SOMOS TODOS CHAMADOS A SANTIDADE

Aos treze anos fiz meu primeiro Seminário de Vida no Espírito Santo e como sempre gostei da leitura, logo me interessei pela vida dos santos. Aos dezessete anos iniciei um trabalho na Biblioteca Paroquial. Cuidava dos livros organizando e registrando os livros que saiam e retornavam. Para mim era um grande banquete estar entre tantos livros católicos. E os meus preferidos eram os que narravam à vida dos santos. Eles passaram a ser meus grandes amigos no Céu.
Passando os anos, veio à fase mais madura de minha vida, aquela onde Deus nos tira o doce de tudo e precisamos buscá-lo não por seus consolos, mas porque o amamos. Neste período sem fim pude entender mais profundamente como os santos eram humanos como nós. Suas dores, lutas, quedas e soerguimentos. Logo me dei conta, de que o que nos difere dos santos é o fato deles sentirem-se amados por Deus a tal ponto de desejar com todo o coração retribuir este amor não importa se em gestos grandes ou pequenos, pois cada ação para Deus tem o tamanho do amor que nela colocamos. Porém, saber e sentir o quanto Deus nos ama, vai sempre depender do grau da nossa intimidade com Ele, do nosso encontro pessoal com Deus. Essa certeza do Seu amor por nós funciona como uma âncora no porto seguro, que não deixa nossa barquinha navegar por mares duvidosos. Essa certeza do Seu amor provada em nosso íntimo nos leva a como a amada dos Cânticos dos Cânticos, a enfrentar a noite tenebrosa, passar por feras e enfrentá-las sem temor, pois a força que nos conduz é como a paixão, nada detém. O objetivo do santo é amar Aquele que mais o ama. E este é o seu objetivo: Fazer o amor de suas vidas amado e feliz!
Ser santo para o cristão não deveria parecer algo impossível embora exija lutas. Isso porque no nosso Batismo nos tornamos filhos de Deus. E Deus é Santo: “Sede santos porque eu, o Senhor vosso Deus sou Santo.” – Lev 19,2. Logo, se em Cristo nos tornamos seus filhos, somos também coerdeiros da Graça. Com o pecado, o homem perdeu a graça que Deus lhe concedera, mas Cristo com seu amor incondicional ao Pai e a nós e em sua obediência rasgou o véu que nos separava. Recuperou a conexão que perdemos com o Pai. Isso nos dá a possibilidade de nos aproximarmos Dele sem medo, como um filho amado se aproxima do pai, pula em seu colo e lhe enche de cheiros. Entretanto o Inimigo de Deus e nosso, tudo fará para nos afastar dessa graça, fazendo com que a santidade pareça um ato impossível para nós! Satanás nos mergulha em nossas misérias como num mar de lama e deixa secar toda a sujeira em nós. Depois nos mergulha de novo até que pareçamos desfigurados e nada parecidos com o Pai do Céu. Ao olhar para nós e nos vermos tão feios e fétidos, pensamos que Deus não poderá nos querer jamais. Que estamos tão sujos que será impossível limpar tudo aquilo. Que não parecemos mais com Deus.
Como voltar a andar de mãos dadas com Deus se Ele se quer deve querer nos olhar por causa de nossa sujeira? Sim, a sujeira está lá, mas por baixo dela está, embora desfigurada, a imagem do Pai. E quando ele nos olha, como uma mãe que vê seu filho cair na lama, sua primeira atitude é banhar, limpar, lavar e depois vestir a veste limpa e perfumada. É isso que Deus deseja de nós.
Pensamos que para sermos santos, precisamos fazer coisas extraordinárias. Isso não é verdade. Sim. Alguns santos fizeram coisas extraordinárias, mas como fruto das coisas simples realizadas com um amor e um fervor não comum para quem está distante de Deus. Os santos são exemplos de vida para nós, mas cada um foi santo na sua característica própria e na sua individualidade porque é assim que Deus nos olha, como únicos para Ele, com nossas características próprias que nos definem como indivíduos. Não importa que características sejam essas. Elas são matéria-prima sob a ação do Espírito Santo.
Se observarmos a dinâmica da vida dos santos, nenhum era igual ao outro em tudo. Tinham temperamentos diferentes, idades diferentes, classes sociais diferentes… Mas com certeza, enfrentavam dificuldades ordinárias comuns a todos os seres humanos. Existiram santos que precisaram dominar seu temperamento zangado e lutaram anos a fio por isso. São Jerônimo foi assim. Não media as palavras e era profundamente intolerante. São Francisco Sales lutou para controlar o seu temperamento por dezenove anos. Ele mesmo aconselhava “Se sois como o salmista, prontos a gritar ‘ Os meus olhos são consumidos pela raiva’, ide em frente e dizei: ‘Tem piedade de mim, Senhor para que Deus possa estender a Sua mão direita e controlar a vossa ira”. Outros ainda foram pessimistas ou mesmo sanguíneos por demais. Isso nos mostra o quanto foram humanos, mas com um amor a Deus que lhes saltava nos poros.
Ser santo não é um privilégio de poucos, mas um chamado, uma ordem de Deus. Um chamado independente da sua realidade pessoal. Seja criança como Domingos Sávio que preferia morrer a ferir o coração de Deus. De seus lábios brotava a simplicidade do que é ser santo: “Não posso fazer grandes coisas, mas quero que tudo o que faço mesmo a menor das coisas, seja pra a maior glória de Deus.” – Ou ainda José Luiz Sánchez Del Rio que aos 14 anos foi torturado para negar a sua fé, mas com a sola dos pés cortada e sendo obrigado a andar assim, gritava no meio das ruas: “Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!”. Os pais de Sanchez aceitaram pagar o resgate de sua vida, mas ele não aceitou. Disse já ter oferecido a sua vida a Deus e que a sua fé não estava à venda.
Temos santos que sofreram com o câncer como Chiara Luce, diagnosticada aos 17 anos com câncer, santos que se negaram a abortar escolhendo a vida do seu bebê como Gianna Beretta Molla. Santos casados e solteiros, idosos e adolescentes… Santos em todas as épocas e estilos de vida, porque o Espírito Santo sopra onde quer e como quer. Alfaiate: São Geraldo Majela; Advogado: Santo Afonso Maria de Ligório; Professor Universitário, filósofo, psicólogo, biólogo e naturalista: São Alberto Magno; Médico: São Brás; Comerciante: Santa Lídia; Pescador: São Pedro; Lavrador: Santo Isidoro; Surfista, médico e seminarista: Bem Aventurado Guido Vidal (Brasileiro); Saúde frágil: Santa Bernadete Soubirous, Jacinta Marto e Francisco Marto; Santos Analfabetos ou com dificuldades no aprendizado: Santa Rita de Cássia, Santa Catarina de Sena, São João Maria Vianney… A grande diferença entre nós e estes santos, é que eles escolheram fazer o bem e buscaram viver na graça de Deus, fugiram das ocasiões de pecado, travaram uma luta diária e contaram com a força de Deus. Ele conhece as nossas dificuldades. Qual o pai ou a mãe que vê seus filhinhos impotentes diante de alguma dificuldade e não os socorre? Se está difícil para nós sermos santos, Deus vem em nosso auxílio através do seu Espírito Santo. Clamemos a sua ajuda a cada dia. Deus vem em nosso auxílio não importando a nossa fragilidade, basta que busquemos a sua presença. Para isso temos os sacramentos, de modo especial o Sacramento da Reconciliação e a Santa Eucaristia, o Alimento para as almas frágeis. Temos a Virgem Maria como intercessora e sabemos por meio dos nossos irmãos mais velhos, os santos, que não pode se perder aquele que se recomenda a Maria. E não importa se você leva uma vida simples, Deus se esconde entre panelas e vassouras também.
Eu poderia dizer muitas coisas agora, citar trechos bíblicos e grandes teólogos, mas penso que uma coisa apenas é importante para sermos santos (claro, além de conhecer a Palavra de Deus e nos fortalecermos nos Sacramentos e na vida comunitária): O Amor é a resposta para tudo! Amemos e façamos tudo pela via do amor. Não com o nosso amor humano e cheio de limites, mas com o amor que brota da Fonte verdadeira, Cristo crucificado e apaixonado por nós! Nele encontraremos a força e o impulso necessário para sermos o que na essência já somos.
Em Cristo crucificado saberemos renunciar nossos desejos baixos, nossa ganância pelo ter e pelo poder. Olhando para Aquele que nos olha, com nosso olhar mergulhado no seu, nos encontraremos com a verdade sobre Ele e sobre nós, e como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, “Ele nos dará suas asas de águia para alçarmos o livre voo dos filhos de Deus.”
“Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus.” (Heb 12,14)

