MÉTODO DE OVULAÇÃO BILLINGS EA SACRALIDADE DA TRANSMISSÃO DA VIDA

 

  1. A POSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DA VIDA NA UNIÃO CONJUGAL 

 

        A união conjugal tem, segundo o CIC (Catecismo da Igreja Católica), duas finalidades, como estádisposto no §2369 – “Salvaguardando esses dois aspectos essenciais, unitivo e procriativo, o atosexual conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e sua ordenação para aaltíssima vocação do homem para a paternidade”. O aspecto procriativo diz respeito à multiplicaçãoda espécie. O aspecto unitivo se refere à expressão de amor e prazer que o ato encerra, nas palavrasde Pio XII, CIC § 2362: “O próprio Criador estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) osesposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo,os esposos devem saber manterem-se nos limites de uma moderação justa.”Quando se fala em união conjugal, pressupõe-se que para ser moralmente lícita deve ser concretizada dentro de um Matrimônio, porque somente através desse Sacramento o corpo daesposa passa a pertencer ao esposo, e vice-versa, até que a morte os separe. Antes disso, os corposdos solteiros pertencem somente a Deus. E, por outro lado, quando se comenta sobre as duasfinalidades da união conjugal, não se deve agir como se elas fossem independentes uma da outra.Guilherme Gibbons e Dionísio Santamaría no livro “Integridade na Transmissão da Vida” observamque “o ato sexual matrimonial para ser legítimo e bom deve estar aberto à possibilidade datransmissão da vida”.Explicam os autores citados que essa asserção não deve levar à falsa idéia de que a mulher tem deter filhos ininterruptamente, posto que isso é impossível até na esfera biológica. Fisicamente, amulher só estará aberta à transmissão da vida durante seu período de fertilidade, que dura de 3 a 8dias em um ciclo menstrual. No entretanto, é o ato sexual que deve estar aberto à transmissão da vida sempre 

que for realizado e não a mulher fisicamente. Isso significa que as relações devemsempre ser consumadas com o depósito dos espermatozóides dentro da vagina da esposa e, claro,sem usar nunca métodos de anticoncepção artificial.Logo, um casal, unido em matrimônio há 30 anos e que tem 5 filhos, supondo-se que nunca fizeramuso de nenhum meio anticonceptivo, estiveram abertos fisicamente à possibilidade de transmissãoda vida somente cinco vezes e, nas outras vezes, estiveram sempre abertos à possibilidade datransmissão da vida desde que o ato sexual tenha sido consumado. 

 

  1. PATERNIDADE E MATERNIDADE RESPONSÁVELversus ANTICONCEPÇÃO 

 

A doutrina da Santa Igreja estimula a paternidade e maternidade responsável e prevê no §2368 doCIC – “Por razões justas (GS 50), os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos. Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justagenerosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral”.O cerne da doutrina de vida cristã no que toca à questão do espaçamento gestacional dos filhos está consolidado no parágrafo anterior. O cuidado da Igreja ao realizar essas pontuações está em manter o casal em sintonia com a finalidade do Matrimônio de abertura incondicional à transmissão da vida. Dessa forma, um exame de consciência deve ser realizado pelos esposos no que se refere às razões justas para regular a procriação, de modo que, se estas razões não estiverem presentes, o casal deve gerar um novo indivíduo para sociedade que deve ser a regra de um casamento e não a exceção. Os motivos justos para espaçar uma gestação podem ser divididos em cinco categorias (cf. PeLuísCarlos Lodi da Cruz em “Natal: a Salvação veio de uma gravidez não planejada”, citando DomRafael Llano Cifuentes): 

 

  1. Perigo real e certo de que uma nova gravidez poria em risco a saúde da mãe; 

 

  1. Perigo real e certo de transmitir aos filhos doenças hereditárias; 

 

  1. Razões econômicas e sociais: são aquelas situações problemáticas nas quais os cônjugesnão podem suportar a carga econômica de um novo filho, a falta de moradia adequada ou asua reduzida dimensão, etc; 

 

  1. Motivos sérios, razoáveis: uma mulher casada ganha uma bolsa de estudos na Europa paratornar-se melhor capacitada para ajudar a Igreja, a sociedade, enfim, para fazer o bem e não poderia, por conta disso, durante esse período, conceber uma criança. Outro exemplo: umhomem casado vai com a esposa morar nos EEUU durante o tempo em que precisa concluir um mestrado; mas, por ter poucas condições de sustento e ainda longe da família, procuraespaçar a gestação; 

 

  1. Razões psicológicas: estão constituídas por determinados estados de angústia ou ansiedade anômalas ou patológicas da mãe diante da possibilidade de uma nova gravidez. Observe que se uma mulher, por capricho, não quer mais ter filhos, mesmo o casal tendo condições de receber uma nova criança em seu lar, não há motivos para espaçar uma gestação. No entretanto, se ela passa a chantagear o marido, dizendo a ele que sairá de casa se tiver em outra criança, ele, o marido, tem motivos para que haja espaçamento da gestação. Pode acontecer também da mulher ter motivos para espaçar a gestação por conta dos caprichos do esposo que pode chantageá-la do mesmo modo. Para regular o espaçamento gestacional, o casal deve se guiar pelos critérios objetivos da moralidade.  

 

Na Encíclica Evangelium Vitae (cf. n.14), escrita pelo Sumo Pontífice João Paulo II, o Papa da Vida, expõe-se claramente os modos que devem ser terminantemente evitados durante a regulação dos nascimentos: 

 

  1. “É absolutamente de se excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo gerativo já iniciado [pílulas do dia seguinte ou pílulas do aborto do dia seguinte] e, sobretudo, o aborto querido diretamente e procurado [químico ou cirúrgico], mesmo por razões terapêuticas;