Merecer ou não merecer? Essa não é a questão!

Vejamos que interessante perceber o que aconteceu com aquele irmão mais velho da parábola do filho pródigo no Evangelho. As atitudes dele e como ele reagiu à volta do seu irmão para casa do pai.

A primeira atitude é que parece que ele desconhece completamente o coração misericordioso de seu pai. Ele não teve a capacidade de alegrar-se com seu irmão que voltara. Zangado, ele dizia ao pai que sempre estivera com ele e que não era como seu irmão que saíra de casa esbanjando seus bens. No entanto, esse “estar com ele” não significava comunhão, partilha de vida e intimidade com seu pai. As atitudes dele não se assemelhavam às do seu pai.

Será que nós não nos assemelhamos com esse irmão mais velho da parábola quando vemos como Deus agiu com outra pessoa, como ele demonstrou misericórdia com ela e nós, com nossa mentalidade legalista e “meritocrática”, achamos que não devia ser assim? Que a pessoa merecia mesmo era uma punição, um castigo. O irmão mais velho achava que se o outro havia pecado, merecia castigo e não festa. Enquanto ele, que nunca saíra de casa, é que mereceria reconhecimento e festa. Porém, desconhecia a gratuidade do amor misericordioso. É justamente assim que Deus nos ama. Todos queremos que Deus use de misericórdia conosco mesmo diante de nossos piores pecados, mas temos dificuldade de aceitar que Deus faça o mesmo com outros que também erram.

A ideia de que se sou “bonzinho” mereço misericórdia e se não sou “bonzinho” e erro mereço castigo, não se coaduna com o nosso Deus que é pleno em misericórdia. Era essa atitude de Jesus que os fariseus não conseguiam entender. Deus não nos ama porque merecemos! O fascinante desafio do cristianismo não é amar o que é amável, é amar o não amável. Se o filho mais velho tivesse os mesmos sentimentos de seu pai, ele, assim que soubesse que seu irmão havia chegado, correria para dentro de casa e cheio de alegria, abraçaria seu irmão. Festejaria o seu retorno.

O desafio de hoje é alegrar-se em acolher os que não merecem. Recebê-los com um abraço fraterno, ir ao encontro deles e, pondo neles anel, sandálias e roupas novas, agir como o Pai agiu conosco quando fizemos o papel do filho pródigo que voltava arrependido e foi recebido com festa.

Tupy Pontes

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

Meu passado me condena, meu presente me liberta

Quem nunca ouviu ser lançado sobre você essa expressão: “Teu passado te condena”? E o pior de tudo é que muitas vezes acreditamos nesse tipo de argumento. Dar crédito a isto é viver condenado pelo passado. É como se não tivesse mais jeito e precisássemos carregar a culpa pelos erros do passado para o resto da vida.

Precisamos mudar a nossa forma de olhar para a vida, dando suma importância para o “hoje”. Não podemos ficar na prisão do passado (nem vislumbrar um futuro que nunca chega). Se houveram erros no passado, não importa. O que mais conta é a minha atitude hoje. Claro que não posso continuar vivendo as mesmas roubadas de “trocentos” anos atrás e não mudar em nada. Nem pensar que porque errei ontem, hoje não tem mais jeito de mudar. E muito menos pensar que o meu passado determina o meu presente. Cada novo dia exige uma nova decisão. Basta que eu acolha a novidade e a liberdade do “hoje” que Deus me dá. É preciso deixar as algemas do passado ruim para vivermos a liberdade do tempo presente. Se o teu passado te condena, tenha a coragem de dizer: O meu presente me liberta!

Thiago de Oliveira Lopes

Consagrado da Comunidade Católica Rainha da Paz

 

 

Nosso Chamado é um mistério de Deus

Muitas vezes nos deparamos com nosso chamado e nossa vocação e nos perguntamos? Por que eu? Será que Deus me chamou de fato? Essas perguntas provém de um grande erro, pois elas vem da visão limitada que temos de Deus e de nós mesmos. Nosso chamado se torna mistério porque não pode ser compreendido com a lógica humana, já que, só pode ser compreendido de forma sobrenatural.

Nestes dias tenho me deparado com um belo texto que ilumina bastante o mistério de nosso chamado “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). É preciso saber que Deus nos chamou não por causa de nossos méritos, mas unicamente por causa de sua misericórdia que é eterna. A segurança de nosso chamado reside na certeza que devemos trazer em nós do seu infinito amor: “Eu te amei com um amor eterno” (Jr 31, 3). “Desde o seio materno Deus me chamou” (Is 49, 1). Esta é a nossa vantagem: saber que fomos chamados e escolhidos por amor.

Estamos celebrando 23 anos de fundação da Comunidade Católica Rainha da Paz e acredito que é este um tempo propício para cantarmos a nossa infinita gratidão a Deus, porque eterna é a sua misericórdia (Sl 100,5). Devemos fazer isso com nosso coração cheio de grande humildade e reconhecimento, pois “Ele ergue o fraco da poeira e tira o indigente do lixo, fazendo-o sentar-se com os nobres, ao lado dos nobres do seu povo” (Sl 113, 7-8).

Portanto, nos resta, correspondermos o chamado que provém do infinito amor de Deus por nós, para que cada vez mais, possamos celebrar esse mistério que nos atingiu e alcançou.

 

 Antônio Barbosa de Castro (Tony)

Co-fundador da Comunidade Católica Rainha da Paz