Viajantes que esquecem sua meta   

Li uma história em que um escritor famoso viajava num trem quando o fiscal lhe pede a passagem. O escritor a procura nos bolsos, mas não o encontra. O fiscal vendo a aflição do homem diz-lhe que está tudo bem, reconhecendo o célebre escritor. “Está bem para você, jovem, – replica o escritor – mas, para mim, como faço agora para saber para onde estou sendo levado?”. A situação do escritor é a mesma que muitos de nós experimentamos. Passamos pelos dias, desinteressados de nos preocupar com o fim último e o porquê da nossa existência. Em nossos dias, perguntamos como: “Que sentido nos faz continuar a correr?”, “O que realmente merece ser tratado como prioridade?”, “Para mim que valor tem a morte?”, estão cada vez mais distantes dos nossos pensamentos. 


Poderíamos dizer que cada vez mais as pessoas são, hoje, “como viajantes que esquecem sua meta”. Se nasce porque  se nasce, se sorri porque se sorri, se chora porque se chora, se morre porque se morre. E tudo acaba ali, em um viver inconcebível e superficial. “Ninguém está mais perdido do que aquele que não sabe onde se encontra: não sabe de onde vem nem para onde vai” (Sta. Faustina) 

 

Você sabe onde se encontra? Sabe de onde vem? Para onde vai? Que representa a morte para você? A morte não é o fim. É só passagem, a porta para uma experiência muito mais intensa com o Amor de Deus. Gosto da seguinte comparação: o bebê quando está na barriga da mãe considera este o melhor lugar para estar. Passar pela estreita porta do nascimento lhe causa dor. Ele chora, mas depois que está nos braços da mãe amamentado por ela e contemplando o seu rosto, seu último pensamento seria o de retornar à barriga da mãe. Assim também nós consideramos esta vida o melhor lugar para estar. Como essa vida é maravilhosa! Que maravilha esse mundo que Deus criou! Passar pela porta estreita da morte nos causa dor. Choramos. Choram os que nos amam. Mas depois que estivermos nos braços de Deus, vivendo com plenitude a amizade iniciada nesta vida, contemplando o Seu rosto, nosso último pensamento será o de retornar para a vida terrena. A experiência com o Amor de Deus nesta vida é o segredo para perdermos o medo da morte. Peça agora a graça de viver essa amizade com Deus. Ele te ama. Deseja que você O encontre. 

 

A amizade iniciada nesta vida cheia de limitações será plena na vida eterna. A voz de Deus será ouvida claramente. O seu rosto será visto plenamente. Poderemos dizer: “Sua voz é cheia de doçura, tudo nele é encanto. Assim é o meu Amado, assim é o meu Amigo.” (Ct 5,16) 

 

Tásia Maria Montenegro Santiago 

Fundadora da Comunidade Católica Rainha da Paz 

TEMPO, UM DOM PRA FAZER RENDER.

Sem dúvida todos já ouvimos a famosa expressão: “o tempo passa voando!”. Temos a sensação de que, por mais que se corra para dar conta de fazer tudo o que se tem para fazer, ainda assim, não dá tempo.  Alguns até lamentam-se do dia não ter mais de 24 horas… O ponteiro continua no seu compassado e “impiedoso” ritmo, onde o tempo por ninguém espera.

Surge então uma pergunta óbvia: “Como temos gasto nosso tempo? Como tenho vivido este breve espaço de tempo chamado vida?” Geralmente temos dificuldade de perceber o que é, de fato, essencial para nós. Imaginemos que alguém ouça do seu médico que sua vida durará, no máximo, dois meses. Com o que você acha que ele vai gastar o tempo dele? Provavelmente irá ficar mais tempo com aqueles que ele ama, não irá carregar mágoas dos outros, pois sabe que lhe resta pouco tempo; fará uma sincera retrospectiva de sua vida e de seus atos para se desculpar com aqueles que magoou e perdoar aqueles que lhe magoaram. Guardará, no seu dia, um tempo muito especial dedicado ao Senhor, pois deseja que Ele lhe encontre o mais preparado possível. Isso pra dizer que essa pessoa buscará ficar com o que é essencial para sua vida, não ficará no que é efêmero.

