CAMINHAR SEMPRE

Se você olhar bem vai perceber que todos nós temos uma grande tendência a nos instalarmos, a nos repetirmos, a buscarmos algo que possamos fazer sempre sem mudar muito ou quase nada. Cito alguns exemplos insignificantes do nosso dia-a-dia, mas que podem nos dar uma noção daquilo que quero dizer.
Quando sentamos à mesa em nossas casas para alguma refeição, por exemplo, geralmente sentamos sempre no mesmo lugar. Se vamos à igreja costumamos nos sentar sempre no mesmo lugar ou ao menos do mesmo lado da igreja. Se vamos fazer um curso qualquer ou ouvir algumas palestras que dure alguns dias, no decorrer do curso, perceberemos que buscaremos os mesmos lugares. Enfim, tendemos a nos rotinizar. E basta sugerir alguma mudança pra vermos a resistência a ela. Mil justificativas, argumentos dos mais variados para continuar sem mudar. Na verdade, poderíamos dizer sem crescer, sem progredir. Sim, porque para crescermos é preciso mudar. É preciso ter a coragem de sair dos nossos esquemas, de nos lançarmos em algo novo ainda que nos pareça, à primeira vista, demasiadamente desafiador.
Mudar significa abrir novas possibilidades, novos caminhos, novos rumos. Talvez mudar não signifique necessariamente fazer ou viver outra coisa diferente do que vivemos até hoje – isso se o que vivemos seja algo bom – mas, fazer, ou melhor, viver de um jeito diferente, melhor, novo. Converter-se é um processo contínuo que não se restringe a sair de algo ruim para algo bom, mas é também sair de um bem e progredir para um bem ainda maior. Ou seja, mesmo fazendo coisas boas, vivendo perto de Deus necessitaremos estar sempre caminhando.
Alguém pode ingenuamente pode dizer que Deus nos aceita como somos. E é verdade! Porém, isso não significa que ele quer que permaneçamos sempre do mesmo jeito. Nossas fraquezas, limites e inconsistências não devem nos servir de desculpas para estagnarmos na caminhada, muito pelo contrário, devem servir de trampolim para nos fazer crescer e amadurecer até chegarmos à estatura de Cristo. Portanto, caminhemos com coragem e ânimo! Não tenhamos medo de mudar e abrir-nos ao novo diário que Deus tem para cada um de nós.

Mensagem da Rainha da Paz em 25 de Outubro de 2018

Queridos filhos! Vocês tem uma grande graça de serem chamados a uma nova vida através das mensagens que EU estou lhes dando. Este, filhinhos, é um tempo de graça, um tempo e um chamado à conversão para vocês e às gerações futuras. Portanto, EU estou chamando vocês, filhinhos, rezem mais e abram seu coração ao MEU FILHO JESUS. EU estou com vocês e amo a todos vocês e abençôo vocês com a Minha Bênção Maternal. Obrigada por terem respondido ao Meu Chamado.

Eu não te esqueceria nunca (Is 49,15)

Imagine o que você precisaria fazer para que aquela pessoa ficasse inteiramente apaixonada por você. Por certo, você tentaria evidenciar ao máximo suas qualidades, seus pontos fortes, sua beleza, inteligência, enfim, tudo o que pudesse encantar, conquistar seria usado como “arma” para chegar até o coração da pessoa. Agora, imagine se você não precisasse fazer nada para que a outra pessoa o amasse intensamente…
É exatamente isso que vemos no trecho dessa linda passagem do livro do profeta Isaías. Deus que se declara para nós. Ele revela seu amor apaixonado por nós. E o mais interessante é que esse amor de Deus quebra todos os critérios humanos. Ele não poderia nos amar mais do que nos ama hoje. E nos perguntamos: “O que você e eu fizemos para merecer amor tão grande assim?”. Absolutamente nada! Não fomos nós que atraímos o olhar de Deus com nossa beleza, com nossas qualidades, ou porque nos achamos bonzinhos… Ele nos conhece e sabe dos nossos defeitos, pecados e fraquezas, da nossa inconstância, infidelidade e dureza de coração. Porém, ele nos ama. O que temos de verdadeiramente nosso para atrair o olhar de Deus sobre nós são os nossos pecados. O que não é nada belo! Mas o amor de Deus não está condicionado às nossas virtudes. Ele é pura gratuidade da parte do Senhor.
Quando nos depararmos com nossas inconsistências, lembremos de um Deus que nos repete: “Eu não te esqueceria nunca!”. Quando as tentações, tempestades e tribulações agitarem nossas vidas e passar pela nossa cabeça a ideia de desistir, ouça a voz Daquele que te ama em qualquer circunstância dizendo: “Eis que estás gravado na palma de minhas mãos!”. Assim é nosso Deus! Sempre amor. Em tudo, amor.
Quanto a nós, nunca estaremos sozinhos. Ele sempre estará conosco! Sempre nos amando! E esse fato não mudará nunca! Esteja como você estiver Ele é imutável e eterno em seu amor.

Merecer ou não merecer? Essa não é a questão!

Vejamos que interessante perceber o que aconteceu com aquele irmão mais velho da parábola do filho pródigo no Evangelho. As atitudes dele e como ele reagiu à volta do seu irmão para casa do pai.

A primeira atitude é que parece que ele desconhece completamente o coração misericordioso de seu pai. Ele não teve a capacidade de alegrar-se com seu irmão que voltara. Zangado, ele dizia ao pai que sempre estivera com ele e que não era como seu irmão que saíra de casa esbanjando seus bens. No entanto, esse “estar com ele” não significava comunhão, partilha de vida e intimidade com seu pai. As atitudes dele não se assemelhavam às do seu pai.

Será que nós não nos assemelhamos com esse irmão mais velho da parábola quando vemos como Deus agiu com outra pessoa, como ele demonstrou misericórdia com ela e nós, com nossa mentalidade legalista e “meritocrática”, achamos que não devia ser assim? Que a pessoa merecia mesmo era uma punição, um castigo. O irmão mais velho achava que se o outro havia pecado, merecia castigo e não festa. Enquanto ele, que nunca saíra de casa, é que mereceria reconhecimento e festa. Porém, desconhecia a gratuidade do amor misericordioso. É justamente assim que Deus nos ama. Todos queremos que Deus use de misericórdia conosco mesmo diante de nossos piores pecados, mas temos dificuldade de aceitar que Deus faça o mesmo com outros que também erram.

A ideia de que se sou “bonzinho” mereço misericórdia e se não sou “bonzinho” e erro mereço castigo, não se coaduna com o nosso Deus que é pleno em misericórdia. Era essa atitude de Jesus que os fariseus não conseguiam entender. Deus não nos ama porque merecemos! O fascinante desafio do cristianismo não é amar o que é amável, é amar o não amável. Se o filho mais velho tivesse os mesmos sentimentos de seu pai, ele, assim que soubesse que seu irmão havia chegado, correria para dentro de casa e cheio de alegria, abraçaria seu irmão. Festejaria o seu retorno.

O desafio de hoje é alegrar-se em acolher os que não merecem. Recebê-los com um abraço fraterno, ir ao encontro deles e, pondo neles anel, sandálias e roupas novas, agir como o Pai agiu conosco quando fizemos o papel do filho pródigo que voltava arrependido e foi recebido com festa.

Tupy Pontes

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

Meu passado me condena, meu presente me liberta

Quem nunca ouviu ser lançado sobre você essa expressão: “Teu passado te condena”? E o pior de tudo é que muitas vezes acreditamos nesse tipo de argumento. Dar crédito a isto é viver condenado pelo passado. É como se não tivesse mais jeito e precisássemos carregar a culpa pelos erros do passado para o resto da vida.

Precisamos mudar a nossa forma de olhar para a vida, dando suma importância para o “hoje”. Não podemos ficar na prisão do passado (nem vislumbrar um futuro que nunca chega). Se houveram erros no passado, não importa. O que mais conta é a minha atitude hoje. Claro que não posso continuar vivendo as mesmas roubadas de “trocentos” anos atrás e não mudar em nada. Nem pensar que porque errei ontem, hoje não tem mais jeito de mudar. E muito menos pensar que o meu passado determina o meu presente. Cada novo dia exige uma nova decisão. Basta que eu acolha a novidade e a liberdade do “hoje” que Deus me dá. É preciso deixar as algemas do passado ruim para vivermos a liberdade do tempo presente. Se o teu passado te condena, tenha a coragem de dizer: O meu presente me liberta!

Thiago de Oliveira Lopes

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

 

 

Nosso Chamado é um mistério de Deus

Muitas vezes nos deparamos com nosso chamado e nossa vocação e nos perguntamos? Por que eu? Será que Deus me chamou de fato? Essas perguntas provém de um grande erro, pois elas vem da visão limitada que temos de Deus e de nós mesmos. Nosso chamado se torna mistério porque não pode ser compreendido com a lógica humana, já que, só pode ser compreendido de forma sobrenatural.

Nestes dias tenho me deparado com um belo texto que ilumina bastante o mistério de nosso chamado “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). É preciso saber que Deus nos chamou não por causa de nossos méritos, mas unicamente por causa de sua misericórdia que é eterna. A segurança de nosso chamado reside na certeza que devemos trazer em nós do seu infinito amor: “Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31, 3). “Desde o seio materno Deus me chamou” (Is 49, 1). Esta é a nossa vantagem: saber que fomos chamados e escolhidos por amor.

Estamos celebrando 23 anos de fundação da Comunidade Católica Rainha da Paz e acredito que é este um tempo propício para cantarmos a nossa infinita gratidão a Deus, porque eterna é a sua misericórdia (Sl 100,5). Devemos fazer isso com nosso coração cheio de grande humildade e reconhecimento, pois “Ele ergue o fraco da poeira e tira o indigente do lixo, fazendo-o sentar-se com os nobres, ao lado dos nobres do seu povo” (Sl 113, 7-8).

Portanto, nos resta, correspondermos o chamado que provém do infinito amor de Deus por nós, para que cada vez mais, possamos celebrar esse mistério que nos atingiu e alcançou.

 

 Antônio Barbosa de Castro (Tony)

Co-fundador da Comunidade Católica Rainha da Paz