IR AO ENCONTRO DA OVELHA PERDIDA

Ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel. (Mt10,6). Esta passagem é que move o agir da Pastoral Carcerária que vai ao encontro dos que estão perdidos e esquecidos pela sociedade que ainda não compreendeu que “não se é ruim por que se quer”,como diz Frei Ignácio Larrañaga. Pastoral Carcerária é acreditar num Deus misericordioso que não nos julga. “Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.” (Mt7,2)
A Pastoral Carcerária leva o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas privadas de liberdade e zela para que os direitos humanos e dignidade humana sejam garantidos no sistema prisional.”Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes.” (Mt9,12)
Em Sobral-Ce a Pastoral Carcerária trabalha juntamente com o Projeto São Dimas da Comunidade Católica Rainha da Paz. Além do engajamento destes membros, o espírito de solidariedade social também parte de alguns estudantes de Direito que contribuem para a alegria dos desprovidos de liberdade levando notícias de seus processos que são distribuídas nas varas do fórum e ao mesmo tempo os acadêmicos exercitam o aprendizado recebido. Não se esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo. A professora aposentada Socorro Tomás que ensina dança às presidiárias e o cirurgião vascular Dayan Siebra que dá palestra de coach na cadeia,também são provas que ao servir o maior beneficiado é quem serve com inteligência. E servir com inteligência é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro.
Nossa sociedade ainda não entendeu que:”O amor-próprio é cego e suicida: prefere a satisfação da vingança ao alívio do perdão. Mas loucura é odiar: é como armazenar veneno nas próprias entranhas. O rancoroso vive uma eterna agonia” (Frei Ignácio Larrañaga)
A maior parte dos casos de crimes é consequência da falta de Deus e esta falta leva a procurar uma alegria imediata, passageira, viciosa e destruidora: as drogas.”Ah se compreendêssemos! Não seria necessário perdoar. A compreensão é muito fácil de praticar do que o perdão, que exige exercícios contínuos e constantes, assim como tratar de uma ferida profunda que necessita de muitos curativos, para sarar.” Frei Ignácio Larrañaga.
Talvez,agora que você chegou até aqui nesta leitura, esteja refletindo a coragem destes voluntários, os beneficios do servir, a cura do perdão, a compreensão do outro, sobre a droga que está acabando coma vida de seu conhecido ou da pessoa que você ama, e acabe surgindo dentro de você, o MEDO. Medo é sofrimento. A bíblia também tem resposta pra este sentimento: No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no
amor.(I São João 4,18)
É depois de tudo isso que quero levar você a refletir no sistema carcerário do Brasil, cadeias superlotadas; morosidade da justiça;tratamento desumano;ociosidade dos presos;a reincidência no crime; tratamento diferenciado com os colarinhos brancos e com isso a sociedade ficando presa dentro de suas próprias casas com altos muros, cerca elétrica, vigilantes, cães de guarda e mesmo assim perpetua o medo. Como sai caro o não compreender o outro! Como sai caro não ter politicas públicas! A eleição de nossos representantes está bem próxima. Depende de nós se queremos continuar assim, sofrendo.
Seja também um voluntário transformador, acesse nossa página do facebook: Pastoral Carceraria Sobral e conheça nosso trabalho.
Lembrai-vos dos encarcerados, como se vós mesmos estivésseis presos com eles. E dos maltratados, como se habitásseis no mesmo
corpo com eles. (Hebreus 13,3)

Silvana Carneiro (Coordenadora da Pastoral Carcerária de Sobral)

Adoração de Cura

A Comunidade Católica Rainha da Paz convida Você e toda a sua Família para a ADORAÇÃO DE CURA E LIBERTAÇÃO, que acontecerá todas as PRIMEIRAS TERÇAS DO MÊS, tendo início próxima Terça dia 05 de Fevereiro, às 19hs no AUDITÓRIO DA COMUNIDADE CATÓLICA RAINHA DA PAZ EM SOBRAL, momento forte onde Jesus Eucarístico em sua Divina Misericórdia realizará Curas, Milagres e Prodígios, em nossas vidas.
Venha, traga sua Família

Ah, tenho certeza que você conhece alguém que precise de Cura e Libertação, aproveita e convide ela também para juntos vivermos esse Momento de Graça.