Longe de uma visão pessimista o que desejo mostrar é que corremos atrás e gastamos muitas forças com coisas que logo passarão. No fim de nossas vidas olharemos para trás e a única coisa que poderemos é constatar o como gastamos nosso tempo. E isso é vital para definir nossa eternidade. Quem deseja ir para o céu tem que começar a caminhar já aqui nesta vida sendo um cidadão do céu com os pés no chão de nossa realidade. Buscando amar a Deus e aos outros com um amor efetivo e usando bem o preciso dom que é o tempo.

Como amar com o amor de Deus

Eu sempre me perguntei como era possível amar com o Amor de Deus, pois

no meu entendimento qualquer atitude de

amor que tenhamos, por mais que nos custe, é esforço nosso. Então semp

re perguntava a Deus o que Ele queria dizer

quando através de pregadores ou da oração me pedia pra amar com o Seu amor. E

sempre lhe pedia o entendimento

desta questã

o.

Com o passar do tempo fui entendendo o quanto nosso amor é limitado e o

quanto somos incapazes de amar o nosso

irmã

o.

E ao descobrir essa miséria, comum a todo ser humano, tive a graça de

compreender o que é

͞

Amar com o Amor

de Deus

͟

: é fazer aquilo que por nós mesmos não faríamos, mas que o Senhor estand

o em nosso lugar faria.

É muito difícil para nós, nos darmos ou nos sacrificarmos por Deus e p

elo próximo, mas é

pr

óprio de Jesus se dar e se

sacrificar por mim e por você, logo, amar com o Amor de Deus é amar com

o Jesus amou, é nas várias situações de nossa

vida que exigem de nós o Amor, fazermos não o que queremos, mas o que

o Senhor faria.

Tenhamos a coragem de amarmos verdadeiramente, amar da forma mais plena, amar com o Amor

de Deus!

͞

Amar como Jesus amou

Sonhar como Jesus sonhou

Pensar como Jesus pensou

Viver como Jesus viveu

Sentir o que Jesus sentia

Sorrir como Jesus sorria

E ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz

͟

Francisco Edson do Carmo Filho

Discípulo da Comunidade Católica Rainha da Paz

“Eu darei a minha vida por Ti!”

Foi essa frase que Pedro disse tão cheio de segurança para Jesus. Achava que nunca iria deixá-Lo e iria segui-Lo em qualquer circunstância. Não tinha se deparado ainda tão claramente com suas inconsistências e fraquezas. Neste momento, nunca passaria pelo coração de Pedro uma frase como: “Eu não O conheço!”. Por três vezes ele negou Jesus. Então eu pergunto: “E nós? Será que também não negamos o Senhor ainda hoje?”.

Negar Jesus hoje não significa dizer tão explicitamente como Pedro um “eu não O conheço”. Na verdade, são os inúmeros ‘nãos’ ditos implicitamente, ou mesmo discretamente. E o pior, constantemente. Para Pedro, dizer um ‘sim’ a Jesus naquela situação era comprometer-se inevitavelmente. Era, talvez, ter a mesma sorte que Jesus. E aquela situação era bem diferente da ocasião da entrada em Jerusalém, onde se podiam ouvir os ‘hosanas’, os gritos de ‘bendito o que vem em nome do Senhor’, a aclamação do povo… Nessas circunstâncias é bem mais fácil dizer que conhece Jesus.

Não negar Jesus hoje é ter a coragem de comprometer-se com Ele. Num tempo em que o Evangelho, as coisas sagradas e mesmo a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é posta de lado, nós precisamos dizer com nossas palavras e nossa vida: “Eu O conheço e estou com Ele, sim!”. Essa coragem e força não são meros bons propósitos ou simples boa vontade – embora sejam necessários -, mas são fruto de quem sabe que já negou o Senhor e que recebeu misericórdia para um recomeçar. Essa decisão é fruto de um derramamento do Espírito que faz como no dia de Pentecostes: transforma homens medrosos em verdadeiros arautos do Evangelho, com coragem de não só proclamar o Evangelho, mas de gastar-se numa verdadeira doação de vida por amor e comprometimento com Jesus.

Quantas vezes já negamos o Senhor? Na verdade, isso não importa muito! O que importa realmente é que Ele nos dá uma nova chance hoje de não negá-Lo. Ele nos dá a força necessária para enfrentarmos todos os obstáculos e, profundamente conhecedor de nossas fraquezas, continuarmos firmes numa decisão decidida de ir até o fim com Jesus.

Tupy Ponte – Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz