Arquivar novembro 2018

TEMPO, UM DOM PRA FAZER RENDER.

Sem dúvida todos já ouvimos a famosa expressão: “o tempo passa voando!”. Temos a sensação de que, por mais que se corra para dar conta de fazer tudo o que se tem para fazer, ainda assim, não dá tempo.  Alguns até lamentam-se do dia não ter mais de 24 horas… O ponteiro continua no seu compassado e “impiedoso” ritmo, onde o tempo por ninguém espera.

Surge então uma pergunta óbvia: “Como temos gasto nosso tempo? Como tenho vivido este breve espaço de tempo chamado vida?” Geralmente temos dificuldade de perceber o que é, de fato, essencial para nós. Imaginemos que alguém ouça do seu médico que sua vida durará, no máximo, dois meses. Com o que você acha que ele vai gastar o tempo dele? Provavelmente irá ficar mais tempo com aqueles que ele ama, não irá carregar mágoas dos outros, pois sabe que lhe resta pouco tempo; fará uma sincera retrospectiva de sua vida e de seus atos para se desculpar com aqueles que magoou e perdoar aqueles que lhe magoaram. Guardará, no seu dia, um tempo muito especial dedicado ao Senhor, pois deseja que Ele lhe encontre o mais preparado possível. Isso pra dizer que essa pessoa buscará ficar com o que é essencial para sua vida, não ficará no que é efêmero.

Longe de uma visão pessimista o que desejo mostrar é que corremos atrás e gastamos muitas forças com coisas que logo passarão. No fim de nossas vidas olharemos para trás e a única coisa que poderemos é constatar o como gastamos nosso tempo. E isso é vital para definir nossa eternidade. Quem deseja ir para o céu tem que começar a caminhar já aqui nesta vida sendo um cidadão do céu com os pés no chão de nossa realidade. Buscando amar a Deus e aos outros com um amor efetivo e usando bem o preciso dom que é o tempo.

“PERMANECEI EM MEU AMOR”

Um fato muito comum entre nós é que sempre começamos algo com muita garra, vontade e motivação. Porém, com o passar do tempo, as coisas não nos motivam mais e acabamos por deixa-las de lado.

Quantos já começaram uma dieta com muita motivação, mas desistiram no meio do caminho. Quantos ainda começaram a caminhar e deixaram. Quantos também não conheceram Jesus em suas vidas, experimentaram do Seu amor e, depois, desistiram… Daí vem o chamado de Deus a PERMANECER. Que verbo denso de sentido esse que o Senhor usa para nos exortar a continuar com Ele. Encontrar-se com o amor de Deus é, digamos assim, fácil. E até um acontecimento prazeroso. No entanto, permanecer faz com que eu não seja o sujeito passivo nessa relação com Deus. Permanecer exige de mim esforço, luta, perseverança. Serei interpelado todos os dias a renovar meu sim e minha decisão de estar com Deus, de permanecer com Ele.

Não é um encontrar-se com Jesus e, daí pra frente, Ele me carregar sem que haja de minha parte uma decisiva participação. De modo algum. Por isso é tão importante permanecer. Só quem permanece pode dar frutos. Caso contrário, Deus terá sido apenas uma fase de nossa história. Uma fase bonita e cheia de belas lembranças, mas apenas uma fase que passou. Porém, para aqueles que permanecem, não obstante as lutas e esforços que terão que enfrentar, esses darão muitos frutos. Frutos abundantes!

Deus entrou na nossa vida para permanecer, para durar e não para ser uma fase. Portanto, é necessário adquirir essa percepção que é preciso perseverar até o fim. Continuar decididamente. Felizes os que não ficam pelo caminho! Felizes os que o tempo, as tribulações e tempestades não conseguiram derrubar. Não porque eram fortes em si mesmos, mas porque permaneceram unidos Àquele que os fortalece.

RESSURREIÇÃO, FORÇA QUE TRANSFORMA TUDO!

Ressurreição, vida nova, novos hábitos, nova mentalidade, nova criatura em Cristo. Dizer que se vive uma vida nova e manter hábitos ou costumes do homem velho é não entender os efeitos bem práticos da ressurreição em nossas vidas.

