IR AO ENCONTRO DA OVELHA PERDIDA

Ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel. (Mt10,6). Esta passagem é que move o agir da Pastoral Carcerária que vai ao encontro dos que estão perdidos e esquecidos pela sociedade que ainda não compreendeu que “não se é ruim por que se quer”,como diz Frei Ignácio Larrañaga. Pastoral Carcerária é acreditar num Deus misericordioso que não nos julga. “Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.” (Mt7,2)
A Pastoral Carcerária leva o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas privadas de liberdade e zela para que os direitos humanos e dignidade humana sejam garantidos no sistema prisional.”Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes.” (Mt9,12)
Em Sobral-Ce a Pastoral Carcerária trabalha juntamente com o Projeto São Dimas da Comunidade Católica Rainha da Paz. Além do engajamento destes membros, o espírito de solidariedade social também parte de alguns estudantes de Direito que contribuem para a alegria dos desprovidos de liberdade levando notícias de seus processos que são distribuídas nas varas do fórum e ao mesmo tempo os acadêmicos exercitam o aprendizado recebido. Não se esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo. A professora aposentada Socorro Tomás que ensina dança às presidiárias e o cirurgião vascular Dayan Siebra que dá palestra de coach na cadeia,também são provas que ao servir o maior beneficiado é quem serve com inteligência. E servir com inteligência é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro.
Nossa sociedade ainda não entendeu que:”O amor-próprio é cego e suicida: prefere a satisfação da vingança ao alívio do perdão. Mas loucura é odiar: é como armazenar veneno nas próprias entranhas. O rancoroso vive uma eterna agonia” (Frei Ignácio Larrañaga)
A maior parte dos casos de crimes é consequência da falta de Deus e esta falta leva a procurar uma alegria imediata, passageira, viciosa e destruidora: as drogas.”Ah se compreendêssemos! Não seria necessário perdoar. A compreensão é muito fácil de praticar do que o perdão, que exige exercícios contínuos e constantes, assim como tratar de uma ferida profunda que necessita de muitos curativos, para sarar.” Frei Ignácio Larrañaga.
Talvez,agora que você chegou até aqui nesta leitura, esteja refletindo a coragem destes voluntários, os beneficios do servir, a cura do perdão, a compreensão do outro, sobre a droga que está acabando coma vida de seu conhecido ou da pessoa que você ama, e acabe surgindo dentro de você, o MEDO. Medo é sofrimento. A bíblia também tem resposta pra este sentimento: No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no
amor.(I São João 4,18)
É depois de tudo isso que quero levar você a refletir no sistema carcerário do Brasil, cadeias superlotadas; morosidade da justiça;tratamento desumano;ociosidade dos presos;a reincidência no crime; tratamento diferenciado com os colarinhos brancos e com isso a sociedade ficando presa dentro de suas próprias casas com altos muros, cerca elétrica, vigilantes, cães de guarda e mesmo assim perpetua o medo. Como sai caro o não compreender o outro! Como sai caro não ter politicas públicas! A eleição de nossos representantes está bem próxima. Depende de nós se queremos continuar assim, sofrendo.
Seja também um voluntário transformador, acesse nossa página do facebook: Pastoral Carceraria Sobral e conheça nosso trabalho.
Lembrai-vos dos encarcerados, como se vós mesmos estivésseis presos com eles. E dos maltratados, como se habitásseis no mesmo
corpo com eles. (Hebreus 13,3)

Silvana Carneiro (Coordenadora da Pastoral Carcerária de Sobral)

É nossa responsabilidade rezar pelos incrédulos!

É imensa a misericórdia de Deus por nós, Seus filhos. Ele nos cria por amor e nos faz livres para escolhermos ou não amá-Lo. Muitos são os filhos que hoje estão distante do Pai e nem sequer crêem na Sua existência. Mas Deus não quer que nenhum de nós se perca e luta com insistência pela nossa salvação.
Maria em suas aparições em Medjugorje ora constantemente pelos que não crêem em Deus e os denomina como “aqueles que ainda não conhecem o amor de Deus”. Ela chama a todos nós a nos unirmos a Ela em oração pelos incrédulos e nos diz que “rezar por eles é rezar pelo vosso futuro” porque todos os grandes males no mundo vêm daqueles que não crêem em Deus: as guerras, homicídios, drogas, aborto…
Desde o dia 2 de agosto de 1987, Nossa Senhora aparece mensalmente para Mirjana no dia 2 de cada mês, onde através dela dá uma mensagem para a humanidade e, juntas rezam pelos incrédulos. Mirjana diz que se apenas uma vez nós víssemos as lágrimas nos olhos de Nossa Senhora pelos incrédulos que nós começaríamos a rezar intensamente nesta intenção. A partir de 2 de fevereiro de 1997 essas aparições deixaram de ser privadas para tornarem-se públicas, reunindo muitas pessoas em oração pelos que não crêem. Essa é então, para nós, uma missão, uma responsabilidade: rezar por aqueles que ainda não conhecem o amor de Deus.
Abaixo a última mensagem de Nossa Senhora do dia 2 de março de 2012:

“Queridos filhos, através do incomensurável amor de Deus, eu estou vindo entre vocês e os estou chamando insistentemente para os braços de meu Filho. Com um coração maternal estou implorando a vocês, meus filhos, mas também estou avisando repetidamente, que a preocupação com aqueles que não chegaram a conhecer o meu Filho esteja em primeiro lugar para vocês. Não permitam que, olhando para vocês e sua vida, eles não sejam tomados por um desejo de vir a conhecê-Lo. Rezem ao Espírito Santo para que o meu Filho esteja impresso dentro de vocês. Rezem para que vocês possam ser apóstolos da luz divina neste tempo de trevas e desespero. Este é um tempo de sua provação. Com um rosário na mão e amor no coração permaneçam comigo. Eu os estou conduzindo para a Páscoa em meu Filho. Rezem por aqueles a quem o meu Filho escolheu que eles possam sempre viver com Ele e Nele, o Sumo Sacerdote. Obrigada.”

Jayana Linhares
Comunidade de Vida Rainha da Paz

Deserto, tempo de decisão

Na busca do ser humano a Deus, ele experimenta muitas consolações. São momentos de graças onde vemos a Mão de Deus agir em nosso favor. Se o Senhor passa por nós, logo percebemos o Seu perfume e como a amada vamos ao Seu encontro e nos deleitamos em Sua presença amorosa (Cân 5,5). São as consolações sensíveis. Mas deve haver um cuidado da alma. Muitas se unem a Deus apenas por causa dessas consolações e não pela vontade de agradar a Deus. Enganam-se pensando que amarão mais a Deus encontrando mais e mais gosto nas consolações. Quando chega então o período onde Deus parece esconder-se e junto com Ele todas as consolações, tempo da busca e decisão, a alma tende a abandoná-lo.Chamamos de períodos de deserto ou aridez espiritual esses momentos onde se passa por profunda tristeza e desolação.
Nas noites escuras da alma, não temos vontade alguma de rezar, participar da Santa Missa, não conseguimos amar o outro, não sentimos mais nada e a impressão que temos é Deus nos abandonou e que a nossa fé acabou. Parece que o Céu sumiu!
E por que Deus permite que a alma atravesse tão terrível escuridão? Para que aprendamos a buscar mais o Deus das consolações do que as consolações de Deus.O que nos impede a verdadeira união com Deus é o apego às nossas inclinações desordenadas. Por isso, quando Jesus quer atrair uma alma ao Seu perfeito amor, procura desprendê-la de todos os apegos aos bens criados.Quando caminhamos às escuras, progredimos mais na fé e no amor a Deus. O Senhor nos quer fortes e para nos treinar na batalha o faz pela provação e pela aridez espiritual. É assim que Ele arranca as ervas daninhas do jardim das nossas almas.
É um defeito de nossa humanidade, procurar em tudo a própria satisfação. Não encontrando o prazer desejado, abandona logo a tarefa ou as reduz a cada dia, até finalmente abandonar tudo de vez! Esta desgraça acontece a muitas almas. Chamadas por Deus ao Seu amor começam a marchar no caminho da perfeição e avançam enquanto duram as consolações espirituais. Mas depois, quando elas acabam, abandonam tudo e voltam à vida antiga. É preciso persuadir-nos de que o amor de Deus e a perfeição não consistem em sentir consolações espirituais, mas em vencer o amor-próprio e fazer a vontade de Deus. É Jesus que chama a alma a caminhar com Ele no deserto, mesmo queimando os pés.
Em meio às trevas alguns sentem o coração como se fosse de gelo, não sentem mais amor a Jesus, perdem a piedade, se sentem condenados. Que desoladora confusão espiritual! Nessas horas a única saída é fechar os olhos e dar as mãos a Jesus para ser guiado por Ele na fé. “Deus é digno de nosso amor, tanto quando nos consola como quando nos faz sofrer”, já nos diz São Francisco de Sales.
A “noite escura da alma” pode durar um tempo indeterminado. Santa Teresa de Àvila a viveu por mais de 20 anos. Teresinha do Menino Jesus também passou por essa etapa espiritual e sustentou-a na certeza que o seu Sol (Cristo), por entre as nuvens, estava a brilhar.
O deserto tem sua importância. Um lugar de aparente escassez pode ser também um lugar de liberdade. “O povo que escapou da morte achou favor no deserto”. Mas como? Foram repetidas as vezes em que os hebreus se queixaram das dificuldades no caminho que percorreram no deserto do Sinai e quiseram retornar à escravidão egípcia, mesmo quando não fazia sentido voltar para a angústia do Egito. Porém, mesmo com a perda sentida no deserto, temos que entender que existe vida após a perda. A liberdade do deserto significa estar sujeito a abraçar a Deus sem garantias.O caminho da escravidão para a liberdade passa pelo deserto. E isso quer dizer que há um tempo de preparo e de reflexão na vida para que possamos entender os verdadeiros valores.
Atravessar o deserto não é fácil. É preciso, porém, que se acredite que há vida depois dele.No deserto, vive-se um tempo de descoberta, de mudança que envolve montar e levantar acampamento, armar e desarmar tenda, levar as cargas… Tempo de aprendizado. No deserto você não vê as grandes conquistas humanas, mas contempla a providência de Deus mais claramente, e assim, podemos Vê-lo face a face… O tempo no deserto pode ser marcado por um período de limitações, muitas vezes de escassez, mas não nos esqueçamos que é Deus quem nos conduz para o deserto para nos falar o que é importante com intimidade.
A nossa conquista não está no deserto, mas na restauração que vem depois do deserto. Por isso, o caminho para um novo tempo de alegria e felicidade passa pelo deserto. Nele aprendemos a viver com gratidão e humildade. Nele aprendemos a sermos verdadeiros.
Como fazer para vencer esse estado de espírito no qual Deus parece está longe e nos falta a fé?
1. Primeiro, verifique se a situação não é tibieza, ou seja, causada por nossa culpa em não perseverar no cuidado da vida espiritual. Mesmo diante destes momentos difíceis, devemos procurar saber o que está causando em nós esta aridez espiritual. Verificar se não há pecados graves na alma que possam estar afugentando a graça de Deus. Podem também ser provações que o Senhor coloca para nosso crescimento.
2. Decidir-se corrigir-se buscando a confissão, Eucaristia e oração.
3. Não medir o amor de Deus por nós pelas consolações que sentimos.
4. Silêncio, abandono e confiança são fundamentais. “Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá.” (Diário de Santa Faustina)O Esposo há de voltar logo… Em breve vai raiar a aurora e os fantasmas vão sumir. Quanto mais a noite fica escura, tanto mais perto nos aproximamos da aurora.
5. Não esqueça: Fé não é um sentimento nem sentimentalismo, mas adesão com a mente a Deus e às suas verdades e determinações. Não busque sentir fé ou devoção, mas viva-as. Vá à Missa, ao grupo de oração, ao terço com ou sem vontade, com ou sem gosto, com ou sem sentimento. Você terá mais méritos diante de Deus.
6. Se possível, busque o auxílio de um diretor espiritual.
7. Não é tão fácil dominar e disciplinar os sentidos interiores: vontade, inteligência, imaginação. Aliás, Santa Teresa chama esta – a imaginação – de “louca da casa” que, como tal, tem a força de levar-nos longe do que é essencial. Muitas vezes a alma está muito unida a Deus nas moradas mais elevadas, ao passo que a imaginação se encontra nos arrabaldes do castelo, padecendo com mil animais ferozes e peçonhentos e perecendo com esse padecer. Assim, nem a imaginação deve nos perturbar, nem devemos deixar a oração, que é o que deseja o demônio.” (4M 1,8-9). Busque o auxílio de um bom livro! “Eu não teria conseguido perseverar na oração nos dezoito anos em que acometeram tamanhos sofrimentos e aridez, visto não poder fazer oração discursiva, sem as leituras. Por todo esse tempo, eu não me atrevia a começar a orar sem livro, exceto quando acabava de comungar; minha alma temia tanto orar sem livro que era como se tivesse de enfrentar um exército.” (V 4,9). “É muito útil usar um bom livro, mesmo para recolher o pensamento e vir a rezar bem vocalmente; assim, vai-se acostumando pouco a pouco a alma, com carinhos e artifícios, para não amedrontá-la.” (C 26,10). Leia a Palavra de Deus.
8. Santidade não é um estágio ou um efeito mágico que deixa o fiel longe das realidades exteriores. Ela é forjada no campo de batalha, no suor e no sangue, sendo provados no fogo. Seja fiel a oração apesar dos tormentos,aridez e tentações. Deixe-se corrigir pelo Senhor.
Decidamo-nos por Deus a cada dia. Amor é decisão! Não deixemos de fazer nossa oração pessoal. Temos que lutar contra o desânimo, contra a frieza do nosso coração. Busquemos o Sacramento da Confissão para nos fortalecermos em Deus e assim possamos receber a Santa Eucaristia que é o alimento principal da nossa alma. É Ela quem nos dará forças para passarmos por este deserto. Acreditemos, Deus prova o nosso amor, mas ao final de tudo Ele estará a nossa espera com um prêmio redobrado! Avante! Não tenhamos medo, mesmo não sentindo Deus, Ele nunca nos abandona e caminha conosco.

