Santa Clara , Nossa Baluarte Uma Vida Contemplativa e de Penitência.

Santa Clara , Nossa Baluarte

Uma Vida Contemplativa e de Penitência.

Nós da Comunidade Católica Rainha da Paz, herdamos de Santa Clara (nossa baluarte) a Vida Contemplativa e a Vida de Penitência.

Na festa de Santa Clara: “Eu, Clara… como também minhas irmãs comigo, conscientes de nossa elevada vocação e da missão de um tão grande pai, mas também da fraqueza que observávamos nos outros e temíamos em nós mesmas, depois da morte de nosso Pai São Francisco nosso apoio depois de Deus, nossa única consolação e refúgio, nos entregamos voluntariamente à nossa Senhora a Santa Pobreza, a fim de que, após minha morte, as irmãs tanto presentes quanto as futuras nunca se separem dela

(Do Testamento de Sta. Clara, provavelmente de 1247)

Conta-se que, no dia em que Clara nasceu, o céu de Assis envolveu-se numa claridade excepcionalmente luminosa, muito maior do que aquela das radiantes manhãs de verão na Úmbria.

Conta-se, também, que o céu de Assis reuniu as estrelas, a Lua e o Sol, numa brilhante configuração, no dia em que Clara conheceu Francisco. Clara viu, claramente, os traços de Cristo que, pouco a pouco, mas fortemente, iam se delineando no rosto apaixonado de Francisco. Francisco, o pobre, o amigo dos leprosos. Francisco viu, claramente, em Clara, aquela luz pura, diáfana, que não pode emanar de uma criatura por si só, a não ser que alimentada numa chama divina.

Certo é que Clara seguiu Francisco, que, por sua vez, amava Jesus, amava os mendigos, amava os doentes, amava a Igreja, amava os grandes silêncios das solitárias montanhas, queria proclamar o Evangelho ao universo, amava a Deus que lhe dera irmãos, amava, amava, amava…Certo é que Clara seguiu Francisco e de dama rica tornou-se dama pobre e nunca foi tão nobre quanto no paupérrimo convento de São Damião, e nunca sua vida foi tão clara e rica quanto naquele refúgio da pobreza absoluta, da entrega absoluta, do Deus absoluto. Certo é que Clara entendeu, perfeita e claramente, quem era Francisco, a profundidade do desejo de seu coração e a revolução que eles estavam criando num mundo que valorizava tanto o poder, as aparências, os belos discursos, que não se envergonhava da opulência dos ricos e da miséria dos pobres, que se contentava com uma fé de boas intenções e de hipócritas ações. Assim era o mundo há 800 anos. Parece que não mudou muito… >Certo é que a vida de Clara iluminava a dos outros, revelando, em múltiplos e singulares episódios, a clareza com que ela via a presença de Deus em tudo. Aos temidos sarracenos que ameaçavam invadir Assis e destruir o convento das pobres damas, ela apresentou o ostensório com a hóstia consagrada. Não gritou, não ameaçou: estava segura da proteção do Pai. E os inimigos foram embora. Quando o papa Gregório IX visitou o pequeno convento de São Damião, entendeu suas inspiradas palavras manhã adentro e, quando se deram conta, passava da hora do almoço. Mas as pobres damas só tinham pão seco recebido em esmola para comer.

E o ofereceram ao papa que se maravilhou. Antes, porém, de partilhar aquele pão, ele pediu que Clara o abençoasse. Em sua humildade, ela se recusou, mas o papa insistiu e Clara, reverentemente, traçou, no ar, um largo sinal da cruz. E todos que estavam naquele pobre refeitório viram que, sobre a casca do pão seco, sulcara-se uma cruz.

Conta-se que, no dia em que Clara morreu, a noite de Assis clareou-se de infinitas estrelas: havia choro e júbilo, um sentimento de perda e uma atmosfera de santidade. Certo é que Clara, apesar de muito doente, só morreu depois de obter do papa o privilégio da Santa Pobreza, e que voltou aos palácios do Divino Esposo, louvando a Deus por ter-lhe dado a vida. Que Clara de Assis nos ajude a viver clara, serena e confiantemente, sempre, na presença de Deus. Santa Clara de Assis, rogai por nós!

About the author: Ramiro Filho