Mais informações procure no ministério de Cura.

É nossa responsabilidade rezar pelos incrédulos!

É imensa a misericórdia de Deus por nós, Seus filhos. Ele nos cria por amor e nos faz livres para escolhermos ou não amá-Lo. Muitos são os filhos que hoje estão distante do Pai e nem sequer crêem na Sua existência. Mas Deus não quer que nenhum de nós se perca e luta com insistência pela nossa salvação.
Maria em suas aparições em Medjugorje ora constantemente pelos que não crêem em Deus e os denomina como “aqueles que ainda não conhecem o amor de Deus”. Ela chama a todos nós a nos unirmos a Ela em oração pelos incrédulos e nos diz que “rezar por eles é rezar pelo vosso futuro” porque todos os grandes males no mundo vêm daqueles que não crêem em Deus: as guerras, homicídios, drogas, aborto…
Desde o dia 2 de agosto de 1987, Nossa Senhora aparece mensalmente para Mirjana no dia 2 de cada mês, onde através dela dá uma mensagem para a humanidade e, juntas rezam pelos incrédulos. Mirjana diz que se apenas uma vez nós víssemos as lágrimas nos olhos de Nossa Senhora pelos incrédulos que nós começaríamos a rezar intensamente nesta intenção. A partir de 2 de fevereiro de 1997 essas aparições deixaram de ser privadas para tornarem-se públicas, reunindo muitas pessoas em oração pelos que não crêem. Essa é então, para nós, uma missão, uma responsabilidade: rezar por aqueles que ainda não conhecem o amor de Deus.
Abaixo a última mensagem de Nossa Senhora do dia 2 de março de 2012:

“Queridos filhos, através do incomensurável amor de Deus, eu estou vindo entre vocês e os estou chamando insistentemente para os braços de meu Filho. Com um coração maternal estou implorando a vocês, meus filhos, mas também estou avisando repetidamente, que a preocupação com aqueles que não chegaram a conhecer o meu Filho esteja em primeiro lugar para vocês. Não permitam que, olhando para vocês e sua vida, eles não sejam tomados por um desejo de vir a conhecê-Lo. Rezem ao Espírito Santo para que o meu Filho esteja impresso dentro de vocês. Rezem para que vocês possam ser apóstolos da luz divina neste tempo de trevas e desespero. Este é um tempo de sua provação. Com um rosário na mão e amor no coração permaneçam comigo. Eu os estou conduzindo para a Páscoa em meu Filho. Rezem por aqueles a quem o meu Filho escolheu que eles possam sempre viver com Ele e Nele, o Sumo Sacerdote. Obrigada.”