Mir!

Advento

Neste sábado, dia 01/12 entramos no tempo do Advento!

Ainda não é Natal!
É um tempo para se preparar para o Natal!
Para isso devemos viver bem o Advento!

Ao contrário do mundo que prepara o Natal somente com luzes e apelos ao consumo, o Natal cristão deve ser preparado com:

A oração

A leitura atenta da Palavra de Deus

A penitência

Atenção aos pobres.

Despojamento.

Jesus disse: “Fazei penitência pois o Reino de Deus está próximo”.

Pois veja bem: se prepara o Natal num espírito de oração e penitência!

No Advento, nos colocamos na perspectiva alegre já realizada em Cristo: a vinda gloriosa do Senhor.

É tempo de esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente e sobriamente para a vinda do Senhor.

O tempo do Advento deve ser celebrado com sobriedade e discreta alegria.

Nessas quatro semanas somos convidados a esperar Jesus que vem.

Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador.

Nas duas últimas, a Igreja nos faz lembrar a espera dos Profetas e de Maria pelo nascimento de Jesus.

Advento é tempo propício à conversão para “preparar o caminho do Senhor”, por meio da oração e um profundo mergulho na Palavra. Daí a necessidade de fazermos uma avaliação do que significa e de como vivenciamos o tempo do Advento em nossa vida.

Um símbolo que nos ajuda a vivenciar melhor este tempo é a coroa do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A cada domingo uma vela é acesa até serem acesas as 4 velas no 4° domingo.

A luz indica quando Cristo salvador e luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem.

A forma circular da coroa do Advento é sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar.

Os ramos verdes da coroa do Advento são verdes como os galhos do Pinheiro que permanecem verdes apesar dos rigorosos invernos, assim como os cristãos devem manter a fé e a esperança apesar das tribulações da vida.

A fita vermelha e o laço vermelho que envolvem a grinalda simbolizam o Amor de Deus ou o próprio Espírito Santo a embalar toda criação que é remida com a chegada de Jesus.

As bolas da coroa do Advento simbolizam os frutos do Espírito Santo que brotam no coração de cada cristão.

As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento.

Com tão rico simbolismo convido você a, neste ano, antes de arrumar a árvore de Natal, arrumar a sua Coroa do Advento e ao acender cada vela em cada semana do Advento aguarde com discreta alegria regada de oração e penitência a chegada do Rei que vem!

Um Santo Advento para um Feliz Natal!

Tásia Maria Montenegro
Fundadora da Comunidade Católica Rainha da Paz

CAMINHAR SEMPRE

Se você olhar bem vai perceber que todos nós temos uma grande tendência a nos instalarmos, a nos repetirmos, a buscarmos algo que possamos fazer sempre sem mudar muito ou quase nada. Cito alguns exemplos insignificantes do nosso dia-a-dia, mas que podem nos dar uma noção daquilo que quero dizer.
Quando sentamos à mesa em nossas casas para alguma refeição, por exemplo, geralmente sentamos sempre no mesmo lugar. Se vamos à igreja costumamos nos sentar sempre no mesmo lugar ou ao menos do mesmo lado da igreja. Se vamos fazer um curso qualquer ou ouvir algumas palestras que dure alguns dias, no decorrer do curso, perceberemos que buscaremos os mesmos lugares. Enfim, tendemos a nos rotinizar. E basta sugerir alguma mudança pra vermos a resistência a ela. Mil justificativas, argumentos dos mais variados para continuar sem mudar. Na verdade, poderíamos dizer sem crescer, sem progredir. Sim, porque para crescermos é preciso mudar. É preciso ter a coragem de sair dos nossos esquemas, de nos lançarmos em algo novo ainda que nos pareça, à primeira vista, demasiadamente desafiador.
Mudar significa abrir novas possibilidades, novos caminhos, novos rumos. Talvez mudar não signifique necessariamente fazer ou viver outra coisa diferente do que vivemos até hoje – isso se o que vivemos seja algo bom – mas, fazer, ou melhor, viver de um jeito diferente, melhor, novo. Converter-se é um processo contínuo que não se restringe a sair de algo ruim para algo bom, mas é também sair de um bem e progredir para um bem ainda maior. Ou seja, mesmo fazendo coisas boas, vivendo perto de Deus necessitaremos estar sempre caminhando.
Alguém pode ingenuamente pode dizer que Deus nos aceita como somos. E é verdade! Porém, isso não significa que ele quer que permaneçamos sempre do mesmo jeito. Nossas fraquezas, limites e inconsistências não devem nos servir de desculpas para estagnarmos na caminhada, muito pelo contrário, devem servir de trampolim para nos fazer crescer e amadurecer até chegarmos à estatura de Cristo. Portanto, caminhemos com coragem e ânimo! Não tenhamos medo de mudar e abrir-nos ao novo diário que Deus tem para cada um de nós.

Nosso Chamado é um mistério de Deus

Muitas vezes nos deparamos com nosso chamado e nossa vocação e nos perguntamos? Por que eu? Será que Deus me chamou de fato? Essas perguntas provém de um grande erro, pois elas vem da visão limitada que temos de Deus e de nós mesmos. Nosso chamado se torna mistério porque não pode ser compreendido com a lógica humana, já que, só pode ser compreendido de forma sobrenatural.

Nestes dias tenho me deparado com um belo texto que ilumina bastante o mistério de nosso chamado “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). É preciso saber que Deus nos chamou não por causa de nossos méritos, mas unicamente por causa de sua misericórdia que é eterna. A segurança de nosso chamado reside na certeza que devemos trazer em nós do seu infinito amor: “Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31, 3). “Desde o seio materno Deus me chamou” (Is 49, 1). Esta é a nossa vantagem: saber que fomos chamados e escolhidos por amor.

Estamos celebrando 23 anos de fundação da Comunidade Católica Rainha da Paz e acredito que é este um tempo propício para cantarmos a nossa infinita gratidão a Deus, porque eterna é a sua misericórdia (Sl 100,5). Devemos fazer isso com nosso coração cheio de grande humildade e reconhecimento, pois “Ele ergue o fraco da poeira e tira o indigente do lixo, fazendo-o sentar-se com os nobres, ao lado dos nobres do seu povo” (Sl 113, 7-8).

