Arquivar dezembro 2018

VIAJANTES QUE ESQUECEM SUA META

Li uma história em que um escritor famoso viajava num trem quando o fiscal lhe pede a passagem. O escritor a procura nos bolsos, mas não o encontra. O fiscal vendo a aflição do homem diz-lhe que está tudo bem, reconhecendo o célebre escritor. “Está bem para você, jovem, – replica o escritor – mas, para mim, como faço agora para saber para onde estou sendo levado?”. A situação do escritor é a mesma que muitos de nós experimentamos. Passamos pelos dias, desinteressados de nos preocupar com o fim último e o porquê da nossa existência. Em nossos dias, perguntamos como: “Que sentido nos faz continuar a correr?”, “O que realmente merece ser tratado como prioridade?”, “Para mim que valor tem a morte?”, estão cada vez mais distantes dos nossos pensamentos.


Poderíamos dizer que cada vez mais as pessoas são, hoje, “como viajantes que esquecem sua meta”. Se nasce porque  se nasce, se sorri porque se sorri, se chora porque se chora, se morre porque se morre. E tudo acaba ali, em um viver inconcebível e superficial. “Ninguém está mais perdido do que aquele que não sabe onde se encontra: não sabe de onde vem nem para onde vai” (Sta. Faustina)

Você sabe onde se encontra? Sabe de onde vem? Para onde vai? Que representa a morte para você? A morte não é o fim. É só passagem, a porta para uma experiência muito mais intensa com o Amor de Deus. Gosto da seguinte comparação: o bebê quando está na barriga da mãe considera este o melhor lugar para estar. Passar pela estreita porta do nascimento lhe causa dor. Ele chora, mas depois que está nos braços da mãe amamentado por ela e contemplando o seu rosto, seu último pensamento seria o de retornar à barriga da mãe. Assim também nós consideramos esta vida o melhor lugar para estar. Como essa vida é maravilhosa! Que maravilha esse mundo que Deus criou! Passar pela porta estreita da morte nos causa dor. Choramos. Choram os que nos amam. Mas depois que estivermos nos braços de Deus, vivendo com plenitude a amizade iniciada nesta vida, contemplando o Seu rosto, nosso último pensamento será o de retornar para a vida terrena. A experiência com o Amor de Deus nesta vida é o segredo para perdermos o medo da morte. Peça agora a graça de viver essa amizade com Deus. Ele te ama. Deseja que você O encontre.

A amizade iniciada nesta vida cheia de limitações será plena na vida eterna. A voz de Deus será ouvida claramente. O seu rosto será visto plenamente. Poderemos dizer: “Sua voz é cheia de doçura, tudo nele é encanto. Assim é o meu Amado, assim é o meu Amigo.” (Ct 5,16)

Tásia Maria Montenegro Santiago

Fundadora da Comunidade Católica Rainha da Paz

A HUMILDADE É O FRUTO QUE SÓ PODE SER COLHIDO NA ÁRVORE DA HUMILHAÇÃO

Em sua Palavra o Senhor Deus nos diz que “Se  fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores manjares da terra…” (Is  15, 19)

Docilidade e obediência. Essas são as duas atitudes de Jesus diante da vontade do Pai. Essas duas atitudes também foram encontradas em Maria, Mãe de Jesus. Docilidade e obediência são atitudes que o Senhor espera encontrar em nós e que de nossa parte devem ser cultivadas sempre.

Devemos ser dóceis e obedientes, não por causa dos manjares nem por medo do castigo, mas por amor a Deus que é sempre amor. Essas duas atitudes servem para nós como cura e remédio, principalmente, contra o grande mal que assola a humanidade: o orgulho.

Jesus no Evangelho nos diz que: “Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado” (Mt 23, 12). Portanto, para se cultivar a docilidade e obediência necessitamos da virtude da humildade. Ela é a capacidade que Jesus nos oferece para sermos agradáveis a Deus.