Maria Adelaide dos Santos

Mensagem da Rainha da Paz em 25 de Maio de 2019

Queridos filhos !
Por sua Misericórdia, Deus Me permitiu estar com vocês, instruí-los e guiá-los em direção ao caminho da conversão.
Filhinhos, todos vocês são chamados a rezar com todo o coração para que se realize o plano de salvação para vocês e através de vocês.
Estejam conscientes, filhinhos, que a vida é breve e a Vida Eterna os espera segundo os seus méritos.
Por isso rezem, rezem, rezem para poder ser instrumentos dignos nas Mãos de Deus. Obrigada por terem correspondido ao Meu apelo.

Remando contra a Maré

A coragem, ousadia e radicalidade são qualidades próprias da juventude, que luta por seus ideais. Buscamos força e entusiasmo a todo instante para continuarmos firmes em nossos projetos de vida e sonhos. Temos sede de alcançarmos nossos objetivos. É assim que entre um expediente e outro de trabalho, muitos jovens investem em seu futuro universitário, e ainda sobra tempo pra saber o que rola no mundo pelas janelas das redes sociais. O que precisamos é ter consciência que a maré do mundo nos oferece tudo, mas é essencial lembrar aqui o que nos ensina a Palavra de Deus: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.”.
E é exatamente aqui que fazemos prevalecer a grande força que Deus nos deu, a liberdade. Mais do que esforço, coragem e ousadia pra conquistarmos nossos sonhos, é preciso usar de nossas virtudes para remar contra a maré, dizer não as seduções do mundo porque eu sou livre para escolher: Nem tudo me convém!
Diante das escolhas que a vida nos propõe, que tal resolvermos com uma pergunta: O que Jesus faria agora? Assim teremos um “norte” para os nossos remos, é esse o verdadeiro caminho da santidade, como diz a canção♪ “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu…”♫.
A santidade é para os fortes, os ousados, os corajosos para os que têm a força de dizer não ao pecado, ao que não convém a um Cristão. Por isso a santidade é o grande anseio e desafio da juventude, ela deve ser o ponto de chegada vislumbrado e desejado. É preciso ser perspicaz para ver que a internet, as promessas de felicidade que a mídia nos oferece tentam nos ludibriar, nos confundir com a sensualidade, promessas de prazer e fortuna. Lembre-se sempre da pergunta: “O que Jesus faria agora?”, e continue remando contra a maré. Deus não quer nos dá uma felicidade que dura somente em momento da vida, mas uma felicidade que não tem fim. Não se engane! Uma vez caí na tentação de achar que o conceito de felicidade que eu tinha pra minha vida era o mais perfeito, mas não sem muito esforço e renúncia aprendi a não chamar de felicidade o que Deus não chama de minha felicidade. Outro dia, rezando no louvor comunitário da Comunidade de Vida, em Olinda, eu dizia: “Jesus toma tudo o que eu chamo de necessidade pra minha vida, e me dá sabedoria e entendimento pra acolher tudo o que Você sabe que é necessidade pra mim.”.
Quer um grande exemplo de alguém que entendeu que a proposta da felicidade divina é eterna, e mesmo na dor? Apresento-lhes a jovem tenista, apreciadora de patinação, admiradora das montanhas e do mar Chiara Luce Badano (Clara de Luz), uma jovem que aos 17 anos descobriu que estava com um osteossarcoma (tumor ósseo). Uma vez quando caminhava de volta de sua quimioterapia, sua mãe a observava, Chiara tinha um rosto sombrio e olhava pra o chão. Sua mãe perguntou como tinha sido o exame. Diante da interrogação Chiara respondeu: “Não diga nada agora!”, e se jogou na cama de olhos fechados. Passaram-se 25 minutos e Chiara finalmente falou: “Pronto, agora a senhora pode falar.”. Foram precisos 25 minutos para que a jovem Chiara Luce dissesse seu “SIM” à Jesus, e nunca mais voltou atrás. Uma vez, pela insistência de muitas pessoas, Chiara escreveu um bilhete a Nossa Senhora: “Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder!” e permaneceu fiel a este propósito. Ela faleceu aos 7 de outubro de 1990, aos 18 anos, e suas últimas palavras foram: “Mãe esteja feliz, porque eu estou feliz.”. Chiara Luce foi beatifica, proclamada bem-aventurada, sinônimo de felicidade, aos 9 de dezembro de 2009.
A história dessa jovem me impulsiona a dar meu sim a Jesus, e nunca mais voltar atrás, lutar até o fim, unir forças com os remos de outros jovens que buscam a santidade.

O AMOR DE DEUS

Todo ser humano sente necessidade de ser amado. Isso faz parte da busca natural do homem. Passamos a vida atrás de “um grande amor”. Pois cremos que um grande amor, realizará o maior de todos os nossos sonhos: Nos fará Feliz! É buscando a felicidade que fazemos cada movimento, cada investimento em nossa vida. Cada conquista que fazemos tem como fim último alcançar a felicidade. Porém nada do que conquistamos nesta terra pode nos proporciona-la, é insuficiente. Ainda que conquistássemos o mundo inteiro, não a teríamos. Pois essa necessidade, esse vazio que há no nosso coração é infinito e não pode ser preenchido por coisas finitas. Na verdade esse vazio é uma necessidade de Deus, um desejo de Deus. Só ele é o “algo infinito” que pode preencher nosso infinito. A esse respeito já dizia Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para Ti e inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar em Ti”. Provavelmente já nos deparamos com uma saudade inexplicável, uma tristeza ao entardecer, uma fome “sei lá do quê”, tudo isso é saudades de Deus.No final toda busca que o homem faz é uma busca de Deus.

Nascemos para amar e ser amados. Quando não realizamos essa essência, somos desfigurados, somos incompletos, frustrados. Com base em que podemos afirmar isso? Costumamos usar o ditado popular: “filho de peixe, peixinho é” para afirmarmos que herdamos as principais características daqueles que nos trouxeram ao mundo ou nos instruíram: pais, professores, instrutores… Fomos criados a imagem e semelhança daquele que é puro AMOR (cf. Gn 1, 26). Sendo assim, não poderíamos herdar dele outra característica senão essa: o Amor.

São João nos faz uma preciosa revelação: Deus é Amor (Cf. Jo 4, 16). Uma grande descoberta que para nós se tornou algo “comum”. Vemo-la expressa em placas, para-choques de caminhões e a escutamos com frequência e de uma forma tão mecânica, que não nos aprofundamos mais no grande sentido que ela tem. Mas para os interlocutores de São João, que concebiam Deus como um castigador, o Senhor dos exércitos que vinga o pecado dos pais nos filhos até a décima geração, um Deus idealizado no Antigo Testamento, e tinhamcom esse Deus uma relação mercenária, essa era a maior de todas as novidades: A essência de Deus é AMOR. Isso implica dizer que se Ele deixasse de amar, deixaria de ser Deus.

A essa altura poderíamos nos perguntar: Mas o que é o amor? Precisamos primeiramente entender que o amor genuíno vem sempre de Deus, por que Ele é autor e mestre, “Ele não se deixa vencer em misericórdia”. O Amor é uma atitude, impulsionada ou não por sentimento, que envolve sempre: sair de si para buscar o bem do outro, para fazê-lo feliz, ele seja merecedor ou não. Tem sempre a ver com esvaziar-se de si para beneficiar o outro. Essa é sempre a postura de Deus em relação ao ser humano. Deus torna-se pequeno para podermos alcança-lo, pois sabe que sem Ele não seriamos felizes, pereceríamos. É como um pai brincando com seu bebê, a sua alegria é ver a alegria do seu filho. E para isso ele não se incomoda de, por exemplo, repetidas vezes fazer uma mesma brincadeira, pois embora seja monótono para ele, isso é capaz de arrancar boas risadas do seu filho e isso lhe faz feliz.

Deus é todo amor. E se acabamos de meditar que o Amor necessariamente precisa de um “alvo” para se doar, quem seria o alvo de todo esse amor de Deus? A quem ele é direcionado? São João também descobriu isso e por isso mesmo, no seu evangelho, se auto intitula “o discípulo amado”. O alvo de todo esse amor é o homem, desde sempre é ele. Por isso Deus o criou com tanto carinho e perfeição. E não entendamos como um amor generalizado: “Deus ama qualquer um!” Não. Ele ama a cada um de forma particular. Deus “me” ama. Existe uma dinâmica que retrata muito bem esse conceito: confecciona-se no chão um grande coração feito de flores naturais e ao centro desse coração é preparado um trono. Aquele coração representa o coração de Deus. E para quem foi preparado aquele trono senão para mim? Cada um de nós pode afirmar: “Eu estou no centro do coração de Deus, esse trono, preparado com tanto carinho, foi preparado para mim”. Quando estamos apaixonados por alguém, costumamos dizer que nosso coração é dela. Deus com toda certeza, pode dizer isso a nós em relação ao seu coração. E como todo apaixonado ele lembra continuamente do seu amado, faz declarações de amor, presenteia, “cerca de carinho e proteção” (Cf. Sl 125, 2).

O Livro do profeta Isaías nos mostra uma dessas grandes declarações de Amor que Deus faz a seu amado: “E agora eis o que diz o Senhor, aquele que te criou Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois Eu te resgato, Eu te chamo pelo nome, és Meu. Se tiveres de atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te submergirão; se caminhares pelo fogo, não te queimarás, e a chama não te consumirá. Pois Eu Sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador. Dou o Egito por teu resgate, a Etiópia e Sabá em compensação. Porque és precioso a Meus olhos, porque Eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti” (Is 43, 1-4).

Neste trecho da Sagrada Escritura, além de afirmar com letras garrafais o “te amo” o Senhor também usa outro termo muito belo: “és precioso”. Assim pode-se entender qual o nosso verdadeiro valor, somos “preciosos”, afinal Deus é capaz de trocar reinos por cada um de nós. E quão grande zelo Ele aplica nos cuidados para conosco, pois até nós guardamos com todo afinco aquilo que é precioso a nós. Uma vez ouvi um homem dizer que sua aliança matrimonial havia caído por acidente num vaso sanitário, após o uso.Ele não podia dar a descarga, pois perderia o anel, ele então mergulhou sua mão no meio da podridão para resgatar aquilo que era valioso para ele.Pois tinha não apenas um valor monetário, mas também afetivo. Somos tão preciosos para o Senhor que Ele não só mergulhou a mão, mas a si todo na sujeira do nosso pecado, das nossas mazelas, dos nossos sofrimentos, para nos resgatar, para nos salvar.

ALGUMAS CARACTERISTICAS DO AMOR DE DEUS

Se lançarmos um olhar atento para nossa própria historia seremos capazes de reconhecer muitos sinais concretos do Amor de Deus em nossa vida, muitas interferências de Deus em nosso favor. Isso se torna mais fácil se conhecemos algumas características do seu amor.

1 – ETERNO

“De longe me aparecia o Senhor: Amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor.” (Cf Jr 31, 3)

Quando pensamos no significado de eterno temos a tendência em pensar algo que nunca terá fim, mas isso seria apenas a metade da definição. Na verdade Eterno, é algo que nunca teve começo, e nunca terá fim. Existe desde sempre e para sempre. Não é uma medida humana, pois o “para sempre” dos homens acaba com a morte. O de Deus é transcendente. Em suma, dizer que o amor de Deus é eterno é dizer que Deus amou a mim e a você desde sempre, mesmo antes da fundação do mundo ele já sonhava com o dia que lhe chamaria a vida. Ele desejou o homem desde de toda a eternidade. E o escolheu para sempre.Por toda a eternidade Ele nos quer. Podemos nos firmar na máxima de Santo Afonso Maria de Ligório: “Desde de que Deus é Deus, Ele ama o homem”.

2 – INCOMENSURÁVEL

A segunda característica nos aponta que o amor de Deus é sem medidas, não tem comparativos ou limites. Nos ama mais que tudo que existe ou existirá. Certo dia escutei uma estória que retrata muito bem a nossa relação com esse amor incomensurável: Um garoto perguntou ao seu Pai qual o tamanho do Amor de Deus. Então ao olhar para o céu o pai avistou um avião e perguntou ao seu filho: “Que tamanho tem aquele avião?”. O menino disse: “Pequeno, quase não dá pra ver”. Então o pai o levou a um aeroporto e ao chegar próximo de um avião perguntou ao garoto: “E agora, qual o tamanho desse?”. O menino respondeu: “Nossa pai, esse é enorme!”. O pai então disse: “Assim é o Amor de Deus: O tamanho que você o verá vai depender da distância que você estiver dele.”

3- MISERICORDIOSO

Muitas vezes corremos o risco de querer comparar o Amor de Deus a amores humanos, o que é um erro. Os amores humanos em sua maioria amam em vista de uma compensação ou por causa de um merecimento.Amo porque a pessoa me ama, porque sou correspondido, ou porque fez algo por mim. Da parte de Deus é totalmente diferente.É um amor ofertado gratuitamente, sem precisar de motivos ou merecimentos. Ele não é um prêmio, onde só os “bons” o conquistam, ele é um dom, um presente que o Senhor dá a todos os seus filhos. É isso que Jesus vem nos ensinar quando afirma: “Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons e faz chover sobre os justo e sobre os injustos.” (Cf. Mt 5,45).Podemos afirmar sem medo, que Deus ama com a mesma intensidade o homem mais santo e bondoso desse mundo e o mais perverso e pecador.

Misericórdia é sinônimo de compaixão, de sofrer junto, de tomar as dores para si. Deus nos olha, vê nossa miséria, nosso pecado e ao invés de encher-se de cólera, enche-se de doçura e compaixão.Vendo que não podemos sobreviver sem Ele, vem ao nosso encontro e, nos toma, miseráveis e pecadores, e nos coloca dentro do seu coração amoroso. Isso nos leva a entender que Deus não nos ama “apesar da nossa pequenez”, Ele nos ama “por causa da nossa pequenez”. Por isso o mundo jamais poderá ferir mais uma pessoa do que Deus poderá amá-la. Não há pecado que Deus não possa perdoar. Como nos diz o Papa Francisco: “Deus nunca cansa de nos perdoar, nós é que cansamos de pedir perdão.”

4- ZELOSO

Quando estamos apaixonados por alguém, essa pessoa toma o centro dos nossos pensamentos e sentimentos, tudo nos lembra ela, os cheiros, as músicas… Assim é Deus, um completo apaixonado, não há um momento sequer que Ele não esteja pensando no amor da sua vida: o homem. “Eis que estás gravada na palma de minhas mãos, tenho sempre sob os olhos tuas muralhas.” (IS 49,16)

Quem ama dessa forma, com um olhar tão atento tem sempre em vista as necessidades do amado, por isso cuida, protege, guarda, nunca o esquece. Por isso nos falou Deus pela boca do Profeta:“Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta?Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, Eu não te esqueceria nunca.” (Is 49, 15)

É próprio do amor zeloso se antecipar, vemos isso na alegoria da criação feito no livro do Gênesis: a ordem dos seis dias expressa o cuidado que Deus teve em preparar o mundo, para quando o homem, a mais perfeita e bela de todas as criaturas, chegasse. Para que tudo estivesse pronto para acolhê-lo, para atender suas necessidades. É isso que fazemos quando vamos receber alguém que amamos em nossa casa, com amor e zelo preparamos um lugar confortável, um cardápio que atenda seus gostos, assim também é Deus para conosco.

Mais os apaixonados para expressar seu zelo tem o prazer de ir além da necessidade ou da “obrigação” para agradar a pessoa amada. Por isso os namorados ao se presentearem não se conformam em dar um “ursinho de pelúcia”, precisa ser um “ursão”.Uma flor apenas é insuficiente, há a necessidade de ser um ramalhete, se for possível o mais belo da banca. Deus também em vista de nos agradar nos dá muito além do necessário, enche nossa vida com gestos de carinho, com surpresas e com presentes, com imensas declarações de amor. Porque, quem mais seria, senão Deus, que em um dia triste para nós, inspira nosso vizinho a colocar aquela música que alegra nosso coração? Que num dia comum e sem motivos nos surpreende ao nos presentear por alguém com aquela comida que gostamos? Que num dia cansativo nos dá aquela “mãozinha” através de um amigo? Deus não cansa de delicadamente nos envolver com seus gestos de carinho e amor.

5- FIÉL

Devemos ter ciência de que tudo que meditamos sobre o Amor de Deus até agora é algo perene, constante, imutável. Afinal já vimos que seja eu, justo ou ímpio o Senhor continuará a me amar de forma abundante, não é a minha fidelidade ou infidelidade que definirá sua forma de me amar. Deus jamais nos amará mais ou menos do que nos ama agora, pois no agora já nos ama de forma plena, e sempre nos amou em plenitude. Por isso sejamos fieis ou não, Ele permanecerá a nos amar e cumprir suas promessas. Quando somos infiéis, Ele permanece fiel. (Cf II Tm2, 13b).

Então podemos entender que independente do que esteja acontecendo na minha vida, Deus estará me amando, cuidando, protegendo. Se a dor e o sofrimento batem em nossa porta eles não são um sinal que Deus nos abandonou. Ele nunca nos abandona.Mas há coisas que são inerentes a condição humana e reclamar delas seria como reclamar porque as unhas crescem e temos que cortar, ou porque envelhecemos e nosso corpo sofre limitações. Noentanto é importante sabermos que qualquer que seja a condição que estejamos Deus continua a nos amar e quando não pode intervir sofre conosco, chora conosco. Mas também se alegra conosco e vibra conosco com nossas conquistas. Esse conceito está bem expresso naquela famosa estória “Pegadas na Areia”:

Uma noite eu tive um sonho…Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do céu, passavam cenas da minha vida.Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.Quando a última cena passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso me aborreceu deveras e perguntei então ao Senhor:

– Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvi te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor me respondeu: “Meu querido filho. Jamais eu te deixaria nas horas de provas e de sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente aí que eu te carreguei nos braços”.

Independente do que aconteça Deus está nos amando, Ele é fiel! Essa é nossa certeza, nossa segurança.

7- PESSOAL

Uma perspectiva que nos fará progredir bastante no entendimento e acolhida desse Amor é entender que Deus não ama de forma generalizada. Deus ama de forma pessoal.  Geralmente tendemos a desvalorizar o que é “comum”, “público”, ”de todos” e se tivermos esse tipo de concepção para com o Amor de Deus acharemos que somos apenas “mais um” no seu caderninho de amores, e isso seria uma inverdade.Devemos entender que o amor de Deus é para todos, mas atinge cada um de forma particular. Ele me ama, me assume e se manifesta a mim de acordo com aquilo que sou: minha identidade, minha sexualidade, meu temperamento, minha personalidade, minha história de vida…

A prova disso é que ele me fez único. A própria ciência pode constatar isso, nosso DNA é único. Mesmo que eu tenha um irmão gêmeo idêntico, não seremos cópia um do outro, cada um é único. Pois Deus dedicou todo o seu carinho e criatividade ao me criar, por isso o corpo humano é essa “maquina perfeitíssima”. E se ele que pertence ao mundo visível é assim, o que se dirá da alma que pertence ao mundo invisível.

Ficamos tão mais felizes quando recebemos um presente personalizado, ou melhor, ainda,um presente manual. Sentimos que a pessoa dedicou tempo e criatividade por nos amar, quis dá o melhor e principalmente o melhor de “si”. Por isso devemos nos alegrar com esse Amor de Deus que é pessoal. Porque com todo carinho prepara cada ação para conosco de forma pessoal pensando em cada detalhe, levando em consideração aquilo que somos e temos.

Quando era criança, recebi a noticia que ganharia um irmãozinho, minha mãe estava gravida. Diante dessa notícia os adultos ficavam brincando comigo dizendo que eu ficaria “no canto”, uma brincadeira comum em minha região. Porque a mãe, não deixará de amar a todos os filhos, mas naturalmente terá que dedicar mais do seu tempo e de suas forças com o bebê que virá ou com um filho que está doente. Deus ao contrário não tem limitações humanas de tempo, espaço, cansaço… Ele está sempre voltado com todas as forças e atenção para cada um de seus filhos pessoalmente.Ninguém tomará meu lugar no coração de Deus, pois se sou único, Ele também me ama de uma forma única.

PERMITA-SE SER ALVO DESSE AMOR

Precisamos perceber as manifestações desse Amor que se dão de forma concreta em nossa vida. Encontra-las é fazer uma experiência pessoal com o Amor de Deus, é conhecer o Senhor não pelo que ouvimos falar, mas pelo que nossos olhos viram. (Cf. Jo 4, 42)

Uma vez que o encontramos devemos deixar que ele transforme nossa vida, nosso jeito de pensar, nossos sentimentos, nossa forma de ver o mundo. Pois é impossível descobrir-se amado desta tal forma e ser o mesmo. Saber que eu tenho um valor incalculável, que não sou “qualquer um”. Não posso mais me entregar a qualquer situação, pois ninguém usa objeto precioso pra serviços ordinários.Olhemos para nossa própria vida pela ótica de Deus. Sou amado! Um amor que preenche todos os recônditos do nosso ser.

“O Meu amado fitou-me nos olhos,

viu em mim uma beleza que eu não julgava ter,

Fez-me apaixonar sem perceber

E ver que só junto dele serei feliz”

Francisco Edson do Carmo. Filho

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

O desafio da maternidade nos dias de hoje

Um dia escutei Deus me dizer o seguinte: “Tásia, a maternidade é um serviço prestado a humanidade. O seu útero foi criado para servir. Os filhos não são para a realização dos pais, apenas, mas primeiramente para a realização da vontade de Deus e para a glória de Deus. Sempre que solicitada você deve estar aberta à maternidade.” Essa voz me fez viver a feliz aventura de ser mãe 9 vezes.
Depois, muito depois, quando fui estudar a minha fé, aprendi que os sacramentos da nossa Igreja Católica eram classificados em três: os sacramentos de iniciação, os sacramentos de cura e os sacramentos de serviço. Fiquei surpreendida em descobrir que o Sacramento do Matrimônio é classificado como sacramento de serviço! E por consequência a maternidade não era apenas um sonho a ser realizado por uma mulher ou por um casal, a maternidade é um serviço prestado a Deus e à humanidade.
Hoje como é lamentável ver os casais se fechando à maternidade. Considerando- a como uma realização pessoal ou como um grande problema a ser evitado. E o resultado são casais que buscam suas realizações em tantos caminhos que não os conduzem à felicidade! Levam antes à tristeza, ao individualismo, à depressão, à solidão. Para aquelas que desejam viver o desafio da maternidade, apresento o conselho de quem encontrou muita felicidade na maternidade: deixe-se ser alcançada pelo Amor de Deus. Deixe-se ser alcançada pelo que ensina a sua Palavra! Deixe-se ser alcançada pelos sábios ensinamentos de uma respeitável instituição milenar, que é a Igreja Católica e faça a experiência de viver em plenitude a felicidade que traz a maternidade.
O desafio da maternidade nos dias de hoje não tem mistério! Conheça Jesus Cristo! Deixe-se ser amada por Ele! Renuncie ao que seja o contrário do que Ele lhe ensina na sua Palavra. Peça a Ele a força de seu Espírito Santo! E receba a plenitude da felicidade que só se alcança na medida em que nos entregamos para dar vida aos outros.
Um feliz e abençoado dia das mães para todas nós!

TESTEMUNHO DE LAÍS MADEIRA

Me chamo Laís, tenho 18 anos e faço parte da Comunidade Católica Rainha da Paz há 5 anos. Em 2015 eu tive minha primeira experiência que marca até hoje o meu permanecer na Comunidade. Era uma vigília de Pentecostes, e muitos jovens estavam reunidos para celebrar a descida do Espírito Santo, e no meu horário de adoração, Jesus, ali presente na Eucaristia, me convidava a ter uma intimidade maior, mas eu não conseguia corresponde-lo porque alguns hábitos e vícios permaneciam comigo, e eu me fechava e assim me fechava também para os sonhos e planos de Deus, porém, nesse mesma vigília, nos últimos horários, Jesus me falava que tudo aquilo que me roubava dEle, iria me perseguir em toda minha caminhada, pois o inimigo tenta de todas as formas nos afastar, mas se as “coisas do mundo” me perseguiam, era Aquela Santa presença que eu deveria perseguir. Aprendi nessa vigília que sempre estaremos sujeitos a viver em um mundo cheio de pecados, mas a nossa resposta é o que faz a diferença.
Hoje em meio há lutas e algumas quedas, a certeza de que Jesus me acompanha em tudo, é o que me faz perseverar, não por méritos meus, mas por total perseverança dEle em mim. Ao escrever esse testemunho, parava e tentava pensar em algo pra dizer pra você que agora está lendo, não há segredos, simples e fácil de entender: A coisa mais marcante que tem em você, é a presença de Deus na sua vida, exale isso e deixe que você também, seja um testemunho dEle e para Ele. A Mãe que nos coloca em seu colo, esteja sempre conosco. MIR.

TESTEMUNHO DE KEYLLANE MIRANDA

Me chamo Keyllane, tenho 18 anos e sou discípula de 1º ano da Comunidade Rainha da Paz, local esse que Deus reservou para me amar de uma forma única. Minha primeira experiência com Deus se deu por volta dos meus 14 anos, depois de muito relutar e tentar fugir, ele me arrastou.
Mesmo muito jovem, eu me encontrava extremamente perdida, passei por alguns problemas na infância que deixaram marcas profundas e me fizeram perder o sentido do existir, pra mim, eu não tinha valor algum e era facilmente descartável, o que me fez muitas vezes, ter atitudes que me distanciavam ainda mais de um dia encontrar a verdadeira felicidade.
Por graça e providência de Deus, mudei de turma na escola e fiz novas amizades que estão comigo até hoje, o Senhor se utilizou delas (e quão agradecida sou por elas terem se permitido ser instrumento de Deus) para me conquistar, tentar fazer com que meu pensamento em relação a mim e a minha vida mudasse. Eu me permiti me abrir à elas (já que antes eu não partilhava minha vida com ninguém) e permiti que, aos poucos, Deus fosse agindo na minha vida, Ele sempre estava ali batendo à porta, mas eu precisava deixar que Ele entrasse. Resisti e insisti que estava tudo bem e que não precisava de nada, acreditando que nada mudaria as minhas dores e dificuldades; cansada de negar as insistências das minhas amigas, aceitei ir para o grupo de oração, entrei, descrente, no Kairós (que acontece no colégio Sant’Ana em Sobral) e ali Deus foi agindo gradualmente, me interessei bastante pelo grupo e me engajei na comunidade, quando percebi, Ele já tinha me conquistado.
Em uma vigília de Pentecostes, eu tive minha primeira experiência pessoal com Deus, ali eu me deixei amar por Ele, derramei no seu altar o meu passado, as minhas feridas e todo o meu coração, verdadeiramente me despojei de todas as minhas amarras, tomei a decisão de que eu não queria mais viver daquela forma e escancarei o meu coração para que Ele pudesse agir. E foi a partir daquele dia que eu percebi que o sentido, que eu não encontrava na minha vida, era Ele. Deus me amou de uma forma tão intensa que eu pude ver e sentir o quão valiosa eu sou. Conheci verdadeiramente o Amor, a verdadeira felicidade que é viver mergulhada nesse amor, que ordenou a minha vida e deu significado a toda minha história, não só o meu passado como o meu futuro, pois pude encontrar o meu caminho de santidade, consagrando minha vida inteiramente a Ele através do Carisma Rainha da Paz.

Nosso Chamado é um mistério de Deus

Muitas vezes nos deparamos com nosso chamado e nossa vocação e nos perguntamos? Por que eu? Será que Deus me chamou de fato? Essas perguntas provém de um grande erro, pois elas vem da visão limitada que temos de Deus e de nós mesmos. Nosso chamado se torna mistério porque não pode ser compreendido com a lógica humana, já que, só pode ser compreendido de forma sobrenatural.
Nestes dias tenho me deparado com um belo texto que ilumina bastante o mistério de nosso chamado “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). É preciso saber que Deus nos chamou não por causa de nossos méritos, mas unicamente por causa de sua misericórdia que é eterna. A segurança de nosso chamado reside na certeza que devemos trazer em nós do seu infinito amor: “Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31, 3). “Desde o seio materno Deus me chamou” (Is 49, 1). Esta é a nossa vantagem: saber que fomos chamados e escolhidos por amor.
Estamos celebrando 23 anos de fundação da Comunidade Católica Rainha da Paz e acredito que é este um tempo propício para cantarmos a nossa infinita gratidão a Deus, porque eterna é a sua misericórdia (Sl 100,5). Devemos fazer isso com nosso coração cheio de grande humildade e reconhecimento, pois “Ele ergue o fraco da poeira e tira o indigente do lixo, fazendo-o sentar-se com os nobres, ao lado dos nobres do seu povo” (Sl 113, 7-8).
Portanto, nos resta, correspondermos o chamado que provém do infinito amor de Deus por nós, para que cada vez mais, possamos celebrar esse mistério que nos atingiu e alcançou.