio fazendo as vezes de Cristo o Pastor do meu rebanho. Um dom extraordinário o sacerdócio! E no sacerdócio o dom da Eucaristia: a última ceia que se atualiza. A ceia que se torna o alimento cotidiano da comunidade dos discípulos que esperam o retorno de Jesus. E enquanto espera o retorno de Jesus, celebra a presença de Cristo na Eucaristia: o pão dos peregrinos, o pão daqueles que caminham, o pão daqueles que têm muito que percorrer para alcançar a meta. E igualmente a quinta-feira santa é o dia do dom do grande mandamento: o mandamento do amor, o mandamento que nos diferencia, o mandamento que nos faz o povo da Nova Aliança. “Amai-vos como eu vos amei”, até o fim, até o gesto extremo de dar a vida. Portanto, a quinta-feira santa é o dia em que a Igreja deve continuamente reviver, continuamente revisitar para que possa ser Igreja.

A Eucaristia é o grande dom que Jesus nos deixou neste tempo de espera. é a presença de Jesus em nosso meio, a presença no gesto de amor. É preciso redescobrir e aprofundar e bem celebrar a eucaristia que deve ser preparada e, depois de celebrada, ser continuamente retomada para que, seja o centro de nossa vida. Conta-se que uma vez Edith Stein, ainda na penumbra da busca da fé, entrou por curiosidade artística em uma igreja de Colônia e ficou impressionada ao ver que algumas pessoas rezavam diante do sacrário. Diante do fato percebeu que algo a tocou, pois teve uma clara impressão de que aquelas pessoas estavam falando com Alguém. Vemos como seria muito importante recuperar certos gestos, aprofundar a nossa vida e celebração e, neste dia, em que celebramos a Páscoa da Ceia, preparando-nos para a Páscoa da Morte na Cruz e a Páscoa da Ressurreição renovemos a nossa ação de graças por todos os bens que recebemos do Senhor. Que a Eucaristia, fonte e o ápice de nossa vida cristã, encontre eco em nossa vida cotidiana e hoje se renove com generosidade.

Dom Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro