Remando contra a Maré

A coragem, ousadia e radicalidade são qualidades próprias da juventude, que luta por seus ideais. Buscamos força e entusiasmo a todo instante para continuarmos firmes em nossos projetos de vida e sonhos. Temos sede de alcançarmos nossos objetivos. É assim que entre um expediente e outro de trabalho, muitos jovens investem em seu futuro universitário, e ainda sobra tempo pra saber o que rola no mundo pelas janelas das redes sociais. O que precisamos é ter consciência que a maré do mundo nos oferece tudo, mas é essencial lembrar aqui o que nos ensina a Palavra de Deus: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.”.
E é exatamente aqui que fazemos prevalecer a grande força que Deus nos deu, a liberdade. Mais do que esforço, coragem e ousadia pra conquistarmos nossos sonhos, é preciso usar de nossas virtudes para remar contra a maré, dizer não as seduções do mundo porque eu sou livre para escolher: Nem tudo me convém!
Diante das escolhas que a vida nos propõe, que tal resolvermos com uma pergunta: O que Jesus faria agora? Assim teremos um “norte” para os nossos remos, é esse o verdadeiro caminho da santidade, como diz a canção♪ “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu…”♫.
A santidade é para os fortes, os ousados, os corajosos para os que têm a força de dizer não ao pecado, ao que não convém a um Cristão. Por isso a santidade é o grande anseio e desafio da juventude, ela deve ser o ponto de chegada vislumbrado e desejado. É preciso ser perspicaz para ver que a internet, as promessas de felicidade que a mídia nos oferece tentam nos ludibriar, nos confundir com a sensualidade, promessas de prazer e fortuna. Lembre-se sempre da pergunta: “O que Jesus faria agora?”, e continue remando contra a maré. Deus não quer nos dá uma felicidade que dura somente em momento da vida, mas uma felicidade que não tem fim. Não se engane! Uma vez caí na tentação de achar que o conceito de felicidade que eu tinha pra minha vida era o mais perfeito, mas não sem muito esforço e renúncia aprendi a não chamar de felicidade o que Deus não chama de minha felicidade. Outro dia, rezando no louvor comunitário da Comunidade de Vida, em Olinda, eu dizia: “Jesus toma tudo o que eu chamo de necessidade pra minha vida, e me dá sabedoria e entendimento pra acolher tudo o que Você sabe que é necessidade pra mim.”.
Quer um grande exemplo de alguém que entendeu que a proposta da felicidade divina é eterna, e mesmo na dor? Apresento-lhes a jovem tenista, apreciadora de patinação, admiradora das montanhas e do mar Chiara Luce Badano (Clara de Luz), uma jovem que aos 17 anos descobriu que estava com um osteossarcoma (tumor ósseo). Uma vez quando caminhava de volta de sua quimioterapia, sua mãe a observava, Chiara tinha um rosto sombrio e olhava pra o chão. Sua mãe perguntou como tinha sido o exame. Diante da interrogação Chiara respondeu: “Não diga nada agora!”, e se jogou na cama de olhos fechados. Passaram-se 25 minutos e Chiara finalmente falou: “Pronto, agora a senhora pode falar.”. Foram precisos 25 minutos para que a jovem Chiara Luce dissesse seu “SIM” à Jesus, e nunca mais voltou atrás. Uma vez, pela insistência de muitas pessoas, Chiara escreveu um bilhete a Nossa Senhora: “Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder!” e permaneceu fiel a este propósito. Ela faleceu aos 7 de outubro de 1990, aos 18 anos, e suas últimas palavras foram: “Mãe esteja feliz, porque eu estou feliz.”. Chiara Luce foi beatifica, proclamada bem-aventurada, sinônimo de felicidade, aos 9 de dezembro de 2009.
A história dessa jovem me impulsiona a dar meu sim a Jesus, e nunca mais voltar atrás, lutar até o fim, unir forças com os remos de outros jovens que buscam a santidade.

O desafio da maternidade nos dias de hoje

Um dia escutei Deus me dizer o seguinte: “Tásia, a maternidade é um serviço prestado a humanidade. O seu útero foi criado para servir. Os filhos não são para a realização dos pais, apenas, mas primeiramente para a realização da vontade de Deus e para a glória de Deus. Sempre que solicitada você deve estar aberta à maternidade.” Essa voz me fez viver a feliz aventura de ser mãe 9 vezes.
Depois, muito depois, quando fui estudar a minha fé, aprendi que os sacramentos da nossa Igreja Católica eram classificados em três: os sacramentos de iniciação, os sacramentos de cura e os sacramentos de serviço. Fiquei surpreendida em descobrir que o Sacramento do Matrimônio é classificado como sacramento de serviço! E por consequência a maternidade não era apenas um sonho a ser realizado por uma mulher ou por um casal, a maternidade é um serviço prestado a Deus e à humanidade.
Hoje como é lamentável ver os casais se fechando à maternidade. Considerando- a como uma realização pessoal ou como um grande problema a ser evitado. E o resultado são casais que buscam suas realizações em tantos caminhos que não os conduzem à felicidade! Levam antes à tristeza, ao individualismo, à depressão, à solidão. Para aquelas que desejam viver o desafio da maternidade, apresento o conselho de quem encontrou muita felicidade na maternidade: deixe-se ser alcançada pelo Amor de Deus. Deixe-se ser alcançada pelo que ensina a sua Palavra! Deixe-se ser alcançada pelos sábios ensinamentos de uma respeitável instituição milenar, que é a Igreja Católica e faça a experiência de viver em plenitude a felicidade que traz a maternidade.
O desafio da maternidade nos dias de hoje não tem mistério! Conheça Jesus Cristo! Deixe-se ser amada por Ele! Renuncie ao que seja o contrário do que Ele lhe ensina na sua Palavra. Peça a Ele a força de seu Espírito Santo! E receba a plenitude da felicidade que só se alcança na medida em que nos entregamos para dar vida aos outros.
Um feliz e abençoado dia das mães para todas nós!

Como amar com o amor de Deus

Eu sempre me perguntei como era possível amar como Amor de Deus, pois no meu entendimento qualquer atitude de amor que tenhamos, por mais que nos custe, é esforço nosso. Então sempre perguntava a Deus o que Ele queria dizer quando através de pregadores ou da oração me pedia para amar com o Seu amor. E sempre lhe pedia o entendimento desta questão.
Com o passar do tempo fui entendendo o quanto nosso amor é limitado e o quanto somos incapazes de amar o nosso irmão.E ao descobrir essa miséria, comum a todo ser humano, tive a graça de compreender o que é “Amar com o Amor de Deus”: é fazer aquilo que por nós mesmos não faríamos, mas que o Senhor estando em nosso lugar faria.
É muito difícil para nós, nos darmos ou nos sacrificarmos por Deus e pelo próximo, mas é próprio de Jesus se dar e se sacrificar por mim e por você, logo, amar com o Amor de Deus é amar como Jesus amou, é nas várias situações de nossa vida que exigem de nós o Amor, fazermos não o que queremos, mas o que o Senhor faria.
Tenhamos a coragem de amarmos verdadeiramente, amar da forma mais plena, amar com o Amor de Deus!
“Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz”

Francisco Edson do Carmo Filho
Consagrado da Comunidade Rainha da Paz

PAPAI NOEL, COELHO DA PÁSCOA E VIDA SEM SOFRIMENTO NÃO EXISTEM!