Jayana Linhares
Comunidade de Vida Rainha da Paz

Deserto, tempo de decisão

Na busca do ser humano a Deus, ele experimenta muitas consolações. São momentos de graças onde vemos a Mão de Deus agir em nosso favor. Se o Senhor passa por nós, logo percebemos o Seu perfume e como a amada vamos ao Seu encontro e nos deleitamos em Sua presença amorosa (Cân 5,5). São as consolações sensíveis. Mas deve haver um cuidado da alma. Muitas se unem a Deus apenas por causa dessas consolações e não pela vontade de agradar a Deus. Enganam-se pensando que amarão mais a Deus encontrando mais e mais gosto nas consolações. Quando chega então o período onde Deus parece esconder-se e junto com Ele todas as consolações, tempo da busca e decisão, a alma tende a abandoná-lo.Chamamos de períodos de deserto ou aridez espiritual esses momentos onde se passa por profunda tristeza e desolação.
Nas noites escuras da alma, não temos vontade alguma de rezar, participar da Santa Missa, não conseguimos amar o outro, não sentimos mais nada e a impressão que temos é Deus nos abandonou e que a nossa fé acabou. Parece que o Céu sumiu!
E por que Deus permite que a alma atravesse tão terrível escuridão? Para que aprendamos a buscar mais o Deus das consolações do que as consolações de Deus.O que nos impede a verdadeira união com Deus é o apego às nossas inclinações desordenadas. Por isso, quando Jesus quer atrair uma alma ao Seu perfeito amor, procura desprendê-la de todos os apegos aos bens criados.Quando caminhamos às escuras, progredimos mais na fé e no amor a Deus. O Senhor nos quer fortes e para nos treinar na batalha o faz pela provação e pela aridez espiritual. É assim que Ele arranca as ervas daninhas do jardim das nossas almas.
É um defeito de nossa humanidade, procurar em tudo a própria satisfação. Não encontrando o prazer desejado, abandona logo a tarefa ou as reduz a cada dia, até finalmente abandonar tudo de vez! Esta desgraça acontece a muitas almas. Chamadas por Deus ao Seu amor começam a marchar no caminho da perfeição e avançam enquanto duram as consolações espirituais. Mas depois, quando elas acabam, abandonam tudo e voltam à vida antiga. É preciso persuadir-nos de que o amor de Deus e a perfeição não consistem em sentir consolações espirituais, mas em vencer o amor-próprio e fazer a vontade de Deus. É Jesus que chama a alma a caminhar com Ele no deserto, mesmo queimando os pés.
Em meio às trevas alguns sentem o coração como se fosse de gelo, não sentem mais amor a Jesus, perdem a piedade, se sentem condenados. Que desoladora confusão espiritual! Nessas horas a única saída é fechar os olhos e dar as mãos a Jesus para ser guiado por Ele na fé. “Deus é digno de nosso amor, tanto quando nos consola como quando nos faz sofrer”, já nos diz São Francisco de Sales.
A “noite escura da alma” pode durar um tempo indeterminado. Santa Teresa de Àvila a viveu por mais de 20 anos. Teresinha do Menino Jesus também passou por essa etapa espiritual e sustentou-a na certeza que o seu Sol (Cristo), por entre as nuvens, estava a brilhar.
O deserto tem sua importância. Um lugar de aparente escassez pode ser também um lugar de liberdade. “O povo que escapou da morte achou favor no deserto”. Mas como? Foram repetidas as vezes em que os hebreus se queixaram das dificuldades no caminho que percorreram no deserto do Sinai e quiseram retornar à escravidão egípcia, mesmo quando não fazia sentido voltar para a angústia do Egito. Porém, mesmo com a perda sentida no deserto, temos que entender que existe vida após a perda. A liberdade do deserto significa estar sujeito a abraçar a Deus sem garantias.O caminho da escravidão para a liberdade passa pelo deserto. E isso quer dizer que há um tempo de preparo e de reflexão na vida para que possamos entender os verdadeiros valores.
Atravessar o deserto não é fácil. É preciso, porém, que se acredite que há vida depois dele.No deserto, vive-se um tempo de descoberta, de mudança que envolve montar e levantar acampamento, armar e desarmar tenda, levar as cargas… Tempo de aprendizado. No deserto você não vê as grandes conquistas humanas, mas contempla a providência de Deus mais claramente, e assim, podemos Vê-lo face a face… O tempo no deserto pode ser marcado por um período de limitações, muitas vezes de escassez, mas não nos esqueçamos que é Deus quem nos conduz para o deserto para nos falar o que é importante com intimidade.
A nossa conquista não está no deserto, mas na restauração que vem depois do deserto. Por isso, o caminho para um novo tempo de alegria e felicidade passa pelo deserto. Nele aprendemos a viver com gratidão e humildade. Nele aprendemos a sermos verdadeiros.
Como fazer para vencer esse estado de espírito no qual Deus parece está longe e nos falta a fé?
1. Primeiro, verifique se a situação não é tibieza, ou seja, causada por nossa culpa em não perseverar no cuidado da vida espiritual. Mesmo diante destes momentos difíceis, devemos procurar saber o que está causando em nós esta aridez espiritual. Verificar se não há pecados graves na alma que possam estar afugentando a graça de Deus. Podem também ser provações que o Senhor coloca para nosso crescimento.
2. Decidir-se corrigir-se buscando a confissão, Eucaristia e oração.
3. Não medir o amor de Deus por nós pelas consolações que sentimos.
4. Silêncio, abandono e confiança são fundamentais. “Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá.” (Diário de Santa Faustina)O Esposo há de voltar logo… Em breve vai raiar a aurora e os fantasmas vão sumir. Quanto mais a noite fica escura, tanto mais perto nos aproximamos da aurora.
5. Não esqueça: Fé não é um sentimento nem sentimentalismo, mas adesão com a mente a Deus e às suas verdades e determinações. Não busque sentir fé ou devoção, mas viva-as. Vá à Missa, ao grupo de oração, ao terço com ou sem vontade, com ou sem gosto, com ou sem sentimento. Você terá mais méritos diante de Deus.
6. Se possível, busque o auxílio de um diretor espiritual.
7. Não é tão fácil dominar e disciplinar os sentidos interiores: vontade, inteligência, imaginação. Aliás, Santa Teresa chama esta – a imaginação – de “louca da casa” que, como tal, tem a força de levar-nos longe do que é essencial. Muitas vezes a alma está muito unida a Deus nas moradas mais elevadas, ao passo que a imaginação se encontra nos arrabaldes do castelo, padecendo com mil animais ferozes e peçonhentos e perecendo com esse padecer. Assim, nem a imaginação deve nos perturbar, nem devemos deixar a oração, que é o que deseja o demônio.” (4M 1,8-9). Busque o auxílio de um bom livro! “Eu não teria conseguido perseverar na oração nos dezoito anos em que acometeram tamanhos sofrimentos e aridez, visto não poder fazer oração discursiva, sem as leituras. Por todo esse tempo, eu não me atrevia a começar a orar sem livro, exceto quando acabava de comungar; minha alma temia tanto orar sem livro que era como se tivesse de enfrentar um exército.” (V 4,9). “É muito útil usar um bom livro, mesmo para recolher o pensamento e vir a rezar bem vocalmente; assim, vai-se acostumando pouco a pouco a alma, com carinhos e artifícios, para não amedrontá-la.” (C 26,10). Leia a Palavra de Deus.
8. Santidade não é um estágio ou um efeito mágico que deixa o fiel longe das realidades exteriores. Ela é forjada no campo de batalha, no suor e no sangue, sendo provados no fogo. Seja fiel a oração apesar dos tormentos,aridez e tentações. Deixe-se corrigir pelo Senhor.
Decidamo-nos por Deus a cada dia. Amor é decisão! Não deixemos de fazer nossa oração pessoal. Temos que lutar contra o desânimo, contra a frieza do nosso coração. Busquemos o Sacramento da Confissão para nos fortalecermos em Deus e assim possamos receber a Santa Eucaristia que é o alimento principal da nossa alma. É Ela quem nos dará forças para passarmos por este deserto. Acreditemos, Deus prova o nosso amor, mas ao final de tudo Ele estará a nossa espera com um prêmio redobrado! Avante! Não tenhamos medo, mesmo não sentindo Deus, Ele nunca nos abandona e caminha conosco.

Mir!

Subir a montanha para estar mais perto de Deus

Do “deserto” das tentações ao “monte” das transfigurações para fazer a experiência da intimidade com Deus: O Papa explica assim os itinerários espirituais propostos pela liturgia do segundo domingo da quaresma.

Durante a visita realizada na manhã de 4 de março a paroquia Romana de San Giovanni Battista de La Salle, o Pontífice recorda aos fiéis que “o caminho para alcançar a glória, a estrada do amor luminoso que vence a escuridão, passa pela doação total de si, por meio do escândalo da cruz”. É por isso – explica – que o caminho da Quaresma conduz até o Gólgota, “monte do supremo sacrifício” no qual “contém a maior força de transformação do homem e da história”.

Para a comunidade de Torino – que o acolhe como uma grande família e chamam-no carinhosamente de “papai” – A Bento XVI é confiada a tarefa de trazer a boa nova de Cristo “aonde os irmãos vivem, trabalham, estudam ou simplesmente passam um momento de lazer. Missão urgente e desafiadora a luz do próximo Ano da fé, que chama a um empenho comunitário para “superar aquele ‘analfabetismo religioso’ que é um dos maiores problemas dos nossos tempos”.

O Papa também fez um convide à descoberta do Domingo como “dia de Deus e da comunidade” de viver na das celebrações eucarísticas e nas disponibilidades “de acolher cada pessoa em suas dificuldades”.

Estes temas foram destacados por Bento XVI no Angelu´s recitado na Praça de São Pedro.

Voltando ao significado da Transfiguração de Cristo, o Pontífice insiste que “Deus é luz e Jesus quer dar aos seus amigos a mais íntima experiência desta luz, que habita n’Ele”.

Além disso, todo homem precisa de uma “luz interior para superar as provações da vida” e chegar a contemplar o rosto de Jesus ”pleno de amor e de verdade”. Está aí o convite – reafirmado em particular saudação aos fiéis da França – para não terem vergonha de serem cristãos, oferecendo todos os dias ao Senhor um momento de oração, mostrando bondade e caridade para com os necessitados e renunciando a tudo o que os afasta de Deus e do próximo.

Eu já encontrei o meu valor, e você?

Vivemos num tempo em que cada vez mais as relações tendem a ser superficiais, passageiras, de pouco valor, isso porque o homem moderno é tendencioso ao isolamento e auto suficiência, é alimentado por um “amor a si mesmo” exagerado e desvirtuado que faz cada vez mais ele se distanciar da verdade do amor que Jesus nos ensina nos Evangelhos. O “amor a mim mesmo” deve me levar à abertura e não ao fechamento, ao esvaziamento e não ao reter. Um amor que não se basta em si, mas que só é possível porque Deus me amou primeiro. Então a dinâmica seria a seguinte: Deus me ama reconheço-me amado sou capaz de amar.
Talvez tenhamos tantos problemas nas relações hoje em dia por que o homem moderno ainda não descobriu o amor de Deus, não descobriu o amor com que é amado, por isso, não sabe qual é o seu real valor. Vivem norteados por valores superficiais, baixos, e funcionam segundo aquilo que dá mais lucro no mercado. É uma pena que muitas pessoas ainda se identifiquem por aquilo que aparentam: cor dos olhos, cabelos, se é magra ou gorda, baixa ou alta, se atende aos padrões que ditam a moda vigente. Ou mesmo se identificam se são cultas, inteligentes, criativas, capazes de realizar tarefas complexas…Ou, quem sabe o contrário de tudo isso. E talvez não tenham a mínima noção do seu valor real, daquilo que é o centro do nosso ser, que é sempre positivo, que é sempre nobre, porém, entendendo que temos nossas limitações e nossas fraquezas, isso tudo porque a natureza humana é limitada, mas isso não diz quem eu sou de verdade. Eu preciso descobrir qual a minha verdadeira imagem, não aquilo que dizem de mim, não aquilo que até eu erroneamente penso de mim, fazendo com que eu me avalie de acordo com que a moda dita ou o que o “mercado” precise.
E como fazer isso? Só uma autêntica experiência de Deus nos leva ao amor de nós mesmos. Quanto mais conhecemos a Deus, mais descobrimos que ele nos ama. Quanto mais nos aproximamos da fonte do amor, mais nos tornamos sempre mais dignos de amor.E aí, convencidos desse amor, somos convencidos do nosso valor, somos capazes de ter a justa estima de nós mesmos, agora não baseados em falsos parâmetros. Então, chegando a esse ponto, SOU CAPAZ DE AMAR O OUTRO, porque não vou mais olhá-lo de modo superficial, não vou medi-lo com medidas tão inconsistentes, não vou taxá-lo pelas suas qualidades e defeitos, mas o meu apreço por ele terá como fundamento esse valor verdadeiro que também sou capaz de reconhecer nele.
Sendo assim, seremos capazes de sairmos dos relacionamentos frios, descompromissados, superficiais e nos lançarmos nas relações “de verdade”, sem medo do que eu sou e sem medo do que eu vou encontrar no outro ou do que ele pode tirar de mim. Nós nascemos pra dar de nós aos outros. Não deixemos que a insensibilidade do mundo atual nos roube isso, pois, há tanto do que conhecer das pessoas, há tanto em você que precisa enriquecer a outros, tantos valores a serem trocados e partilhados. Como é generoso nosso Deus que nos fez tão valiosos!
Eu já encontrei o meu valor, e você?
Zeneide de Aguiar (Consagrada da Com. Rainha da Paz – Missão France)

A fé vivenciada

Podemos dizer que aqueles que só “crêem” porque acreditam que existe um Deus que criou tudo, que ama a humanidade, que se fez carne e ressuscitou, mas que não aderem a Jesus, não permitem que essa fé lhes modifique a vida, lhes transforme o coração, não tem muita serventia. Dizer que tem fé e não praticá-la é o mesmo que não ter.
A fé verdadeira nos leva a uma conversão. Isto é, “eu creio e adiro a Jesus!”. Vivo o que Ele me ensina. Não se trata de adequar a fé àquilo que eu penso, à vida que eu levo ou àquilo que eu acho que é certo. É justamente o contrário, sou eu quem devo me adequar, convergir minha vida, decisões e mentalidade ao Cristo e seu Evangelho. São Tiago já nos alerta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes. Dizer que tem fé em Jesus e continuar com a mesma “vidinha” de antes, com os mesmos vícios, sem uma busca de transformação é, no mínimo, incoerência.
Precisamos de cristãos que pratiquem uma fé autêntica, que busquem, apesar de suas fraquezas e limites, ser sal da terra e luz no mundo. E isso nada tem a ver com uma prepotência ou pretensão de ser os “bonzinhos”,os “santinhos”. Tem a ver com coerência com aquilo que se crê. Não podemos ser cristãos de meias medidas, medíocres.
No mundo em que vivemos o testemunho de uma vivência coerente e autêntica de nossa fé fala mais e é muito mais convincente do que muitas palavras.

O Vaso nas mãos do Oleiro

Palavra do Senhor a Jeremias: “Vem, desce até a casa do oleiro, que ali te farei ouvir minha Palavra”. Desci até a casa do oleiro e lá ele estava executando um trabalho na roda. O vaso que o oleiro fabricava de barro se estragou em sua mão. Ele fez um outro objeto conforme lhe pareceu mais conveniente. (Jer 18, 1-4).

É bonito ver o trabalho do oleiro. A paciência com que ele trabalha cada detalhe do vaso, a dedicação e a atenção. Todo oleiro sempre consegue visualizar o vaso que criará, ele não precisa já estar pronto. Cada vaso é sonhado, planejado para então ser executado.

Deus em sua imensa sabedoria nos compara com o vaso nas mãos do Grande Oleiro apaixonado pela obra de suas mãos. Ele mesmo é esse Oleiro que não quer perder nenhuma de suas obras, mesmo que esta esteja trincada, quebrada, feito cacos e até mesmo pó. Não importa se o barro já se tornou impuro, Deus retoma sua obra em suas mãos e a recria.

Para compreendermos melhor é necessário que conheçamos passo a passo a gestação de um vaso. Desde a escolha do seu barro até o êxtase do seu criador diante de sua obra:

1º. O oleiro escolhe o barro que será o seu vaso. Esse barro é extraído do seu local de origem e é estendido num pátio. Tira-se as impurezas, como raízes, galhos, pedras, pedaços de pau ou capins. Com uma enxada, formam-se regos para que seque bem. Depois são hidratados e separados em paralelepípedos que não endurecem. Então são levados para a roda para serem trabalhados.

2° O barro é colocado sobre a roda para modelar. Enquanto modela o vaso, rega-o várias vezes, para que o barro se torne maleável e facilite o trabalho. O oleiro procura fazer o vaso mais bonito, nem que para isso tenha que quebrá-lo várias vezes. Quantas vezes você deixou-se vencer, domar, amansar pelo Senhor? Foi o que aconteceu com o vaso do trecho bíblico citado. Quando o barro se estraga nas mãos do oleiro, ele não o joga fora. Deus nunca joga fora a obra de suas mãos!

Mas com os vasos que se quebraram, o que faz o oleiro?

Um vaso é feito para um propósito. Vaso quebrado não cumpre o seu papel. Um vaso quebrado não pode tornar-se novo por si só. O mais importante: É melhor quebrar-se nas mãos do oleiro, do que nas mãos do inimigo. O oleiro cria e recria. O inimigo usa, destrói e joga fora!

O processo usado com os vasos que se deformam ou quebram, são quase semelhantes ao de um vaso que está nas mãos do oleiro pela primeira vez, porém mais cheio de detalhes. Deus não faz reparos em vasos velhos. Ele faz um novo! Para isso, não dispensará etapas!

 

1º O vaso é totalmente quebrado, regado e colocado em repouso para criar liga (é o tempo do silêncio de Deus).

2º É prensado para retirar as impurezas. É nessa etapa que Deus faz nascer na alma a humildade.

3º O barro é colocado sobre a roda para ser modelado. O vaso não tem vontade própria e o oleiro é autônomo, dará ao vaso a forma que lhe parecer melhor.

4º Enquanto modela o vaso rega-o vez em quando com água. Para o homem, a Água do Espírito Santo!

5º – Com precisão rasga o barro abrindo espaço no seu interior para trabalhar o vaso conforme o sonho do seu coração. É preciso rasgar o coração diante de Deus, deixar que Ele nos abra ao meio e nos dê a sua medida. A profundidade que precisamos ter.

6º- Depois de modelado o vaso fica em repouso por alguns dias, preparando-se para enfrentar o calor do fogo que o tornará forte e consistente. O fogo tempera o vaso, leva-o ao seu limite de resistência, permeia cada fibra. Somente o vaso que suporta o calor do fogo está preparado para cumprir sua tarefa. Quanto mais vezes o vaso se quebra nas mãos do oleiro, mais puro será, porque passará mais vezes ainda pela água e pelo fogo. Será um vaso puríssimo, nobre! Os vasos que mais passaram pelas mãos do oleiro são os mais caros!

7º- Após ser retirado do fogo, o vaso é provado. Passa por um teste de resistência: O oleiro dá-lhe um peteleco. O som emitido é a prova. Se o som é chocho, voltará ao forno, porque ainda não está pronto, mas se ele “cantar”, é porque está pronto para seguir o seu destino. O Divino Oleiro enche-o com o óleo do seu Santo Espírito.

É um trabalho maravilhoso! É assim que Deus age conosco quando nos deixamos moldar por suas mãos. Desçamos até a Casa do Oleiro! O que isso significa para você?

O profeta desce até a casa do oleiro para aprender com ele. O vaso desce até a casa do

oleiro porque se reconhece quebrado, trincado, precisando ser renovado.

Descer: Trazer para baixo, diminuir-se, abaixar-se, humilhar-se!

Roguemos ao Senhor que neste tempo de reflexão (Quaresma), possamos rasgar o nosso coração diante de Deus, reconhecendo que só em suas mãos seremos vasos novos, nem que para isso Ele tenha que nos quebrar, molhar, rasgar, pôr no fogo e testar o nosso som dando-nos “petelecos” (pancadas com a ponta do dedo médio, firmada para dar golpes)!

Adelaide Santos

Reescolher o essencial

Nossa vida é cheia de situações que nos levam a fazer escolhas diariamente. Porém, a dúvida sempre bate à nossa porta: o que fazer para escolher certo?

Nossas escolhas revelam a que está preso o nosso coração, portanto, precisamos rezar bastante para que em nossas escolhas diárias, predomine sempre a vontade de Deus.