Vida nova é dar o perdão àquela pessoa que te feriu ou magoou. Ressurreição é arrepender-se do que disse ou do que fez e ter a liberdade e a coragem de pedir perdão. Ser nova criatura é dar um abraço no seu pai e, dizendo que o ama, quebrar a indiferença ou a distância que antes existia. É ter a santa teimosia de viver, nos tempos de hoje, a castidade. É viver na alegria de acolher os filhos e não fechar-se à vida. É não deixar-se contaminar com o hedonismo deste mundo, mas acreditar que não nascemos para o prazer e sim, para ser felizes e nossa felicidade está em Deus. É cultivar em nossas casas o hábito de rezarmos juntos e não nos deixarmos engolir pelo corre-corre da vida. É, na verdade, ter os cristãos fazendo um grande coro de vida num grito em uníssono que o Evangelho não é papel apenas, mas é vida em nosso dia-a-dia.

Deixemos que a força de Cristo entre em “nossos túmulos”, remova nossas pedras e que refulja a luz de Jesus que vence nossas trevas, que faz o grande milagre de transformar pecadores em santos, homens e mulheres acanhados em arautos do Evangelho. Ressurreição que expulsa a tristeza, os medos e nos faz adentrar na grande “aventura” cheia de alegria e desafios de ser cristãos, de amar a Deus e deixar-se transformar por Ele e de ser suas testemunhas aonde quer que estejamos.

Desejo que a força transformadora do Evangelho o envolva e o faça, de fato, uma nova criatura, com novos hábitos cotidianos que modifiquem, ainda que paulatinamente, não só você mesmo, mas as pessoas que se encontrarem com você e ambientes que você freqüenta.

Vida nova para você!

“EU DAREI A MINHA VIDA POR TI!”

Foi essa frase que Pedro disse tão cheio de segurança para Jesus. Achava que nunca iria deixá-Lo e iria segui-Lo em qualquer circunstância. Não tinha se deparado ainda tão claramente com suas inconsistências e fraquezas. Neste momento, nunca passaria pelo coração de Pedro uma frase como: “Eu não O conheço!”. Por três vezes ele negou Jesus. Então eu pergunto: “E nós? Será que também não negamos o Senhor ainda hoje?”.

Negar Jesus hoje não significa dizer tão explicitamente como Pedro um “eu não O conheço”. Na verdade, são os inúmeros ‘nãos’ ditos implicitamente, ou mesmo discretamente. E o pior, constantemente. Para Pedro, dizer um ‘sim’ a Jesus naquela situação era comprometer-se inevitavelmente. Era, talvez, ter a mesma sorte que Jesus. E aquela situação era bem diferente da ocasião da entrada em Jerusalém, onde se podiam ouvir os ‘hosanas’, os gritos de ‘bendito o que vem em nome do Senhor’, a aclamação do povo… Nessas circunstâncias é bem mais fácil dizer que conhece Jesus.

Não negar Jesus hoje é ter a coragem de comprometer-se com Ele. Num tempo em que o Evangelho, as coisas sagradas e mesmo a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é posta de lado, nós precisamos dizer com nossas palavras e nossa vida: “Eu O conheço e estou com Ele, sim!”. Essa coragem e força não são meros bons propósitos ou simples boa vontade – embora sejam necessários -, mas são fruto de quem sabe que já negou o Senhor e que recebeu misericórdia para um recomeçar. Essa decisão é fruto de um derramamento do Espírito que faz como no dia de Pentecostes: transforma homens medrosos em verdadeiros arautos do Evangelho, com coragem de não só proclamar o Evangelho, mas de gastar-se numa verdadeira doação de vida por amor e comprometimento com Jesus.

Quantas vezes já negamos o Senhor? Na verdade, isso não importa muito! O que importa realmente é que Ele nos dá uma nova chance hoje de não negá-Lo. Ele nos dá a força necessária para enfrentarmos todos os obstáculos e, profundamente conhecedor de nossas fraquezas, continuarmos firmes numa decisão decidida de ir até o fim com Jesus.

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