O Vaso nas mãos do Oleiro

Palavra do Senhor a Jeremias: “Vem, desce até a casa do oleiro, que ali te farei ouvir minha Palavra”. Desci até a casa do oleiro e lá ele estava executando um trabalho na roda. O vaso que o oleiro fabricava de barro se estragou em sua mão. Ele fez um outro objeto conforme lhe pareceu mais conveniente. (Jer 18, 1-4).

É bonito ver o trabalho do oleiro. A paciência com que ele trabalha cada detalhe do vaso, a dedicação e a atenção. Todo oleiro sempre consegue visualizar o vaso que criará, ele não precisa já estar pronto. Cada vaso é sonhado, planejado para então ser executado.

Deus em sua imensa sabedoria nos compara com o vaso nas mãos do Grande Oleiro apaixonado pela obra de suas mãos. Ele mesmo é esse Oleiro que não quer perder nenhuma de suas obras, mesmo que esta esteja trincada, quebrada, feito cacos e até mesmo pó. Não importa se o barro já se tornou impuro, Deus retoma sua obra em suas mãos e a recria.

Para compreendermos melhor é necessário que conheçamos passo a passo a gestação de um vaso. Desde a escolha do seu barro até o êxtase do seu criador diante de sua obra:

1º. O oleiro escolhe o barro que será o seu vaso. Esse barro é extraído do seu local de origem e é estendido num pátio. Tira-se as impurezas, como raízes, galhos, pedras, pedaços de pau ou capins. Com uma enxada, formam-se regos para que seque bem. Depois são hidratados e separados em paralelepípedos que não endurecem. Então são levados para a roda para serem trabalhados.

2° O barro é colocado sobre a roda para modelar. Enquanto modela o vaso, rega-o várias vezes, para que o barro se torne maleável e facilite o trabalho. O oleiro procura fazer o vaso mais bonito, nem que para isso tenha que quebrá-lo várias vezes. Quantas vezes você deixou-se vencer, domar, amansar pelo Senhor? Foi o que aconteceu com o vaso do trecho bíblico citado. Quando o barro se estraga nas mãos do oleiro, ele não o joga fora. Deus nunca joga fora a obra de suas mãos!

Mas com os vasos que se quebraram, o que faz o oleiro?

Um vaso é feito para um propósito. Vaso quebrado não cumpre o seu papel. Um vaso quebrado não pode tornar-se novo por si só. O mais importante: É melhor quebrar-se nas mãos do oleiro, do que nas mãos do inimigo. O oleiro cria e recria. O inimigo usa, destrói e joga fora!

O processo usado com os vasos que se deformam ou quebram, são quase semelhantes ao de um vaso que está nas mãos do oleiro pela primeira vez, porém mais cheio de detalhes. Deus não faz reparos em vasos velhos. Ele faz um novo! Para isso, não dispensará etapas!

 

1º O vaso é totalmente quebrado, regado e colocado em repouso para criar liga (é o tempo do silêncio de Deus).

2º É prensado para retirar as impurezas. É nessa etapa que Deus faz nascer na alma a humildade.

3º O barro é colocado sobre a roda para ser modelado. O vaso não tem vontade própria e o oleiro é autônomo, dará ao vaso a forma que lhe parecer melhor.

4º Enquanto modela o vaso rega-o vez em quando com água. Para o homem, a Água do Espírito Santo!

5º – Com precisão rasga o barro abrindo espaço no seu interior para trabalhar o vaso conforme o sonho do seu coração. É preciso rasgar o coração diante de Deus, deixar que Ele nos abra ao meio e nos dê a sua medida. A profundidade que precisamos ter.

6º- Depois de modelado o vaso fica em repouso por alguns dias, preparando-se para enfrentar o calor do fogo que o tornará forte e consistente. O fogo tempera o vaso, leva-o ao seu limite de resistência, permeia cada fibra. Somente o vaso que suporta o calor do fogo está preparado para cumprir sua tarefa. Quanto mais vezes o vaso se quebra nas mãos do oleiro, mais puro será, porque passará mais vezes ainda pela água e pelo fogo. Será um vaso puríssimo, nobre! Os vasos que mais passaram pelas mãos do oleiro são os mais caros!

7º- Após ser retirado do fogo, o vaso é provado. Passa por um teste de resistência: O oleiro dá-lhe um peteleco. O som emitido é a prova. Se o som é chocho, voltará ao forno, porque ainda não está pronto, mas se ele “cantar”, é porque está pronto para seguir o seu destino. O Divino Oleiro enche-o com o óleo do seu Santo Espírito.

É um trabalho maravilhoso! É assim que Deus age conosco quando nos deixamos moldar por suas mãos. Desçamos até a Casa do Oleiro! O que isso significa para você?

O profeta desce até a casa do oleiro para aprender com ele. O vaso desce até a casa do

oleiro porque se reconhece quebrado, trincado, precisando ser renovado.

Descer: Trazer para baixo, diminuir-se, abaixar-se, humilhar-se!

Roguemos ao Senhor que neste tempo de reflexão (Quaresma), possamos rasgar o nosso coração diante de Deus, reconhecendo que só em suas mãos seremos vasos novos, nem que para isso Ele tenha que nos quebrar, molhar, rasgar, pôr no fogo e testar o nosso som dando-nos “petelecos” (pancadas com a ponta do dedo médio, firmada para dar golpes)!

Adelaide Santos

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