Portanto, nos resta, correspondermos o chamado que provém do infinito amor de Deus por nós, para que cada vez mais, possamos celebrar esse mistério que nos atingiu e alcançou.

 

 Antônio Barbosa de Castro (Tony)

Co-fundador da Comunidade Católica Rainha da Paz

“PERMANECEI EM MEU AMOR”

Um fato muito comum entre nós é que sempre começamos algo com muita garra, vontade e motivação. Porém, com o passar do tempo, as coisas não nos motivam mais e acabamos por deixa-las de lado.
Quantos já começaram uma dieta com muita motivação, mas desistiram no meio do caminho. Quantos ainda começaram a caminhar e deixaram. Quantos também não conheceram Jesus em suas vidas, experimentaram do Seu amor e, depois, desistiram… Daí vem o chamado de Deus a PERMANECER. Que verbo denso de sentido esse que o Senhor usa para nos exortar a continuar com Ele. Encontrar-se com o amor de Deus é, digamos assim, fácil. E até um acontecimento prazeroso. No entanto, permanecer faz com que eu não seja o sujeito passivo nessa relação com Deus. Permanecer exige de mim esforço, luta, perseverança. Serei interpelado todos os dias a renovar meu sim e minha decisão de estar com Deus, de permanecer com Ele.
Não é um encontrar-se com Jesus e, daí pra frente, Ele me carregar sem que haja de minha parte uma decisiva participação. De modo algum. Por isso é tão importante permanecer. Só quem permanece pode dar frutos. Caso contrário, Deus terá sido apenas uma fase de nossa história. Uma fase bonita e cheia de belas lembranças, mas apenas uma fase que passou. Porém, para aqueles que permanecem, não obstante as lutas e esforços que terão que enfrentar, esses darão muitos frutos. Frutos abundantes!
Deus entrou na nossa vida para permanecer, para durar e não para ser uma fase. Portanto, é necessário adquirir essa percepção que é preciso perseverar até o fim. Continuar decididamente. Felizes os que não ficam pelo caminho! Felizes os que o tempo, as tribulações e tempestades não conseguiram derrubar. Não porque eram fortes em si mesmos, mas porque permaneceram unidos Àquele que os fortalece.

Encontro Vocacional Comunidade Vida

“Penso, logo existo”, já diria a famosa frase de certo filósofo. Mas a verdade é que “Deus pensa, logo existo”. Não há nada mais triste para alguém do que viver na mediocridade do contentar-se com o nascer-crescer-reproduzir-morrer, encerrando sua existência no profundo desconhecimento de si mesmo. Não! O homem foi pensado, feito em alta dignidade, e portador de um sonho de Deus, de uma vocação.
Esta palavra pode parecer um tanto ameaçadora: Como assim? Alguém já definiu o que eu deveria ser? E o espaço da minha liberdade? O que vou ter que perder para realizar esta tal de “vocação”? Enganados estamos se assim são os nossos pensamentos. Vocação, na verdade, é a porção de amor capaz de realizar plenamente o homem, que o faz descobrir o seu próprio lugar no Amor; e viver uma vida não como parte de um rebanho que é conduzido com ensinamentos gerais (o que não tem nenhum mal, e leva para o único fim que buscamos, que é a comunhão com Deus), mas em uma relação única, cheia de sabor, e com uma profunda e pessoal experiência de Deus. Descobrir a própria vocação, o próprio chamado, o seu lugar único no Amor, é como descobrir que se havia até aquele momento sonhado em preto-e-branco porque ainda não se sabia que poderia sonhar colorido. Deus potencializa a nossa existência; e, como nos ensina o Papa emérito Bento XVI, “Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande.”
E que precisamos para ouvir o chamado de Deus? Tão somente escutar o próprio coração, que por Ele já anseia! E deixar-se conduzir para os encontros que Deus mesmo promove para nos fazer descobrir a nossa vocação. E este é o tempo oportuno da escuta!
Dia 22 de setembro, no auditório da Comunidade Católica Rainha da Paz, a partir das 16 horas, Alguém espera por você! Venha participar do Encontro Vocacional da Comunidade de Vida, e entender mais desta forma específica e original de ser Igreja no tempo presente.