Certa vez, num momento de escuridão e dor na minha caminhada, sem saber aonde ir, deparei-me com um santo de nossos tempos, embora o mesmo “ainda” não tenha sido nem beatificado, tampouco canonizado;  mas que já o considero santo e à ele sempre recorro em minhas orações; trata-se do Cardeal François X. N. Van Thuan. Naquela ocasião ele me dizia:

“Durante a minha longa tribulação de nove anos de isolamento, em uma cela sem janelas, às vezes com a luz elétrica ligada durante muitos dias e noites, às vezes na escuridão, sentia-me sufocado pelo calor e pela umidade, a um passo da loucura. Eu era ainda um jovem bispo, com oito anos de experiência pastoral. Não conseguia dormir, atormentava-se a ideia de ter de abandonar a diocese, de abandonar inúmeras obras que havia iniciado por Deus. Experimentava uma espécie de revolta em todo o meu ser.

Uma noite, do profundo do meu coração escuto Alguém dizer: ‘Por que se atormenta desse modo? Você deve fazer uma distinção entre Deus e as obras de Deus. Tudo aquilo que você faz e deseja continuar fazendo – visitas pastorais, formação de seminaristas, religiosos, religiosas, leigos, jovens, construção de escolas, de casas para estudantes, missões de evangelização dos não-cristãos… -, tudo são obras excelentes, obras de Deus, mas não são Deus! Se Deus está querendo que você abandone tudo isso, faça-o imediatamente e tenha confiança nele! Deus fará tudo infinitamente melhor do que você. Ele haverá de confiar suas obras a outras pessoas que são muito mais capazes do que você. Você escolheu somente a Deus, não as suas obras!’”

Essas palavras atravessavam o coração lembrando-me que ainda hoje, é preciso fazer essa reescolha sempre: Deus! Sempre que sinto minha fraqueza humana querendo roubar-me a paz lembro-se dessas palavras e então percebo que é preciso renovar minha reescolha pelo essencial: Deus e não as obras de Deus.

Se você deseja ter sempre uma paz infinita em seu coração, escolha Deus a cada dia, pois nesta escolha está a base da vida cristã e a mais autêntica resposta ao mundo de hoje.

Tenham um dia abençoado!

Antonio Barbosa de Castro (Tony)

Co-fundador da Comunidade Católica Rainha da Paz

SIM COM CARA DE NÃO

“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: – Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha. Respondeu ele: -Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: – Sim, pai! Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?

Quantas pessoas, tocadas pelo arrependimento depois do ‘não’ dado a Deus, retornam com ‘sim’ generoso. Quantos ‘nãos’ que se tornaram ‘sins’ e tiveram a coragem de voltar atrás… Por outro lado, quantos ‘sins’ que não se mantiveram firmes e que desistiram… Qual tem sido a resposta que você tem dado a Deus?

Se foi um ‘não’ a princípio, não se preocupe. Ainda dá para mudar! Mesmo que depois do ‘não’ você tenha se distanciado e ido para longe. Mesmo que o seu ‘não’ tenha se repetido mais de uma vez, ainda há como transformá-lo em um ‘sim’. Às vezes, acontece de pensarmos que, por estarmos nos caminhos do Senhor, ou seja, engajados na Igreja, não damos mais ‘não’ a Deus. Ledo engano! Quantos ‘nãos’ camuflados por um aparente ‘sim’. Cheios de uma empolgação momentânea e que não resistem ao crivo do tempo e das vicissitudes da vida.

Por vezes o ‘não’ faz-nos provar da dor que é não fazer a vontade do Pai, que é distanciar-se dela. Então é lindo ver muitos que fazem como Pedro quando Jesus perguntava se ele O amava. “Jesus tu sabes tudo! Conheces o meu coração! Sabes quantas vezes já te dei ‘não’… Mas estou disposto a dizer meu ‘sim’ e renová-lo a cada dia! Sabes que sou fraco, mas sabes também que é sincero o meu desejo de dar-Te minha vida!”.

Esta atitude é a de um ‘sim’ que tem tudo para resistir às provas, tempestades e tribulações. Que o nosso ‘sim’ seja, de fato, SIM!