Ele não é nosso inimigo. Ele é Deus que se revestiu de nossa humanidade.

Por que saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor?

Era com essa pergunta que o Senhor nos interpelava no retiro da Comunidade de Vida em Julho de 2018. Uma pergunte que nos atingiu até os ossos, nos levando a uma profunda reflexão.

Muitas vezes, esquecemos quem somos e para que fomos criados. O pecado roubou de nós, a visão daquele que por amor nos criou e por amor nos quis para ele. Ele nunca foi uma ameaça para nós, pelo contrário, com sua providência nos cercou de cuidados e conheceu nossa necessidade mais verdadeiras e profundas, como um Deus amoroso. Ele sempre quis nos conduzir como um pai que tem sobre seu colo uma criança indefesa e necessitada de todo carinho e cuidado. O seu desejo muito mais do que ser amado, era o de nos amar, pois ele não carece de amor, ao contrário, é a própria fonte do amor. Deseja sim, que confiemos nele e nos deixemos amar por ele. Essa resposta a esse amor se manifesta no reconhecimento de sua infinita bondade e na adesão pela fé a esse amor que tudo pode.

Porém, o opositor do amor, por inveja do amor com que era amado, envenenou-nos, fazendo-nos querer nos separar do Amor, passando da confiança para a desconfiança a ponto de nos esconder-nos daquele que quis de dar a conhecer a nós em cada detalhe de sua criação.

Esse afastamento e desconfiança nos fez olhar para o Amor como um inimigo, enquanto o verdadeiro inimigo ficava oculto. Nos fez cada vez mais nos armar contra nosso Benfeitor fazendo dele nosso malfeitor.

Como se não bastasse, nos amar, nos sustentar e tudo providenciar para nós, não suportando nos ver mergulhados na mentira e engano. Veio a nós como a Verdade. Essa Verdade apontava para a nossa verdade mais profunda e essencial: somos filhos do Amor. Nascemos dele e para ele existimos. Essa verdade não pode ser calada, e mesmo em silêncio, nos fala Daquele que nos ama eternamente e apaixonadamente. No entanto temos ido a ele com nossas desconfianças é medo, armados até os dentes contra a Verdade, por medo de nos descobrirmos em nossa primeira vocação: sermos amados e alvos do Amor. Por que vamos a ele armados? Ele não é nosso inimigo. Ele é Deus que se revestiu de nossa humanidade, para se aproximar de nós e tocar a belíssima música de nossa verdade. Olhemos para Ele e deixemo-nos olhar por Ele. Ele nos ama e está disposto a sacrificar Sua vida por nós. Aproximemos-nos sim dEle, desarmados, com confiança, e deixemos que seu amor nos devolva ao Amor. Deus nos abençoe.

Tony Castro

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