“Que bom seria se existisse uma máquina que nos fizesse voltar no tempo!…” talvez este sonho de cinema já tenha passado pela nossa cabeça!… Ter a oportunidade de voltar no tempo e corrigir os erros, evitar quedas, retirar sofrimentos, vivendo assim uma vida “perfeita”… (Será que seria assim tão perfeita?)
Ao retornarmos desses devaneios, nos damos conta de que, na vida real, essa máquina do tempo não existe e que temos que nos relacionar com nosso passado sem estar aprisionados por ele, mas estar reconciliados com ele. Quem, ao olhar para seu passado, não encontra situações doloridas, de quedas, sofrimentos e dores? Todos nós! A vida perfeita não significa vida sem sofrimentos e dificuldades. Esses, se bem direcionados, podem ser trampolins para um crescimento humano e espiritual, um impulso para a maturidade. Ou, cruéis algozes, prisões escuras para nos manter cativos e impedir nosso crescimento.O sofrimento sempre existirá em nossas vidas. Como lhe damos com ele é que é o grande ‘x’ da questão!
Um grande equívoco que muitos podem ainda carregar consigo é a falsa ideia de que, estando com Jesus, caminhando com Ele, estando na Igreja, rezando, enfim, estamos imunes a qualquer tipo de sofrimento e que Jesus tem como que uma dívida para conosco por estarmos caminhando com Ele. E ao menor sinal de sofrimento em nossas vidas já corremos para reclamar os nossos “direitos” de seguidores fiéis… Queremos que, por seguir Jesus, Ele faça tudo o que queremos, do jeito que queremos e na hora que queremos, caso contrário deixamos a Igreja e, ainda por cima, magoados com Deus… No entanto, Jesus nunca nos prometeu que nossa vida seria um mar de rosas! Na verdade, Ele nunca escondeu que, ao escolhê-Lo, estávamos escolhendo uma porta estreita. Falou abertamente aos que desejavam seguí-Lo que renunciassem a si mesmos, tomassem sua cruz a cada dia e O seguissem. E, mesmo ao anunciar as bem-aventuranças, elencou como uma delas a perseguição por causa do Reino. Ou seja, Jesus foi sempre sincero e verdadeiro. Esse “Deus” cumpridor das minhas ordens só existe em nossas cabeças… Deus não é um gênio da lâmpada que só existe para atender nossos desejos e nos dar uma vida sem a menor sombra de sofrimento.
Às vezes, o sofrimento acaba sendo uma grande tábua de salvação para muitos. Quantos, depois de uma situação de sofrimento, não repensam sua vida, refletem como estavam vivendo e encontram o sentido da vida. Jesus, mesmo sendo Deus, aprendeu a obediência pelos sofrimentos que passou (Hb 5,8). O melhor que temos a fazer é viver com Jesus e enfrentar as situações difíceis com Ele. Os sofrimentos virão, as tempestades virão, as tribulações virão, mas se estivermos firmados em Cristo, conseguiremos passar por eles, não anestesiados para não sentir nada, mas sabendo que não estamos sozinhos e que podemos usar de tudo isso para um crescimento maduro e firme porque estaremos firmados na Rocha que é o próprio Amor.

MAIS DO QUE LIDO, UM EVANGELHO PARA SER VIVIDO.

O que é seguir Jesus realmente? Saber, conhecer a Bíblia é muito bom, mas não é suficiente. Pregar o Evangelho é excelente e necessário, mas ainda não é o suficiente. Ouvir frequentemente a Palavra é maravilhoso, mas não é o suficiente. Tudo isso não significa nada se não vier acompanhado da vivência, do colocar em prática o Evangelho conhecido, pregado e ouvido. Não sejam meros ouvintes da Palavra, mas praticantes já nos dizia S. Tiago…
Parece simples, mas é muito desafiador! A radicalidade evangélica desafia nossos conceitos, nossa postura, nossa conduta e nossa mentalidade humana. Quer ser o primeiro? Seja o último! Quer ser servido? Seja servo de todos! Quer ganhar a sua vida? Perca-a! Ao ser caluniado, abençoe! Ame não só os amigos, mas os inimigos! Aos que te feriram, ofereça o perdão! Setenta vezes sete… sempre! Isso para citar apenas algumas situações que nos interpelam fortemente.
O Evangelho deve ser confrontado com a minha vida para perceber se trago em meu viver as suas marcas. Se conseguimos – não sem o indispensável auxílio da Graça – lutar para por em prática no nosso dia-a-dia o jeito de viver de Jesus. Ainda permanece na lembrança o aparente convite infantil de uma canção antiga que diz como devemos viver: “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu. Sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria e, ao chegar ao fim do dia, sei que eu dormiria muito mais feliz”. Parece infantil, mas não é brincadeira de criança viver essa letra! É um desafio a uma vida radicalmente evangélica.
Temos que tomar cuidado para que nossa religiosidade não seja apenas aparente, feita de mero cumprimento de preceitos sem que isso nos faça mudar radicalmente nossa maneira de viver e de pensar nos moldando à mentalidade de Jesus. Viver o Evangelho nada mais é do que viver como Jesus, agir como Ele. As nossas vidas devem ser um reflexo da vida de Cristo.

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019

Queridos irmãos e irmãs! Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspectiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma. 1. A redenção da criação A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus. Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte. 2. A força destruidora do pecado Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para
o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais. Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros. Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela. 3. A força sanadora do arrependimento e do perdão Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal. Esta «impaciência», esta expectativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola. Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade. Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos
irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora. Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro de 2018.

PAPA FRANCISCO

Adoração de Cura

A Comunidade Católica Rainha da Paz convida Você e toda a sua Família para a ADORAÇÃO DE CURA E LIBERTAÇÃO, que acontecerá todas as PRIMEIRAS TERÇAS DO MÊS, tendo início próxima Terça dia 05 de Fevereiro, às 19hs no AUDITÓRIO DA COMUNIDADE CATÓLICA RAINHA DA PAZ EM SOBRAL, momento forte onde Jesus Eucarístico em sua Divina Misericórdia realizará Curas, Milagres e Prodígios, em nossas vidas.
Venha, traga sua Família

Ah, tenho certeza que você conhece alguém que precise de Cura e Libertação, aproveita e convide ela também para juntos vivermos esse Momento de Graça.

Mais informações procure no ministério de Cura.

Maternidade, serviço prestado a Deus

Desde o começo, sentia que tinha vocação para ter muitos filhos, mas não entendia direito. Hoje eu sinto que era algo que Deus queria que eu vivesse. Era como se fosse o meu papel aqui no mundo e eu preciso vivê-lo.
Uma das primeiras coisas que Deus foi ensinando, foi quando Ele me propôs que eu não ligasse as trompas no terceiro filho. Não sabia no que ia dar; mas resolvi acreditar em Deus porque Ele vinha muito forte a mim e me convencia. Aos poucos Ele ia me explicando porque estava me conduzindo por esse caminho. Hoje descobri algo que Deus me ensinou: a maternidade é um serviço; assim como toda natureza é um serviço, a maternidade é um serviço que prestamos a Deus, que o útero não nos pertence, mas a Deus. E este útero nos é solicitado quando Ele quer e não quando nós queremos.
Uma das coisas que lamento muito é ver que as mulheres do mundo de hoje planejam os filhos quando bem entendem, quando elas e o marido desejam, totalmente independentes de Deus. Muitas vezes até, planejam e têm filhos sozinhas…
Os filhos são uma bênção de Deus que a gente experimenta na convivência familiar de conversar, de rezar juntos, de repartir as dificuldades, de um compreender o outro, de um ajudar o outro.
Eu creio que todos os filhos que tive foram planos de Deus que se realizaram na minha vida.Deus vai me ensinando a ser Mãe e a conhecer a particularidade de cada filho.
Para cada pessoa que vem ao mundo Deus tem um plano, e nós precisamos descobri-lo. Descobri o meu aos 28 anos, mais ou menos, e eu peço a Deus que me leve até o fim, que eu ajude o mundo a ver que tudo Deus criou é perfeito, não dá problema, mas quando interferimos na natureza no que Deus criou, colhemos os problemas.
É importante que cada um de nós descubra sua vocação, aquilo que Deus nos chama. Quando nós descobrimos, quando nós começamos a fazer aquilo que Deus criou para nós desde toda a eternidade, aí encontramos a felicidade e fica-se rindo o tempo todo porque sabe que, mesmo com toda dificuldade, Deus está conosco.

Tásia Maria Montenegro- Consagrada da Comunidade Rainha da Paz

Subir a montanha para estar mais perto de Deus

Do “deserto” das tentações ao “monte” das transfigurações para fazer a experiência da intimidade com Deus: O Papa explica assim os itinerários espirituais propostos pela liturgia do segundo domingo da quaresma.

Durante a visita realizada na manhã de 4 de março a paroquia Romana de San Giovanni Battista de La Salle, o Pontífice recorda aos fiéis que “o caminho para alcançar a glória, a estrada do amor luminoso que vence a escuridão, passa pela doação total de si, por meio do escândalo da cruz”. É por isso – explica – que o caminho da Quaresma conduz até o Gólgota, “monte do supremo sacrifício” no qual “contém a maior força de transformação do homem e da história”.

Para a comunidade de Torino – que o acolhe como uma grande família e chamam-no carinhosamente de “papai” – A Bento XVI é confiada a tarefa de trazer a boa nova de Cristo “aonde os irmãos vivem, trabalham, estudam ou simplesmente passam um momento de lazer. Missão urgente e desafiadora a luz do próximo Ano da fé, que chama a um empenho comunitário para “superar aquele ‘analfabetismo religioso’ que é um dos maiores problemas dos nossos tempos”.

O Papa também fez um convide à descoberta do Domingo como “dia de Deus e da comunidade” de viver na das celebrações eucarísticas e nas disponibilidades “de acolher cada pessoa em suas dificuldades”.

Estes temas foram destacados por Bento XVI no Angelu´s recitado na Praça de São Pedro.

Voltando ao significado da Transfiguração de Cristo, o Pontífice insiste que “Deus é luz e Jesus quer dar aos seus amigos a mais íntima experiência desta luz, que habita n’Ele”.

Além disso, todo homem precisa de uma “luz interior para superar as provações da vida” e chegar a contemplar o rosto de Jesus ”pleno de amor e de verdade”. Está aí o convite – reafirmado em particular saudação aos fiéis da França – para não terem vergonha de serem cristãos, oferecendo todos os dias ao Senhor um momento de oração, mostrando bondade e caridade para com os necessitados e renunciando a tudo o que os afasta de Deus e do próximo.

Fé para uma vida nova

“Nós vimos o Senhor!” Mas ele lhes respondeu: “Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos, se eu não enfiar o meu dedo no lugar dos cravos e não enfiar a minha mão no seu lado, não acreditarei.” (Jo 20,25).
Temos aqui a narrativa do encontro de Tomé com os outros discípulos que tinham encontrado com o Senhor Ressuscitado. Tomé não estava com eles, e ao ouvir seus amigos contar-lhes que tinham visto Jesus, não acreditou neles.
Provavelmente Tomé viveu com Jesus por três anos, viu seus milagres, ouviu suas pregações, mas estava confuso depois de tudo o que tinha visto. Jesus tinha morrido de morte vergonhosa diante de todos! Tomé estava sem esperança, sem perspectiva. Sentia-se só, derrotado, sem fé.
Já paramos para pensar sobre o que há de comum entre nós e Tomé? Tudo parece tão fácil quando decidimos seguir a Jesus. Nos primeiros anos, temos ânimo, força, alegria… Mas depois o nosso desejo de Deus parece enfraquecer. Os acontecimentos, as circunstancias nos ferem e as feridas marcam nossa história. Parece que tudo vai embora. Todo o nosso vigor, ficamos fracos na fé, sem ânimo, vazios e derrotados. Feridos os nossos pés já não suportam caminhar.
Os espinhos do mundo também haviam ferido Tomé marcando-o com a incredulidade. E nós? O que nos afasta do Cristo Ressuscitado? Quais são as nossas chagas que precisamos colocar diante de Cristo para que Ele as toque com suas mãos sagradas? São decepções? Mágoas? Medos? Vícios? Apegos? Mas é por isso mesmo que precisamos de Deus! Esse Deus que carregou com honra nossas dores. Apresente a Ele suas chagas e deixe que as Chagas do Senhor venha curar as suas.
Jesus não nos condena por nossa pouca fé, mas pede-nos que apresentemos a Ele nossas mãos com sinais de fracassos, nossos pés cansados. Jesus se compadece das suas dores. Como Cristo fez com Tomé, deseja fazer conosco: Introduzir nossa mão no seu lado, para sentirmos o seu coração pulsando, embora transpassado. Sim, que sejamos introduzidos por inteiro no coração de Cristo Vivo! Cristo nos acolhe em suas chagas para curar as nossas chagas. E a sua chaga mais íntima, a do Seu coração, é lá que Jesus quer nos introduzir. Depois que Tomé entrou na chaga do coração de Cristo, nada mais o separaria de Deus. Todos as suas fragilidades, ao invés de o afastarem de Deus, o atraíam mais ainda para junto do Senhor, pois só em Deus ele encontrava a Misericórdia de que tanto necessitava. Foi quando sentiu a força da ressurreição que Tomé exclamou explodindo de paz e felicidade: ”Meu Senhor e meu Deus!”- O incrédulo tornou-se um homem de fé! Deus conhecia suas misérias e ele conhecia a misericórdia do Senhor!
Jesus não é indiferente a nós e ao nosso sofrimento. Mas ele vem a nós como o ressuscitado que passou pela Cruz. As chagas de Cristo não nos acusam, mas nos mostram até onde ele foi por amor a nós. Ele nos ama apesar dos nossos pecados. Qual o filho que recebe mais atenção do pai? Não será o enfermo?
Deus nos chama a ter a mesma experiência que Tomé. Ele deseja tocar-nos em seu amor curador. Jesus vitorioso, vencedor do mal, da enfermidade, da dor da depressão venceu e nos comunica sua vitória. Que façamos da oração do salmista a nossa: “Estendeu a mão e agarrou-me, arrancou-me das águas profundas e livrou-me de inimigos poderosos… tirou-me e pôs-me ao largo, libertou-me porque me quer bem.” (Sl 18, 17-20).
Acreditemos Deus tudo pode mudar! E esse mesmo Deus está conosco e caminha ressuscitado, vivo, em nosso meio! Abramos bem o nosso coração, não desistamos de acreditar. A fé move céu, terra e o braço direito de Deus!