Certa vez dizia-me o Senhor em oração: “A humildade é o fruto que só pode ser colhido na árvore da humilhação”. Queremos ser humildes, mas não admitimos ser humilhados, portanto, se estivermos dispostos a fazer a vontade de Deus que nos pede docilidade e obediência, precisamos estar abertos à humildade. Mas lembremo-nos, sejamos dóceis, obedientes e humildes, não por medo, mas por amor àqueles que sempre foram dóceis, obedientes e humildes: Jesus e Maria.

PAPAI NOEL, COELHO DA PÁSCOA E VIDA SEM SOFRIMENTO NÃO EXISTEM!

“Que bom seria se existisse uma máquina que nos fizesse voltar no tempo!…” talvez este sonho de cinema já tenha passado pela nossa cabeça!… Ter a oportunidade de voltar no tempo e corrigir os erros, evitar quedas, retirar sofrimentos, vivendo assim uma vida “perfeita”… (Será que seria assim tão perfeita?)

Ao retornarmos desses devaneios, nos damos conta de que, na vida real, essa máquina do tempo não existe e que temos que nos relacionar com nosso passado sem estar aprisionados por ele, mas estar reconciliados com ele.  Quem, ao olhar para seu passado, não encontra situações doloridas, de quedas, sofrimentos e dores? Todos nós! A vida perfeita não significa vida sem sofrimentos e dificuldades. Esses, se bem direcionados, podem ser trampolins para um crescimento humano e espiritual, um impulso para a maturidade. Ou, cruéis algozes, prisões escuras para nos manter cativos e impedir nosso crescimento. O sofrimento sempre existirá em nossas vidas. Como lhe damos com ele é que é o grande ‘x’ da questão!

Um grande equívoco que muitos podem ainda carregar consigo é a falsa ideia de que, estando com Jesus, caminhando com Ele, estando na Igreja, rezando, enfim, estamos imunes a qualquer tipo de sofrimento e que Jesus tem como que uma dívida para conosco por estarmos caminhando com Ele. E ao menor sinal de sofrimento em nossas vidas já corremos para reclamar os nossos “direitos” de seguidores fiéis… Queremos que, por seguir Jesus, Ele faça tudo o que queremos, do jeito que queremos e na hora que queremos, caso contrário deixamos a Igreja e, ainda por cima, magoados com Deus… No entanto, Jesus nunca nos prometeu que nossa vida seria um mar de rosas! Na verdade, Ele nunca escondeu que, ao escolhê-Lo, estávamos escolhendo uma porta estreita. Falou abertamente aos que desejavam seguí-Lo que renunciassem a si mesmos, tomassem sua cruz a cada dia e O seguissem. E, mesmo ao anunciar as bem-aventuranças, elencou como uma delas a perseguição por causa do Reino. Ou seja, Jesus foi sempre sincero e verdadeiro. Esse “deus” cumpridor das minhas ordens só existe em nossas cabeças… Deus não é um gênio da lâmpada que só existe para atender nossos desejos e nos dar uma vida sem a menor sombra de sofrimento.

Às vezes, o sofrimento acaba sendo uma grande tábua de salvação para muitos. Quantos, depois de uma situação de sofrimento, não repensam sua vida, refletem como estavam vivendo e encontram o sentido da vida. Jesus, mesmo sendo Deus, aprendeu a obediência pelos sofrimentos que passou (Hb 5,8). O melhor que temos a fazer é viver com Jesus e enfrentar as situações difíceis com Ele. Os sofrimentos virão, as tempestades virão, as tribulações virão, mas se estivermos firmados em Cristo, conseguiremos passar por eles, não anestesiados para não sentir nada, mas sabendo que não estamos sozinhos e que podemos usar de tudo isso para um crescimento maduro e firme porque estaremos firmados na Rocha que é o próprio Amor.

A fé vivenciada

Podemos dizer que aqueles que só “crêem” porque acreditam que existe um Deus que criou tudo, que ama a humanidade, que se fez carne e ressuscitou, mas que não aderem a Jesus, não permitem que essa fé lhes modifique a vida, lhes transforme o coração, não tem muita serventia. Dizer que tem fé e não praticá-la é o mesmo que não ter.

A fé verdadeira nos leva a uma conversão. Isto é, “eu creio e adiro a Jesus!”. Vivo o que Ele me ensina. Não se trata de adequar a fé àquilo que eu penso, à vida que eu levo ou àquilo que eu acho que é certo. É justamente o contrário, sou eu quem devo me adequar, convergir minha vida, decisões e mentalidade ao Cristo e seu Evangelho. São Tiago já nos alerta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes. Dizer que tem fé em Jesus e continuar com a mesma “vidinha” de antes, com os mesmos vícios, sem uma busca de transformação é, no mínimo, incoerência.

Precisamos de cristãos que pratiquem uma fé autêntica, que busquem, apesar de suas fraquezas e limites, ser sal da terra e luz no mundo. E isso nada tem a ver com uma prepotência ou pretensão de ser os “bonzinhos”, os “santinhos”. Tem a ver com coerência com aquilo que se crê. Não podemos ser cristãos de meias medidas, medíocres.

No mundo em que vivemos o testemunho de uma vivência coerente e autêntica de nossa fé fala mais e é muito mais convincente do que muitas palavras.

DEUS É SEMPRE DEUS

No texto do livro dos Atos dos Apóstolos no capítulo 16, 25-34, narra o episódio onde Paulo e Silas, depois de terem sido presos e açoitados com varas, foram levados à cela mais escura e ainda com os pés presos. Já imaginou coisa semelhante com você? Depois de ter anunciado o Evangelho, de ter feito o bem a uma pessoa tendo expulsado dela um demônio, justamente por causa disso, ser preso e açoitado… O que passaria em nossa cabeça estando lá na prisão?

Talvez, elencássemos todos os motivos do mundo para esbravejar, para murmurar, para repensar se valia a pena continuar anunciando o Evangelho. Queremos ser sempre bem acolhidos, reconhecidos, aceitos e bem quistos nos lugares e com as pessoas às quais anunciamos o Evangelho. Porém, o Evangelho nem sempre será bem acolhido pelas pessoas. Encontraremos muita resistência ao falarmos de Jesus. E foi o que aconteceu com Paulo e Silas. No entanto, eles não perderam o ânimo. Por certo, tinham o coração inteiramente inflamado de amor por Jesus a ponto de ver nessa situação não um motivo para desistir, mas de provar o seu amor por Ele e unir-se mais estreitamente Àquele que amavam.

Paulo e Silas tinham o coração tamanho amor que encontraram motivos para louvar ao Senhor. E não perderam tempo. À meia-noite começaram a entoar um grande e poderoso louvor. Oh! Como é agradável e forte o louvor que um coração eleva no meio do sofrimento! Esse louvor é capaz de quebrar as cadeias, de abrir as prisões, de libertar os cativos. Por isso, mesmo quando tudo estiver absurdamente ao contrário do que você imaginava, faça como os apóstolos que, com o coração apaixonado por Cristo, entoaram louvores.

Foi tal o poder do louvor que eles e os outros prisioneiros foram libertos e puderam sair da prisão. Porém, é importantíssimo que se diga, ainda que não tivesse acontecido nada disso. Ainda que as correntes que prendiam os apóstolos não tivessem sido abertas, ainda que eles permanecessem presos, ainda assim, Deus é Deus. O Senhor continua sendo Deus ainda que o milagre não aconteça. Eles não louvaram para serem libertos das prisões. Eles louvavam reconhecendo o amor de Deus mesmo naquela situação, louvavam por se assemelharem ao Cristo em seus sofrimentos. Era um louvor desinteressado dos milagres. Era uma expressão de amor de seus corações.

Portanto, meus irmãos, mesmo em situações adversas aprendamos o louvor. E ainda, mesmo que nada mude, Deus é digno do nosso louvor.

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